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Muito antes dos influencers e das redes, Pelé transformou a fama em negócio

Registrado como marca em 1961, o nome do craque passou por inúmeras campanhas até se tornar um patrimônio que é explorado mesmo após sua morte

Pelé, o Rei do Futebol, continua com a imagem ligada à publicidade mesmo após sua morte
Foto: Divulgação/Netflix Pelé, o Rei do Futebol, continua com a imagem ligada à publicidade mesmo após sua morte

Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, completaria 86 anos nesta sexta-feira (23). Seu brilho não se manifestou apenas nos gramados e, muitos anos antes da invenção da redes sociais e da aparição dos influencers, o Rei já se mostrava craque nessa área. Estrelou inúmeras campanhas de publicidade, virou ator e permeou o noticiário de celebridades ao lado de beldades, reis, rainhas e chefes de estado, mas era sempre o foco das atenções. Mesmo quatro anos depois de sua morte, Pelé continua ligado a iniciativas comerciais.

Um pouco antes de completar 20 anos de idade, em 1961, Pelé já era campeão do mundo com a Seleção Brasileira e dono de vários títulos no Santos. Naquele período, porém, o mercado publicitário brasileiro ainda não tratava jogadores de futebol como uma grande celebridade comercial.

Antevendo a jogada, como sempre fazia em campo, Pelé, ou melhor, Edson Arantes do Nascimento registrou o apelido no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para que ele não fosse usado em vão e muito menos sem o seu consentimento. No mesmo ano, estrelou uma campanha do Biotônico Fontoura , suplemento alimentar tradicional no mercado brasileiro e que continua nas prateleiras . Registrar o nome como marca foi o primeiro passo relevante para organizar seu império comercial.

Pelé despertou cedo a sanha comercial cedo. Logo depois de ganhar a Copa de 1958, ainda com 17 anos, recebeu uma proposta vantajosa. Alguns milhões de cruzeiros por um contrato de dez anos com uma famosa marca de aguardente. O menino pensou mas foi desaconselhado pelo companheiro de time e Seleção Zito. Afinal, não combinava com a imagem do menino. Desde então, Pelé recusou todas as ofertas de bebidas alcóolicas. Em 1995, disse não a um aceno de 2 milhões de dólares da famosa marca de uísque Johnnie Walker.

A chegada do Rei ao cinema

Em 1962, quando fomos bicampeões do mundo no Chile, Pelé estreou como ator. Chegou às telas do cinema ‘O Rei Pelé’, cinebiografia dirigida por Carlos Hugo Christensen, que reconstituiu os primeiros passos do então menino, desde a cidade de Três Corações, em Minas Gerais, até a ascensão no Santos e na Seleção Brasileira.

A telona se apaixonou por Pelé. Em 1971, Pelé fez uma ponta em ‘O Barão Otelo no Barato dos Bilhões’. No ano seguinte, interpretou Chico Bondade em ‘A Marcha ‘, drama dirigido por Oswaldo Sampaio sobre escravizados que tentam escapar de seus senhores.

Já em ‘Os Trombadinhas’, produzido em 1979, Pelé fez uma tabelinha com o diretor e amigo Anselmo Duarte e também colaborou com o roteiro. O filme abordava a situação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social. Este filme, inclusive, rendeu um meme que até hoje brota nas redes. Quando Pelé é reconhecido pela mocinha, interpretada por Ana Maria Nascimento e Silva, mas ele diz que é o Jô Soares, seguido de um xingamento.

A carreira do Rei decolou ainda mais nos anos 1980, com ‘Fuga para a Vitória ‘, de 1981, dirigido por John Huston. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, o longa mostra a história de prisioneiros dos países aliados que enfrentam uma seleção nazista. Pelé interpreta Luis Fernandez, ao lado de atores como Sylvester Stallone e Michael Caine e do jogador inglês Bobby Moore.

Em seguida vieram outras participações, como ‘Pedro Mico ‘(1985) e‘Os Trapalhões e o Rei do Futebol’(1986), que bateu recorde de bilheteria com 3,6 milhões de espectadores em menos de um ano.

Da Seleção do tri ao video game

A conquista do tri na Copa do Mundo de 1970 ampliou ainda mais o alcance internacional de Pelé. Naquele ano, o jogador estrelou uma campanha dos postos de combustíveis Shell. Em 1976, ele protagonizou uma campanha do lançamento de uma motocicleta Honda no Brasil. Isto sem falar em anúncios de pilha, roupas, bancos, café e tantos outros produtos. Pelé estava em todos os lugares ao mesmo tempo muito antes mesmo do advento das redes sociais.

Um fator que alavancou ainda mais a sua imagem publicitária foi sua ida ao Cosmos em 1977. A decisão de jogar nos EUA mesmo quatro anos depois de se aposentar no Santos e na Seleção, foi um gol de placa. Em 1978, Pelé tornou-se garoto-propaganda da Atari, que lançou um game de futebol com seu nome. Foi o primeiro jogo eletrônico da história a receber o nome de uma personalidade.

Anos 1980: o romance com Xuxa

Na década de 1980, a exposição de Pelé ganhou as colunas sociais. Seu namoro com Xuxa, então uma modelo ainda na adolescência e que se tornaria uma das maiores apresentadoras da TV brasileira, colocou o casal nas capas de revistas e de jornais. Os dois se conheceram durante uma sessão de fotos para a extinta revista ‘Manchete’, no início dos anos 1980. Xuxa tinha apenas 17 anos, enquanto Pelé tinha 40.

Xuxa recordou que conheceu Pelé quando ainda era muito jovem e o descreveu como seu primeiro grande amor. Anos mais tarde, a própria Xuxa, em um documentário, disse que considerava a relação como uma espécie de amizade colorida.

O relacionamento, entretanto, aproximou duas figuras que representavam universos diferentes do entretenimento. Pelé já era Pelé. Xuxa, porém, começava a ganhar projeção nacional. Em 1986 estrearia o programa ‘Xou da Xuxa ‘, na TV Globo, que a transformaria em um fenômeno.

Camisa do Santos para colecionador

Recentemente, o Santos anunciou uma coleção especial de camisas comemorativas, em duas versões: branca e listrada. Foram fabricadas 1.091 unidades ao valor de R$ 1.091, em referência aos 1.091 gols feitos por Pelé com a camisa do Santos.

A coleção do Rei socando o ar, sua principal marca registrada, ocupa o espaço tradicionalmente reservado ao logotipo da fornecedora, no lado direito do peito. O lançamento foi feito pela Pelé Brand, empresa administrada pela NR Sports, ligada à família de Neymar. Ou seja: mesmo quatro anos depois de sua morte, Pelé continua “entrando” em campo