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A relação entre clubes de futebol, torcidas uniformizadas e política costuma gerar dúvidas, especialmente em períodos eleitorais. Em outubro, uma foto de dois torcedores – um do Corinthians e outro do Palmeiras – num ato a favor do presidente Lula viralizou, levando muitos a crerem que havia apoio oficial das equipes ou das diretorias das organizadas. No entanto, apuração do Projeto Comprova concluiu que nenhum dos clubes nem as diretorias das principais torcidas manifestaram apoio formal a qualquer candidatura, pois seus estatutos exigem neutralidade partidária e a participação foi iniciativa exclusiva dos envolvidos, refletindo apenas entendimentos individuais.
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O Comprova entrevistou os responsáveis pelos dez primeiros colocados no Ranking Nacional da CBF: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Athletico Paranaense, Bahia e Vasco da Gama. Três desses clubes – Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro – responderam oficialmente que não apoiam nenhum candidato e mantêm estrita neutralidade em questões eleitorais, conforme preveem seus estatutos sociais. Os demais não se manifestaram até a conclusão desta checagem, mas não há registros em seus canais oficiais de endosso a Lula (PT), a Jair Bolsonaro (PL) ou a qualquer outro postulante.
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Diretorias de torcidas organizadas costumam evitar vinculação institucional a campanhas políticas. De acordo com Felipe Tavares Paes Lopes, professor da Unicamp, essa postura serve para proteger a entidade de eventuais retaliações de órgãos públicos e para não gerar conflitos entre associados, cuja diversidade de opiniões políticas é grande.
Os dois torcedores flagrados no ato confirmaram ser membros, mas não ocuparem cargos diretivos em suas respectivas torcidas. Weverton Cruz, da Gaviões da Fiel, disse que foi ao evento espontaneamente e motivado pela defesa da democracia. Já Bruno Azevedo, da Mancha Alviverde, explicou que sua presença teve o propósito de destacar pautas democráticas e combater a desinformação, ressaltando que rivalidade no futebol deve ser respeitosa.
Além das organizadas tradicionais, há coletivos independentes e frentes antifascistas formados por torcedores que atuam nas arquibancadas e nas ruas. Esses grupos promovem temas como direitos sociais, democracia e combate a preconceitos, e levam camisas, bandeiras e faixas às manifestações, sem que isso represente aval oficial dos clubes ou de suas diretorias.
A verificação envolveu entrevistas com os torcedores retratados, análise de estatutos, consulta a clubes, à Confederação Brasileira de Futebol, à Associação Nacional das Torcidas Organizadas e monitoramento de redes sociais institucionais. O esclarecimento visa combater a circulação de informações descontextualizadas que associam formalmente agremiações esportivas a candidaturas presidenciais.