Voltar
Richarlison ironizou as fugas de Flávio Bolsonaro (PL) e do advogado Willer Tomaz do Brasil com uma publicação sobre a mansão que disputa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O atacante do Tottenham compartilhou nesta terça-feira (27/10) imagens produzidas por inteligência artificial nas quais aparece chegando de barco à propriedade e preparando um churrasco com amigos. “Então não tem ninguém na ilha, né?”, escreveu na legenda, acompanhada por um emoji sorridente. A provocação aconteceu no dia em que foi confirmada a fuga do senador para os EUA após sua derrota na eleição presidencial.
As montagens mostram Richarlison numa embarcação e em diferentes pontos da propriedade, com uma placa que identifica o local como “Ilha do Richarlison”. O jogador usou o humor para retomar uma disputa que ganhou repercussão nacional durante a campanha eleitoral, quando acusou Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de participarem de uma manobra para retirar dele a posse do imóvel.
A postagem recebeu uma resposta de Neymar, ex-companheiro de Richarlison na Seleção Brasileira e apoiador da candidatura de Flávio. “Próxima vez lê o contrato, seu moleque”, escreveu o atacante do Santos, acompanhado de emojis de risadas. O comentário reforçou as diferenças políticas entre os jogadores e acrescentou outra provocação à discussão sobre a propriedade.
O conflito começou depois que Richarlison adquiriu direitos sobre uma mansão na Ilha Comprida, em 2020. O jogador afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na compra e em melhorias no imóvel, mas perdeu a posse depois de uma disputa judicial com empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.
Segundo o atacante, Flávio demonstrou interesse em comprar a propriedade, mas ele recusou a oferta. Richarlison acusa o senador e o advogado de se articularem para assumir o controle do imóvel. “Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, declarou num vídeo publicado durante a campanha eleitoral.
A empresa de Tomaz adquiriu direitos sobre a propriedade por R$ 600 mil em 2022, valor inferior aos R$ 2,6 milhões atribuídos ao imóvel numa avaliação da Prefeitura de Angra dos Reis. O advogado afirma que pagou outros R$ 3 milhões para quitar dívidas e impostos e sustenta que sua aquisição foi regular, com escritura e registro em cartório. Também argumenta que Richarlison comprou direitos de pessoas que não poderiam vendê-los.
Richarlison divulgou mensagens trocadas com Flávio Bolsonaro nas quais cobrava uma solução para o prejuízo que afirma ter sofrido. O senador respondeu que não participou da compra nem da transferência do imóvel e mencionou um acordo envolvendo o ex-empresário do atleta, Renato Velasco, e uma empresa de Willer Tomaz.
Flávio chegou a pedir que Richarlison publicasse uma nota para afastar seu nome da controvérsia. “Estão usando o assunto contra mim, que não tenho nada a ver com isso”, escreveu. O atacante respondeu que não havia autorizado o acordo mencionado e que pretendia recuperar o dinheiro investido.
A disputa também chegou ao último debate presidencial da Globo, realizado em 23 de outubro. Lula mencionou o caso ao questionar Flávio sobre suas relações com Willer Tomaz. Antes disso, o presidente já havia publicado um vídeo em que prometia solicitar à Polícia Federal uma investigação sobre o negócio.
A PF decidiu incluir a disputa pela propriedade no inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado. A investigação também examina possíveis relações entre os dois em negócios com apostas esportivas.
A fuga de Flávio Bolsonaro foi confirmada na terça-feira pela agência Reuters, com informações de um aliado próximo do senador e de uma fonte do governo americano. O candidato derrotado havia descumprido a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes à Polícia Federal em até 24 horas e não deixar o país.
Willer Tomaz também está nos Estados Unidos. Segundo documentos da Polícia Federal divulgados pela Folha de S.Paulo, o advogado se encontra fora do Brasil desde 25 de agosto, apesar de restrições judiciais que posteriormente impediram sua saída do país. Sua situação foi mencionada pela PF como um dos elementos que demonstravam o risco de fuga de Flávio Bolsonaro.
Ao ser procurado pela coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, Willer afirmou que não mantém contato com Flávio desde domingo (25/10), dia da eleição. O ministro Alexandre de Moraes havia proibido a comunicação entre os dois. Questionado se continuava em Miami e quando pretendia voltar ao Brasil, o advogado se recusou a responder. “Não é da sua conta”, declarou.