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No clássico espanhol deste domingo, o Real Madrid colocou o Barcelona em sobressalto enquanto teve pernas frescas. Quando as perdeu, os catalães tiveram paz. Mas José Mourinho ainda tinha mais gente saudável para lançar e foi com isso que venceu o jogo.
O Real venceu na Catalunha por 2-1, numa partida em que jogou permanentemente em vertigem, contra uma equipa que dominou territorialmente a partida e a bola, mas que defendeu de forma incapaz em vários momentos.
Foi a primeira derrota interna do Barcelona, um resultado que deixa o campeonato em aberto – Barcelona com 27, Atlético com 25 e Real com 24.
O jogo na Catalunha foi precisamente o que se esperava que fosse. O Barcelona teve mais bola e o domínio territorial da partida, como qualquer previsão diria. E o Real defendeu com a equipa atrás, deixando apenas Mbappé no ataque, e confiando que as arrancadas de Bellingham e Diomande conseguiriam aproximar a equipa da baliza adversária.
A primeira parte foi um exemplo perfeito de tudo isto. O Barcelona rondou os 60% de posse de bola, mas o Real, que jogava sempre em transições, até foi mais perigoso.
A inclusão de Bernardo Silva no meio-campo também terá tido algo que ver com isto, já que o português oferece maior capacidade de lançar os colegas no espaço, trabalhando bem com Guler em zonas interiores. A ideia era quase sempre atrair o Barcelona ao lado direito ao Real e rodar rapidamente a bola para Diomande, que tinha espaço para o um contra um.
A pressão do Barcelona também não estava a ser particularmente virtuosa. A equipa tinha Raphinha e Gordon com uma intensidade tremenda a pressionar Lunin, Huijsen e Konaté, mas a inferioridade numérica ia permitindo ao Real encontrar vias de saída.
Aos 41’, o golo do Real foi um desses casos. Raphinha e Gordon foram batidos com facilidade e Baldé, o lateral-esquerdo, deixou-se atrair à pressão alta. Isto obrigou toda a equipa do Barcelona a rodar, com os centrais mais à esquerda e Cancelo, o lateral-direito, mais por dentro. Isto não seria um problema caso Rodri recuasse para a linha defensiva ou caso Yamal ajudasse Cancelo – e nenhuma das coisas acontece com frequência.
Diomande teve, portanto, o tal espaço no corredor esquerdo e combinou com Cucurella. O cruzamento acabou por ser cortado por Martín contra Mbappé, que marcou com alguma fortuna à mistura.
Diomande ainda esteve perto do golo pouco depois, em mais uma transição bem desenhada – também aos 34’ isso já tinha acontecido, mas com Mbappé.
No lado do Barcelona havia dificuldade para activar os criativos e só a meio da primeira parte é que Yamal entrou mais em jogo, quando recuou para pegar na bola mais atrás.
O Barcelona empatou aos 61’, num lance em que o canto curto apanhou o Real impreparado para o momento defensivo. Houve um passe soberbo de Pedri e remate de Raphinha.
Com o passar dos minutos a partida, que estava a ter muitos momentos de transição e alguma “loucura”, ficou mais “morna”. O Real já não tinha a mesma frescura para ferir em transições e o ataque posicional do Barcelona corria, nessa medida, menos riscos.
Ou talvez não. Aos 87’, o Real recuperou uma bola na zona do meio-campo e Guler lançou Camavinga, recém-entrado e com pernas frescas, com o francês a criar a jogada e assistir Mbappé.
Deste domingo de futebol internacional destaque particular para o Manchester United, que perdeu 3-0 em casa frente ao Bournemouth. Michael Carrick, colocado na berlinda por Bruno Fernandes depois de um jogo europeu, deixou o português no banco.
Já o ex-técnico dos “red devils”, Ruben Amorim, agora a comandar o AC Milan, viu os “rossoneri” derrotarem a Udinese e são quartos na Serie A.