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Marcelinho Carioca, Vampeta e Neto entregaram tudo: o que está acontecendo com o Palmeiras?
Vampeta e Marcelinho Carioca, rivais se rendem ao Palmeiras
Rivais se rendem ao Palmeiras, Vampeta e Marcelinho Carioca falaram sobre o Verdão

Ídolos e comentaristas ligados aos rivais reconheceram a força do Verdão, que segue brigando por títulos e transformou a era Abel Ferreira em um período de competitividade difícil de ignorar.

Existe um fenômeno curioso acontecendo no futebol brasileiro: o Palmeiras está chegando a um ponto em que até secar ficou trabalhoso. O sujeito veste a camisa do rival, prepara o café, abre a tabela e pensa: “Hoje eu vou encontrar alguma coisa para falar desse time”. Aí o Verdão ganha de novo. Ele muda de canal, procura uma corneta e descobre que o próprio comentarista está elogiando o Palmeiras.

É complicado.

O torcedor palmeirense, claro, ainda reclama. Às vezes, reclama do centroavante, do volante, da substituição, da escalação e até do horário do jogo. Faz parte da tradição. Se Abel Ferreira conquistar mais uma Libertadores, haverá quem pergunte por que não ganhou com três gols de diferença.

Mas, do lado de fora do Allianz Parque, o discurso começa a mudar. Os rivais, que prefeririam ver o Palmeiras tropeçando na própria chuteira, estão tendo de admitir aquilo que a torcida alviverde já percebeu: o time de 2026 é um negócio sério.

E quando até os corintianos começam a elogiar, é porque a situação saiu do controle.

Marcelinho Carioca não é exatamente o primeiro nome que um palmeirense esperaria encontrar na lista de admiradores do Verdão. Ídolo histórico do Corinthians, o Pé de Anjo tem lugar garantido na memória alvinegra e motivos de sobra para torcer contra o maior rival.

Só que existe uma diferença entre torcer contra e fingir que não está vendo.

A frase atribuída a Marcelinho resume bem esse dilema: “Vou torcer contra, mas o Palmeiras é um time fadado a ser campeão”.

É quase uma confissão feita com o escudo corintiano escondido atrás das costas. A vontade é secar, mas a realidade insiste em atrapalhar o serviço.

E o detalhe mais interessante está justamente na expressão “fadado a ser campeão”. Não significa que o Palmeiras tenha taças garantidas ou que possa encomendar as faixas antes da hora. Significa reconhecer que existe um trabalho, uma estrutura e uma mentalidade que mantêm o clube no caminho das decisões.

O Palmeiras não precisa vencer todas para assustar os adversários. Basta mostrar que, mesmo quando não joga seu melhor futebol, continua encontrando maneiras de competir.

Se Marcelinho tentou manter a compostura, Vampeta foi pelo caminho mais direto.

“O Palmeiras é copeiro pra c***, que time desgraçado!”

Pronto. Não precisava de tese de doutorado, gráfico de desempenho ou apresentação de PowerPoint. A análise estava feita.

Vampeta conhece o futebol por dentro e também conhece o peso de uma camisa em jogos decisivos. E chamar o Palmeiras de copeiro, nesse contexto, é reconhecer uma das principais características construídas durante a era Abel Ferreira: a capacidade de sobreviver a jogos complicados, entender o momento da partida e encontrar o caminho para a classificação.

O Palmeiras pode passar um tempo sem a bola. Pode ser pressionado. Pode sair de campo sem encantar ninguém. Mas, quando o confronto vira mata-mata, o adversário sabe que não basta jogar bem: é preciso eliminar o Verdão.

E aí começa o problema.

Porque o Palmeiras de Abel não precisa transformar toda partida em espetáculo. Às vezes, precisa de uma bola recuperada, um contra-ataque bem executado, uma defesa importante e aquele gol que faz o estádio inteiro ficar em silêncio.

Foi assim diante do Fluminense, no Maracanã. O Tricolor teve mais posse, tentou impor seu jogo e carregou a pressão de atuar em casa. O Palmeiras foi eficiente, venceu por 2 a 1 e voltou para São Paulo com a vantagem na semifinal da Libertadores.

O Fluminense jogou em casa. O Palmeiras levou o resultado.

Copeiro? Vampeta talvez tenha encontrado a palavra certa.

Neto e o drama de quem não aguenta mais ver o Palmeiras ganhar

A relação de Neto com o Palmeiras é um espetáculo à parte. Corinthiano declarado, o apresentador costuma fazer barulho quando o assunto é o Verdão. Mas, de vez em quando, a sequência alviverde parece testar até os limites da corneta.

Depois da vitória sobre o Fluminense, Neto soltou o já famoso “Desgraça de time” e reclamou da rotina de Abel Ferreira e seus jogadores: treinam, ganham, treinam, ganham e voltam a ganhar.

É quase possível imaginar a cena: o apresentador procurando um defeito novo, enquanto o Palmeiras oferece mais uma vitória como material de trabalho.

E existe uma ironia deliciosa nisso. Quando o rival passa a reclamar que o outro ganha demais, o elogio está escondido dentro da reclamação.

Neto não precisa vestir verde, cantar o hino ou trocar a decoração do estúdio. O reconhecimento está no próprio desabafo. O Palmeiras virou aquele vizinho que faz tudo certo, paga as contas em dia, mantém o jardim bonito e ainda recebe elogios do síndico. Dá vontade de reclamar do barulho, mesmo quando ele está em silêncio.

