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No começo da decisão da Libertadores deu até dó das Cabulosas, em cujos pés a bola parecia pegar fogo.
Em quatro minutos as Brabas já estavam na frente, para variar com gol de Gabi Zanotti, de cabeça, em cruzamento de Gi Fernandes.
As mineiras se limitavam à defesa, inteiramente dominadas pelas paulistas, que empilhavam oportunidades e as desperdiçavam, uma delas, com Tamires, quase inacreditável.
Só aos 41 minutos as corintianas ampliaram, de novo com Zanotti, quando o Cruzeiro saiu jogando mal de sua área, e a bola foi entregue para Vic Albuquerque oferecer à goleadora.
Prevalecia a camisa que domina o torneio continental contra a estreante na competição.
Quando o intervalo chegou não havia dúvida do heptacampeonato alvinegro, apenas não se sabia o tamanho da vitória, embora sempre se pudesse esperar a reação com um tudo ou nada das celestes.
Como virar o 2 a 0 sem correr o risco de goleada?
Logo que o segundo tempo começou ficou clara a hipótese que vigoraria.
As Cabulosas se mandaram, as Brabas contra-atacaram e Vic Albuquerque fez 3 a 0, aos 4, outra vez.
Talvez por estar pensando em se vingar do surpreendente 7 a 2 imposto pelo Cruzeiro em 2024, Tamires saiu jogando e proporcionou, aos 7, que Byanca Brasil diminuísse e anunciasse que tinha jogo.
E no que as Brabas perderam a chance do 4 a 1, deu-se o contra-ataque e a goleira alvinegra Lelê fez pênalti, aos 11, convertido por Vitória Calhau: 3 a 2.
Não era mais que tinha jogo: tinha muito jogo e o vento sobrava para as Minas Gerais, muito embora permanecesse clara a superioridade corintiana e o poder de fogo de seu ataque.
Doze minutos depois do segundo gol mineiro, as Brabas armaram bom ataque e Vic Albuquerque fez o 4 a 2 que parecia definitivo.
Mas só parecia, porque a gente mineira entende de viradas e foi à frente até fazer o 3 a 4, em cobrança de escanteio e cabeceio de Yenifer Gimenez, aos 30.
Que jogo maluco, senhoras e senhores!
Em seguida o Cruzeiro quase empata quando Letícia Ferreira não conseguiu o toque final na bola para estabelecer o 4 a 4 e, aos 34, ela bateu, Lelê espalmou e a bola ainda foi ao travessão.
O empate estava por um fio e o que era dó, no começo da decisão, virava admiração pelo esforço e coragem das Cabulosas, ao tornarem épica uma final que parecia humilhante.
E, aos 44, de cabeça, Letícia decretou o empate sensacional, justo, histórico.
Vieram os pênaltis.
A treinadora corintiana Emily Lima ainda tirou as experientes Tamires e Zanotti no fim do jogo e não contaria com elas.
Em cobranças intermináveis de pênaltis, com erros dos dois lados em bolas nas alturas, a goleira Camila Rodrigues pegou o pênalti que definiu o título inédito do Cruzeiro.