Voltar
LUÍS CAETANO
O futsal angolano voltou a mostrar que tem talento e ambição para ombrear com os melhores de África. A segunda final consecutiva no Campeonato Africano das Nações, diante de Marrocos, a maior potência continental da modalidade, representa a confirmação de que Angola está a construir o seu espaço entre a elite africana.
Perder diante de uma selecção marroquina mais experiente, estruturada e habituada a grandes palcos não deve apagar o mérito dos nossos rapazes, pelo contrário. A caminhada dos Palancas Negras do futsal merece reconhecimento, respeito e, acima de tudo, continuidade.
A equipa voltou a fazer sonhar os angolanos e demonstrou que a distância para o topo pode ser encurtada com trabalho, organização e investimento. Mas chegar a uma final é diferente de conquistar um título, e competir de igual para igual com Marrocos exige muito mais do que talento individual e determinação. Precisa de ser um projecto consistente, capaz de preparar o presente sem perder de vista o futuro.
O primeiro passo passa pela massificação da modalidade. O futsal não pode continuar concentrado num número reduzido de clubes, praticantes ou centros urbanos. É necessário levá-lo às escolas, aos bairros, às comunidades e às províncias. Benguela, Huambo, Huíla, Namibe, Cabinda e tantas outras regiões devem integrar uma verdadeira rede nacional de formação e competição.
É nos escalões jovens que se começa a ganhar o futuro; precisamos de descobrir novos valores, identificar talentos cada vez mais cedo e proporcionar-lhes condições para evoluir. A formação deve ser uma prioridade, com treinadores preparados, acompanhamento técnico e competições regulares para os diferentes escalões etários. Neste processo, a FAF tem uma responsabilidade determinante. A aposta no futsal não pode limitar-se à convocatória da selecção nacional ou à preparação para os grandes compromissos internacionais.
É fundamental garantir planificação, recursos, acompanhamento e uma estrutura de desenvolvimento permanente. A capacitação dos técnicos nacionais é igualmente indispensável. Angola precisa de treinadores actualizados nas novas tendências tácticas, na preparação física, na análise de jogo e na formação de jovens atletas.
A experiência internacional deve servir para enriquecer o conhecimento interno e criar uma escola angolana de futsal, com identidade própria e capacidade competitiva. Outro desafio passa pela regularidade das competições internas. Um calendário nacional mais consistente, com campeonatos provinciais, torneios regionais e uma prova nacional devidamente estruturada, permitirá aos atletas competir durante todo o ano.
Mais jogos significam mais experiência, maior qualidade e melhores condições para seleccionar os representantes do país. Marrocos não chegou ao topo por acaso. A sua força resulta de uma estrutura que combina formação, competição, conhecimento técnico e continuidade. Angola deve estudar esse modelo, identificar o que pode adaptar à sua realidade e construir o seu próprio caminho.
A segunda final consecutiva não deve ser o ponto de chegada, mas transformar-se num compromisso nacional com o desenvolvimento do futsal. Os nossos rapazes já provaram que podem sonhar. Agora, cabe à FAF, aos clubes, aos treinadores, às associações provinciais e aos parceiros transformar esse sonho num projecto duradouro.