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Este foi o melhor Clássico-Rei na história. Quem tem mais de 40 anos provavelmente concorda. Foi o dia em que Ceará e Fortaleza empataram em 3 a 3, num domingo de manhã escaldante no estádio Presidente Vargas. Um jogaço ocorrido há exatos 25 anos. Mais um tema para o quadro Baú do Jogada.
Em 2001, o estádio Castelão estava em obras. Assim, o PV virou a casa do futebol cearense. Logo o Clássico-Rei se tornou um risco de segurança para os moradores do bairro do Benfica.
No segundo duelo da Série B daquele ano, a Polícia Militar determinou uma medida inusitada: o jogo do dia 28 de outubro precisaria ocorrer durante a manhã, a partir das 10 horas.
Naquele tempo, não havia transmissões de TV ao vivo na segunda divisão. A TV Diário, emissora do Sistema Verdes Mares, captava os jogos, e exibia um compacto à noite.
"É uma emoção diferente, porque você tinha a torcida muito em cima, e a gente narrava num tablado de madeira sem cabine e sem fone. Torcedor gritando... Você sente as emoções só depois que passa", relembra o jornalista Ivan Bezerra, que naquele dia narrou o compacto para a TV Diário.
Tempos depois esses lances foram jogados no YouTube, que só surgiu em 2005. Mas a qualidade não é lá muito boa. Então, o Baú do Jogada resolveu juntar as imagens da TV Verdes Mares com a narração da TV Diário. Ficou um espetáculo.
12min 2ºT: Gol de Finazzi
Ceará 0x1 Fortaleza
14min 2ºT: Gol de Mota
Ceará 1x1 Fortaleza
32min 2ºT: Gol de Mota
Ceará 2x1 Fortaleza
35min 2ºT: Gol de Finazzi
Ceará 2x2 Fortaleza
38min 2ºT: Gol de Reginaldo
Ceará 2x3 Fortaleza
41min 2ºT: Pênalti perdido pelo Ceará
44min 2ºT: Gol de Jairo Lenzi
Ceará 3x3 Fortaleza
49min 2ºT: Gol perdido pelo Fortaleza
Final Fortaleza 3x3 Ceará
Fortaleza e Ceará tinham boas equipes em 2001. O Leão, então bicampeão estadual e na ocasião 7º colocado na Série B, contava com o goleiro Maizena, o zagueiro Ronaldo Angelim, o lateral Reginaldo, os volantes Erandir e Dude e os atacantes Clodoaldo e Finazzi.
Já o Ceará, então 3º colocado, apesar de ter uma formação com menos talentos, possuía um belo ataque formado por Iarley e Mota, que depois despontariam nacionalmente.
O artilheiro daquela Série B, o atacante Sérgio Alves, estava suspenso, por conta de expulsão no jogo anterior, contra o Sampaio Corrêa. Foi a oportunidade para que despontasse um novato recém-chegado do Ferroviário: Mota.
"Foi o meu primeiro Clássico-Rei. Foi maravilhoso, você fazer dois gols, e eu poderia ter feito o terceiro, pois sofri o pênalti no jogo", relembra o ex-jogador, hoje com 45 anos.
Para o torcedor alvinegro que viraria ídolo do clube, o empate garantiu justiça ao placar final. "Foi o resultado mais certo para o jogo que foi".
"Foi um clássico inesquecível, né? A festa começou com os torcedores. E terminou com os jogadores fazendo a festa também dentro de campo", revive o ex-volante Dude, hoje com 51 anos.
Os jornais da época exaltaram aquela manhã de domingo.
"Se houve pusilanimidade na fase inicial, sobrou entusiasmo, garra, explosão, calor, emoção, na fase final. O melhor que se poderia oferecer ao torcedor. Quando Ceará e Fortaleza se encontram não há lua nem sol, noite ou dia, inverno ou verão: é espetáculo. Justo o empate. Aliás, não caberia outro resultado. Só a torcida ganhou. Com merecimento, diga-se", opinou Tom Barros, em sua coluna na edição do Diário do Nordeste do dia seguinte.
Naquele dia, todo mundo saiu feliz. Bem, nem todo mundo.
"Levaram meu celular. Narrando o jogo, um minuto que olhei de lado, o celular já tinha ido embora. Faz parte da situação", diverte-se Ivan Bezerra. Perdeu o celular, mas ganhou uma história pra contar.
Ceará 3x3 Fortaleza
Local: Estádio Presidente Vargas
Data: 28/10/2001
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (Fifa/RS)
Assistentes: Clemente Corpe e Fernando Antônio (CE)
Renda: R$ 171.240
Público: 18.799 pagantes
Cartões amarelos: Hilton, Wendell e Thiaguinho; Mário César, Luciano e Dude
Gols: Mota (2) e Jairo Lenzi; Finazzi (2) e Reginaldo
Ceará - Ricardo; Hilton, Alan, João Lima e Marcelo; Lopes, Garrinchinha (Jairo Lenzi), Wendell (Otoniel) e Edinho (Thiaguinho); Iarley e Mota. Técnico: Luis Carlos Cruz.
Fortaleza - Maizena; Ariomar, Mário César e Ronaldo Angelim (Luciano); Moisés (Chiquinho), Erandir, Dude, Claudinho e Reginaldo; Finazzi e Clodoaldo (Mazinho). Técnico: Ferdinando Teixeira.