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Cristiano Ronaldo avisou Pedro Proença que ia embora: "Não se encontrava em condições anímicas para continuar"

Cristiano Ronaldo assumiu por telefone a Proença falta de "condições anímicas" para ficar

Cristiano Ronaldo e Pedro Proença

O futebolista Cristiano Ronaldo informou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, por telefone, que não tinha "condições anímicas" para ficar na seleção portuguesa, segundo o acórdão do Conselho de Disciplina hoje divulgado.

No dia 30 de setembro, o capitão da equipa das "quinas" e avançado dos sauditas do Al Nassr, de 41 anos, deixou o estágio da seleção portuguesa, que preparava os jogos do Grupo A4 da Liga das Nações frente à Dinamarca e à Noruega, depois dos triunfos frente ao País de Gales (1-0) e à formação norueguesa (2-1).

Ronaldo foi titular frente ao País de Gales e suplente não utilizado na visita à Noruega, na qual esteve a aquecer grande parte da segunda parte. Após este encontro, em Oslo, saiu do relvado aparentemente insatisfeito, sem se juntar aos companheiros de seleção nos agradecimentos aos adeptos lusos.

Na sequência da conferência de imprensa de Jesus de antevisão ao jogo com a Dinamarca, Ronaldo abandonou mesmo o estágio da equipa das "quinas", alegando, mais tarde, numa mensagem escrita, que o selecionador lhe faltou à palavra mais do que uma vez.

Na fundamentação de facto do acórdão da secção não profissional do CD sobre o processo disciplinar que o jogador foi alvo, nos dados provados, é revelado que Ronaldo abandonou o Estádio Parken, em Copenhaga, tendo falhado o treino, bem como as restantes atividades da seleção portuguesa previstas para o estágio.

"Arguido não comunicou nem justificou previamente, perante o responsável da FPF ou da seleção nacional masculina, a sua intenção de deixar o estádio e o estágio. Após ter deixado o estádio, o arguido Cristiano Ronaldo comunicou expressamente ao presidente da FPF, por telefone, a sua decisão de não permanecer integrado no estágio da seleção nacional, manifestando a intenção de abandonar os trabalhos da equipa", refere.

O documento acrescenta que durante a conversa telefónica entre Ronaldo e Pedro Proença, o capitão da seleção portuguesa revelou que "não se encontrava em condições anímicas para continuar integrado no estágio".

O acórdão elenca depois todas as atividades da seleção, desde refeições, a palestras, treinos e jogos, que Ronaldo faltou desde que decidiu sair por sua iniciativa, no dia 30 de setembro, até ao dia 04 de outubro, data do último jogo desta janela de quatro partidas que Portugal disputou.

É ainda referido que Cristiano Ronaldo, ao abandonar o estágio, agiu de "forma livre, consciente e voluntária", e que mesmo consciente de que o seu comportamento era "proibido e sancionado", não se absteve de o cometer.

Razões não são justificação válida, diz o acórdão

O documento considera depois que as razões apontadas para deixar a seleção, quer ao presidente da FPF, quer depois publicamente, não podem ser consideradas uma justificação válida.

Ronaldo foi hoje castigado por 30 dias e multado em 255 euros por ter abandonado o estágio da seleção portuguesa, tendo apenas 11 por cumprir, depois dos 19 passados com a suspensão preventiva.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234) e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das "quinas" nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

Já com a vitória no grupo e a presença nos quartos de final asseguradas, a seleção portuguesa volta a jogar em 14 e 17 de novembro, frente à Dinamarca, em Braga, e ao País de Gales, em Cardiff, nos últimos dois jogos do agrupamento, com Ronaldo já disponível, uma vez que depois de descontados os 19 dias já cumpridos, apenas lhe restam 11 por cumprir.

Após este incidente, o presidente da FPF assegurou, no passado dia 10 de outubro, que todas as partes querem Ronaldo na seleção, em novembro, fazendo depender esse regresso do castigo hoje conhecido.

Esta declaração de Proença ocorreu quatro dias depois de Ronaldo ter assumido, numa mensagem escrita, a responsabilidade pelo abandono do estágio da seleção, na qual, apesar de pedir desculpa aos adeptos e companheiros, defendeu que o seu ato devia ser punido de forma exemplar.

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