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Thiago Mendes é um bom jogador. Nada muito acima da média, mas bom jogador. Só que precisa trabalhar mais o lado mental. E não falo aqui de controle emocional, porque não é o caso, pelo contrário. É sobre pensar antes de agir (lhe entendo, meu caro, tenho o mesmo problema de vez em sempre).
Por exemplo, antes de deixar de apertar a mão de Neymar em jogo contra o Santos, refletir até chegar à óbvia conclusão de que esse cumprimento trata de espírito esportivo, não de relação pessoal. E que rasgar escudo deixa de ser provocação e vira ofensa. E ofensa, no futebol, é motivação.
A conta da ação por impulso chegou, como também na ocasião em que ignorou o craque do Santos e teve de ouvir que a "soberba precede a queda". E Thiago Mendes, embora pivô do tumulto no fim do jogo do Maracanã, aturou com classe o troco na provocação dos argentinos classificados para a final da Copa Sul-Americana.
Ficou quieto, vendo os rivais aos berros à sua frente, nada fez, mas ainda assim a confusão acabou sendo inevitável. Um fim frustrante para um jogo no qual o Vasco pagou caro pelos próprios erros.
Fora do gramado, teve jogador (Leonel Flores) do Boca postando imagem rasgando escudo do Vasco, Neymar publicando camisa de Paredes, e vascaínos falando em levantar a cabeça para o próximo jogo. Não há porque baixar, mas é preciso aprender que especialmente ao competir com argentinos, o jogo mental não só faz parte como é decisivo.
O nervosismo do time da casa (já amplificado pelas brigas pelo uso do Maracanã) era nítido desde o início da partida. O gol do Boca Juniors logo no começo contribuiu para piorar esse aspecto, ainda que nada estivesse decidido. Mas o que me chamou atenção mesmo foi o segundo gol. A facilidade. Ligação direta das mais telegrafadas e a defesa do Vasco completamente surpresa com a avenida aberta.
O Vasco teve chances, voltou muito, mas muito melhor no segundo tempo. Fez um gol, um golaço do Puma, aliás, igualou no agregado, e aí tornou a apresentar problemas. Oscilou um pouco na intensidade, a ansiedade novamente entrou em campo, e a liberdade que Paredes teve para tomar uma caipirinha, ligar para a família, olhar a vista, escolher onde queria chutar e mandar beijo pro Léo Jardim antes de soltar aquele petardo todo torto que o goleiro vascaíno aceitou, foi a prova: o controle emocional que sobrou para Thiago Mendes no fim do jogo fez falta ao time em momentos decisivos da partida. A pressão para resolver nos 90 minutos se tornou desatenção fatal.
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A provocação depois da briga pelo uso do estádio também é de se esperar. Mas, se alguém disser que não foi bonito o espetáculo da torcida no Maracanã, que vá assistir campeonato de bocha.
No fim de tudo, o técnico do Boca, questionado se a atitude de Thiago Mendes serviu de motivação, confirmou que a imagem postada por ele foi enviada ao grupo, lembrada antes da partida, e encerrou o assunto no seu idioma:
— Sabemos que hay pica.