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O canoísta olímpico português Fernando Pimenta alertou para a importância de procurar ajuda psicológica sem receio, sobretudo em profissões sujeitas a elevados níveis de pressão, como acontece no desporto de alta competição.
"Quem está sujeito a uma grande pressão, principalmente em determinados momentos, deve procurar ajuda psicológica sem medo", defendeu o atleta durante a quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events, que termina esta quarta-feira em Viseu.
O evento é organizado pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) e reuniu dezenas de profissionais ligados à segurança, incluindo elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Durante a conversa, o canoísta recordou a desilusão sentida após a final de K1 1.000 metros dos Jogos Olímpicos Paris'2024, na qual não conseguiu conquistar a medalha de ouro.
"Ainda hoje estou frustrado e triste porque sei que tinha todas as condições para ter trazido o ouro [na final de K1 1.000 metros dos Jogos Olímpicos Paris'2024] e por dois erros que cometi na regata, não trouxe. A minha mulher já não me podia ouvir e liguei à minha psicóloga, que me disse para me focar na próxima competição", admitiu.
O atleta sublinhou que a pressão associada à competição nem sempre permite ter em conta as circunstâncias pessoais de cada desportista.
"Quando tenho uma prova marcada ninguém me pergunta se estou bem, se estou doente ou se me morreu alguém. Estás bem, vais. Não estás bem, vais", relatou.
Fernando Pimenta destacou também a importância de reservar momentos de recolhimento, antes ou depois das provas, para preservar o bem-estar psicológico.
"Às vezes, temos de criar uma bolha e viver nela durante determinado tempo, como por exemplo durante uma competição, para não nos deixarmos afetar por algo que aconteça na nossa família, por exemplo", explicou.
Para o canoísta, reconhecer a necessidade de apoio e recorrer a profissionais de saúde mental pode ser fundamental para enfrentar os períodos de maior exigência, tanto no desporto como noutras áreas profissionais.
Questionado sobre o fim da carreira de alto rendimento, Fernando Pimenta revelou que já ponderou essa possibilidade, mas garantiu que ainda não tomou uma decisão.
"Ainda nada está definido, porque se tivesse parado em Paris, como muita gente sugeriu, não teria conquistado os títulos mundiais" que se seguiram, afirmou.
Depois de abandonar a alta competição, o atleta pretende continuar ligado ao desenvolvimento desportivo em Portugal, com uma intervenção que vá além da modalidade que representa.
"G ostaria de contribuir de uma forma muito direta no desenvolvimento do desporto no país", afirmou, acrescentando que gostaria de o fazer não apenas na canoagem, mas "no desporto no geral".