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Pela Liga dos Campeões, na vitória de virada do Real Madrid por 4x3 sobre a Roma, Endrick entrou durante o segundo tempo no lugar de Vinicius Junior quando o real perdia por 3X1. Ele fez um gol, participou de outro, além de fazer algumas ótimas jogadas. Na véspera da partida, o treinador Mourinho do Real, disse que Endrick não será emprestado.
Vinicius Junior teve mais uma apagada atuação. Pior, foi suspenso por quatro jogos no campeonato espanhol, dois por puxar o cabelo do adversário e dois por postura ofensiva contra o árbitro. Pelos noticiários da imprensa espanhola, receio que Vini passe a ter rotineiramente uma postura afetada, de celebridade parecida com a de Neymar.
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O mesmo ocorreu com Ronaldinho Gaúcho, quando jogava no Barcelona, após ser eleito, merecidamente, melhor do mundo duas vezes seguidas. Diziam que Ronaldinho estava encantado com o personagem criada por ele. A criatura engoliu o criador.
Gabigol, após ter muitas glorias no Flamengo, pisou na bola durante os anos seguintes, perdeu prestigio e agora começa a se recuperar no Santos. Maradona se perdeu pelos caminhos do sucesso. Foi punido por doping na copa do mundo, tornou-se um usuário e teve um triste fim.
Muitas outras pessoas famosas, em todas as áreas, se encantam com a glória. Uma das deficiências humanas é a fraqueza, a necessidade de ser aprovado e aplaudido pelo outro. O tímido e sóbrio craque Dirceu Lopes dizia que nenhum ser humano está preparado para a fama.
O sucesso costuma empobrecer o indivíduo. Muitas pessoas famosas costumam confundir o público com o privado, o criador com a criatura. Há exceções.
Os grandes atletas são, como Messi, os que, além de enormes talentos, conseguem unir o desejo, a obsessão pelo sucesso com a seriedade profissional e o equilíbrio emocional. Querem sempre ultrapassar os limites, porém sabem que o futebol é um esporte coletivo e que precisam do equilíbrio emocional, do conjunto e do outro para brilhar.
Pelé, o maior de todos, estava sempre bem humorado, tranquilo. Demonstrava estar feliz por ser o Pelé. Parece óbvio, mas não é. As celebridades costumam ter comportamentos conflitantes, pela falta de acordo entre o indivíduo e a personagem.
Edson e Pelé pareciam ser a mesma pessoa. Como ele já era muito famoso aos 17 anos, tenho a impressão e posso estar enganado, de que o Édson foi incorporado ao Pelé.
Os treinadores, as comissões técnicas, dirigentes, torcedores e jornalistas, além de explicar as quedas de rendimentos de atletas por questões técnicas e táticas, deveriam pensar nos fatores emocionais, frequentes e determinantes nos sucessos e fracassos.
Recentemente, alguns atletas campeões de outros esportes, pararam de atuar por variados tempos para cuidarem da saúde mental. Mesmo com o aumento do número de profissionais da área de psicologia trabalhando diariamente nos clubes brasileiros, eles são ainda poucos. É inadmissível a ausência de psicólogo (a) em uma comissão técnica
O futebol brasileiro está doente, dentro e fora de campo. O paciente tem melhorado, mas é preciso ficar atento para que não aconteçam recaídas. Para o doente ficar curado é necessário haver transformações estruturais, desconstruções, reconstruções e não apenas mudanças ocasionais.