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Uma diferença financeira de cerca de 100 milhões de euros a mais na proposta do Real Madrid não impediu que Neymar assinasse contrato com o Barcelona no ano de 2013. O atacante brasileiro optou pela equipe da Catalunha mesmo diante de valores superiores oferecidos pelo clube da capital espanhola. A preferência do atleta por atuar no Barcelona vinha desde a juventude e envolveu critérios esportivos, profissionais e pessoais no momento de definir a transferência para o futebol europeu.
Antes da assinatura do contrato em 2013, a disputa pela contratação do jogador mobilizou as diretorias dos dois principais clubes da Espanha. Enquanto o Real Madrid apostou em um pacote financeiro mais alto para tentar convencer o atleta e seus representantes, o Barcelona contou com a vontade declarada do próprio jogador de atuar ao lado de nomes como Lionel Messi.
As movimentações do Real Madrid para contratar Neymar tiveram início em 2011, dois anos antes do desfecho da negociação. Foi em 2013, contudo, que a diretoria madrilenha apresentou a proposta financeira com valores cerca de 100 milhões de euros acima dos números oferecidos pelo Barcelona. Mesmo diante da quantia superior colocada na mesa pelo clube presidido por Florentino Pérez, o aspecto monetário não determinou a escolha final do atacante.
Desde o começo de sua trajetória como atleta profissional, Neymar manifestava admiração pelo modelo de jogo adotado pelo Barcelona, pelo histórico da instituição e pelos atletas que passaram pelo elenco catalão. O jogador avaliava que a transferência para a Catalunha representava um passo necessário para o desenvolvimento de sua carreira no continente europeu.
No momento da definição, o atacante precisou escolher entre o contrato mais rentável em Madrid e o projeto esportivo que desejava integrar desde a infância. A possibilidade de dividir o gramado com Lionel Messi pesou na avaliação do brasileiro, que priorizou o encaixe técnico e o ambiente de jogo do Barcelona em vez da compensação financeira maior oferecida pelo rival.
A recusa a um montante 100 milhões de euros superior chamou a atenção do mercado do futebol europeu em 2013. Para Neymar, o ingresso no elenco do Barcelona significava integrar uma equipe reconhecida pelo estilo coletivo de atuação e pela capacidade individual de seus titulares. O objetivo de atuar ao lado de ídolos como Lionel Messi funcionou como um dos pontos centrais para que o jogador mantivesse a palavra dada ao clube catalão.
Na sequência de sua passagem pela Espanha, a união de Neymar com Lionel Messi e Luis Suárez formou o ataque que ficou conhecido pela sigla MSN. O trio de sul-americanos acumulou conquistas de expressão, entre elas a Liga dos Campeões da UEFA de 2015, confirmando a projeção esportiva que o atacante brasileiro havia traçado ao rejeitar a investida madrilenha dois anos antes.
Nos bastidores da janela de transferências de 2013, a negociação com o Real Madrid avançou a ponto de Neymar realizar exames médicos pelo clube da capital espanhola. A conclusão do negócio com a equipe de Madrid parecia encaminhada após os procedimentos clínicos, mas o atacante alterou o rumo da tratativa nos momentos finais e confirmou a ida para o Barcelona.
Empresário do jogador na época da transação, André Cury afirmou que a oferta apresentada pelo Real Madrid era muito vantajosa do ponto de vista financeiro. Segundo o representante, o atleta abriu mão de valores elevados porque não pautava a mudança para a Europa apenas pelos ganhos salariais e contratuais. A prioridade de Neymar era atuar no ambiente que considerava mais adequado para a sua evolução dentro de campo.
Todas as cláusulas e detalhes operacionais entre os representantes do atleta e a cúpula do Real Madrid estavam encaminhados quando ocorreu a mudança de posição. A expectativa interna na capital espanhola era de que a assinatura ocorresse logo depois da bateria de exames médicos, mas a revisão de planos feita pelo jogador interrompeu o processo e direcionou o acerto para a Catalunha.
Na avaliação de André Cury, o brasileiro aceitou um sacrifício financeiro direto para viabilizar a formação do ataque com Lionel Messi e Luis Suárez. O empresário apontou que o jogador acreditava no potencial daquele elenco para conquistar os principais torneios do calendário europeu, o que se confirmou nas temporadas seguintes.
A decisão tomada por Neymar em 2013 alterou o planejamento esportivo dos dois rivais espanhóis. Caso o contrato com o Real Madrid tivesse sido assinado após os exames médicos, o brasileiro teria integrado o setor ofensivo ao lado do português Cristiano Ronaldo e do francês Karim Benzema. Sem a chegada do atacante, a equipe madrilenha manteve sua estrutura e buscou outras alternativas no mercado, preservando o equilíbrio na disputa direta com o Barcelona.
Fora das quatro linhas, o desfecho da negociação representou um revés direto para o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez. O dirigente conduzia pessoalmente os planos para incorporar o brasileiro ao elenco da capital e viu o atleta assinar com o principal concorrente nas competições nacionais e continentais.
Pelo lado do Barcelona, a entrada de Neymar elevou o rendimento ofensivo da equipe nas três temporadas em que o trio MSN atuou junto. Somados, Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar marcaram 364 gols no período. O desempenho do ataque resultou na conquista da tríplice coroa no ano de 2015, quando o clube catalão levantou os troféus da Liga dos Campeões da UEFA, do campeonato espanhol (La Liga) e da Copa do Rei.
Ao longo dos quatro anos em que permaneceu no Barcelona, Neymar acumulou títulos internacionais e nacionais, consolidando a parceria em campo com Lionel Messi. A sintonia técnica entre o brasileiro e o argentino marcou a passagem do camisa 11 pela Catalunha e cumpriu o objetivo traçado pelo atleta quando preteriu a proposta de Madrid em 2013.
O ciclo no futebol espanhol chegou ao fim em 2017, ano em que Neymar acertou sua transferência para o Paris Saint-Germain (PSG), da França. A operação financeira para tirá-lo do Barcelona bateu todos os recordes de valores da história do futebol mundial até então, abrindo uma nova etapa na carreira profissional do atacante quatro anos após a escolha feita na Espanha.