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Durante uma década, foi impossível falar do El Clásico, entre Barcelona e Real Madrid, sem esbarrar na disputa entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Os dois craques elevaram o duelo a um nível global, em que cada jogo se transformava em uma chance de "provarem" quem era o melhor jogador do mundo.
No período em que ambos defenderam os dois gigantes — entre 2009 e 2018, enquanto o português esteve no Real Madrid —, as disputas pela artilharia da Liga Espanhola, da Chuteira de Ouro, da Bola de Ouro e do prêmio de melhor do mundo da Fifa raramente foram abertas a concorrentes externos. A dupla dominou quase tudo.
Neste domingo, às 17h (horário de Brasília), o duelo entre os arquirrivais volta a ser pautado por uma disputa individual. Um dia antes da disputa pela Bola de Ouro, Lamine Yamal e Kylian Mbappé voltam a transformar o choque de gigantes em uma antessala para discutir quem é o melhor jogador do planeta (ainda que o prêmio só considere os jogos até 19 de julho).
Desde que Cristiano Ronaldo trocou o Real Madrid pela Juventus, em 2018, um Barcelona x Real Madrid não era tão calcado em uma disputa de dois jogadores.
O confronto é emblemático não apenas pela proximidade da premiação, marcada para segunda-feira, em Paris, em que os dois dividem o favoritismo com Harry Kane, do Bayern de Munique.
Será, também, o primeiro duelo entre ambos depois da conquista da Copa do Mundo pela Espanha: ou seja, agora os dois craques podem dizer que foram campeões mundiais aos 19 anos de idade.
Os números da temporada atual também impressionam: Yamal tem dez gols e dez assistências pelo clube na temporada; Mbappé já balançou as redes 12 vezes e soma três passes para gol — ambos com 12 partidas disputadas.
Os dois astros estão atrás de Raphinha (14 gols em dez jogos) na disputa pela artilharia, mas o impacto midiático e a disputa pelo maior prêmio individual do esporte os coloca como protagonistas do clássico.
As entrevistas dos treinadores nos últimos tempos dão o tom de uma disputa individual que pode marcar o confronto pelos próximos anos. Tanto Hansi Flick quanto José Mourinho têm, invariavelmente, que responder sobre o craque de seu time — e o da equipe rival — nos encontros com a imprensa.
Às vésperas do clássico, os dois comandantes tiveram de responder à pergunta tradicional: como parar o principal atacante adversário?
"Ele é um grande jogador, e temos que respeitar os grandes jogadores", disse Mourinho sobre o prodígio espanhol. O técnico português negou-se, contudo, a armar uma defesa especialmente para tentar parar o rival. "Uma coisa é respeitar, outra é mudar nossos planos e nossa essência. Não faremos isso, nem com ele, nem com qualquer outro".
Flick encarou o mesmo questionamento sobre Mbappé. "O mais importante é nos posicionarmos bem, com e sem a bola. Temos que manter a defesa compacta", afirmou o alemão que, meses atrás, definiu o astro francês como "o melhor atacante do mundo no momento, um jogador de classe mundial".
A diferença de idade entre Yamal e Mbappé — eles têm 19 e 27 anos — talvez impeça a rivalidade de ser tão longeva quanto a de Messi e Cristiano Ronaldo nos dois gigantes espanhóis.
Mas torcedores, imprensa e os próprios clubes já percebem que os dois ditarão o ritmo dos gigantes espanhóis pelos próximos anos. Uma história que começa pra valer neste domingo, num clássico que pode ter impacto decisivo na Liga Espanhola: o Barcelona tem 100% de aproveitamento em nove jogos e seis pontos de vantagem sobre o arquirrival (27 a 21).
O primeiro grande Yamal x Mbappé, na véspera de que um deles possa se consagrar com a Bola d Ouro, também pode abrir novamente a disputa pelo título; ou deixar os catalães com uma vantagem de 9 pontos, com seis meses de liga pela frente.