O Verdão não precisa que os rivais gostem dele. Precisa apenas continuar fazendo o que tem feito: competir, ganhar e aparecer nas decisões.

O resto é entretenimento.

Enquanto o Palmeiras briga por títulos, os rivais tentam se encontrar

É aqui que a comparação fica ainda mais saborosa para o palmeirense.

O Palmeiras chegou à reta decisiva de outubro disputando a liderança do Brasileirão e uma vaga na final da Libertadores. Na Copa do Brasil, também segue vivo na luta pelo título. O Campeonato Paulista já está na galeria.

Do outro lado da cidade, o Corinthians atravessa uma temporada de dificuldades esportivas. O São Paulo também vive altos e baixos, enquanto o Santos enfrenta seus próprios desafios para encontrar regularidade.

Não significa que os rivais deixaram de ser grandes clubes, nem que o futebol seja uma fotografia congelada. Uma temporada ruim não apaga uma história. Mas, no recorte de 2026, a diferença de momento é evidente: enquanto o Palmeiras discute como administrar o elenco para disputar três títulos restantes, seus principais concorrentes estaduais tentam resolver problemas de desempenho e regularidade.

E o clássico de 4 a 1 contra o Corinthians virou uma espécie de resumo dessa distância. O Palmeiras entrou em campo para continuar perseguindo a liderança. O Corinthians saiu com mais perguntas do que respostas.

Para o torcedor alviverde, é difícil não aproveitar. Afinal, rivalidade também é isso: passar anos ouvindo provocações e, quando o vento muda de direção, ter o direito de devolver algumas.

Só que há uma diferença importante. O Palmeiras não chegou a esse momento apenas porque os outros estão mal. Chegou porque construiu um trabalho capaz de continuar funcionando em meio às próprias dificuldades.

É mais fácil celebrar a crise alheia. O desafio é construir a própria regularidade.

Abel Ferreira transformou o Palmeiras em presença obrigatória nas decisões

A era Abel Ferreira não se resume a uma sequência de taças. O português ajudou a estabelecer uma cultura de competitividade que atravessa temporadas, mudanças no elenco e diferentes cenários de jogo.

O Palmeiras ganhou com brilho, ganhou sofrendo, ganhou com a bola e ganhou sem ela. Em algumas partidas, encantou. Em outras, fez o torcedor perder anos de vida. Mas continuou chegando às decisões.

E isso não acontece por mágica.

Há planejamento, trabalho tático, preparação física, investimento, cobrança interna e uma estrutura que permite ao treinador manter a equipe competitiva. Há também jogadores que entenderam o que significa representar um clube que entra em campo com a obrigação de disputar títulos.

Abel não é infalível. Nenhum técnico é. Pode errar, ser questionado e tomar decisões que não funcionam. O próprio palmeirense sabe disso — e provavelmente já escreveu uma escalação alternativa na cabeça antes mesmo de o árbitro encerrar o primeiro tempo.

Mas os resultados colocam o trabalho em uma prateleira especial. O Palmeiras se acostumou a disputar títulos e, mais importante, aprendeu a não se assustar quando chega a hora de decidir.

Os adversários perceberam. Marcelinho reconhece a força do time, Vampeta destaca o espírito copeiro e Neto se revolta com a rotina de vitórias.

Se três personagens tão diferentes começam a admitir a grandeza do momento, talvez seja hora de o torcedor alviverde respirar fundo e apreciar um pouco mais o que está acontecendo.

Sim, há defeitos, há partidas ruins, o elenco pode ser reforçado e Abel pode ser questionado. Mas nada disso apaga o principal: o Palmeiras segue competitivo quando a temporada entra na fase em que os títulos deixam de ser promessa e passam a ser possibilidade real.

Pode secar. Só não esquece de olhar a tabela.

O torcedor palmeirense não precisa de aprovação dos rivais para comemorar. Mas é divertido quando ela aparece disfarçada de irritação.

Marcelinho vai torcer contra. Vampeta vai chamar o time de desgraçado. Neto vai reclamar que o Palmeiras só treina e ganha. Cada um à sua maneira, todos acabam falando do mesmo assunto: um clube que continua encontrando caminhos para vencer.

E o melhor é que a temporada ainda não terminou.

O Paulista já foi conquistado. O Brasileirão segue aberto. A Copa do Brasil continua no horizonte. E a Libertadores tem uma semifinal para resolver, com o Palmeiras levando a vantagem para o jogo de volta.

Não há taça garantida, nem motivo para cantar vitória antes da hora. Futebol tem seus caprichos, e o próprio Palmeiras sabe que uma temporada pode mudar em 90 minutos.

Mas, enquanto os rivais procuram respostas, o Verdão continua fazendo perguntas aos adversários: como parar esse time? Como impedir que chegue a mais uma final? Como convencer a torcida de que agora vai, se o Palmeiras insiste em ganhar de novo?

Talvez seja esse o maior feito da era Abel: fazer com que o respeito dos rivais apareça mesmo quando eles preferiam sentir qualquer outra coisa.

E fica o conselho para quem veste verde: aproveite. Não precisa abandonar as críticas, nem transformar cada vitória em perfeição. Basta reconhecer que acompanhar um time tão competitivo é um privilégio que nem toda torcida pode experimentar ao mesmo tempo.

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