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Análise: Flamengo caiu antes dos pênaltis em uma semifinal decepcionante

Rubro-Negro teve apenas três finalizações no alvo nos dois jogos

O Flamengo falhou nos pênaltis, mas a eliminação para o Estudiantes não pode ser explicada apenas pelos erros nas cobranças. O principal problema veio antes: foram 200 minutos de um futebol muito abaixo do que se espera de uma equipe que sonhava com mais uma final de Libertadores. O Rubro-Negro não marcou um gol nos dois jogos, produziu pouquíssimas chances e não soube aproveitar a superioridade numérica no Maracanã. A queda foi dolorosa, mas o desempenho apresentado ao longo da semifinal não fez por merecer a classificação. Faltaram capricho, qualidade técnica e respostas para superar um adversário que soube jogar o confronto.

Foram dois jogos sem marcar um gol. Na partida de ida, em La Plata, o Flamengo sequer conseguiu acertar a meta adversária. Na volta, diante de um Maracanã lotado, o cenário não foi muito diferente. Segundo dados do SofaScore, o time carioca levou 140 minutos para registrar sua primeira finalização no alvo contra os argentinos, o maior intervalo para uma equipe acertar a meta adversária em um mata-mata de Libertadores na base de dados da plataforma desde 2017.

Ao todo, foram apenas três finalizações no alvo nos dois confrontos. É muito pouco para quem tinha a obrigação de assumir o protagonismo, especialmente em casa, diante de uma torcida que fez sua parte e criou uma atmosfera digna de uma semifinal de Libertadores.

A arquibancada entregou uma noite de decisão. O campo, não.

Jogadores do Flamengo contra o Estudiantes
Jogadores do Flamengo contra o Estudiantes (Foto: Divulgação/Flamengo)

Quatro tempos de pouca inspiração

O Flamengo teve quatro tempos para mostrar que merecia estar na final. Não conseguiu. Faltou repertório para desmontar a defesa do Estudiantes, precisão no último passe e qualidade na execução das jogadas. A equipe insistiu em cruzamentos que buscavam Pedro, mas a combinação entre quem construía e quem deveria finalizar raramente funcionou.

O problema não foi apenas a falta de gols. Foi a dificuldade de produzir futebol ofensivo de maneira consistente. O time teve a bola, tentou ocupar o campo adversário, mas esbarrou em erros técnicos e decisões equivocadas no momento de transformar posse em perigo. Ter o domínio territorial não significa controlar uma partida. E o Flamengo aprendeu isso da pior maneira.

A eliminação também deixa uma pergunta incômoda: onde esteve a equipe capaz de competir em alto nível nos momentos decisivos? A Libertadores exige concentração, eficiência e capacidade de resolver jogos difíceis. O Estudiantes entendeu o confronto dentro das próprias possibilidades, defendeu com organização e aproveitou as limitações do adversário. O Flamengo, por sua vez, não encontrou respostas.

Um jogador a mais, mas nenhuma solução

O segundo tempo no Maracanã ofereceu ao Flamengo uma oportunidade de mudar a história da semifinal. O Estudiantes teve um jogador expulso aos cinco minutos da etapa final. Com superioridade numérica durante todo o restante do período, o Rubro-Negro tinha tempo e espaço para pressionar, encontrar alternativas e construir a classificação. Não conseguiu.

A equipe continuou esbarrando nos próprios erros, sem a criatividade necessária para aproveitar a vantagem. Faltou velocidade na circulação da bola, precisão nas combinações e capacidade de criar situações claras de finalização. O cenário era favorável, mas o futebol apresentado não correspondeu à importância da oportunidade.

As mudanças de Leonardo Jardim também deixam margem para questionamentos. Arrascaeta, ainda em recuperação de uma fratura no punho esquerdo, entrou aos 19 minutos do segundo tempo. O treinador só voltou a mexer na equipe aos 37', quando promoveu as entradas de Bruno Henrique, Ayrton Lucas e Plata. As alterações pouco mudaram o panorama da partida.

É evidente que nenhuma substituição garante uma classificação. Mas, diante de um adversário com um jogador a menos e de uma equipe que encontrava dificuldades para criar, a demora para buscar novas alternativas merece ser analisada. Jardim precisava encontrar soluções para um Flamengo que não conseguia transformar a superioridade numérica em oportunidades reais. É necessário arriscar mais!

Pedro não consegue sair da má fase

Outro ponto preocupante foi o desempenho de Pedro. O centroavante voltou a ficar abaixo do que se espera de um jogador de sua importância para o Flamengo. Embora tenha conseguido vencer algumas disputas de pivô, sua participação foi insuficiente para dar ao ataque a presença e a eficiência necessárias.

O momento do camisa 9 preocupa porque o Flamengo precisa de seu artilheiro justamente nas partidas em que cada oportunidade pode definir uma temporada. Pedro não conseguiu mudar o rumo do confronto, nem ser a referência ofensiva que a equipe precisava. A má fase persiste, e a semifinal expôs novamente essa dificuldade.

Não se trata de responsabilizar individualmente o centroavante por uma eliminação coletiva. O Flamengo produziu pouco como equipe. Mas também não é possível ignorar que o rendimento de Pedro ficou aquém do necessário em dois jogos decisivos.

A eliminação que escancara os problemas da temporada

A queda na Libertadores não pode ser analisada de forma isolada. O desempenho contra o Estudiantes dá ainda mais peso às dificuldades que o Flamengo vem apresentando ao longo da temporada. Uma equipe montada para disputar os principais títulos não pode passar quatro tempos sem conseguir impor seu futebol em uma semifinal continental.

A falta de efetividade ofensiva, os problemas na construção das jogadas e a dificuldade para encontrar soluções durante a partida são sinais que precisam ser enfrentados. Não faltou vontade ou entrega aos jogadores. O Flamengo tentou, insistiu e teve o apoio de uma torcida que transformou o Maracanã em um cenário de decisão. Mas raça, sozinha, não resolve jogos desse tamanho.

O Estudiantes fez o que precisava fazer. Defendeu melhor, suportou a pressão e foi eficiente na disputa que decidiu a vaga. O Flamengo, por outro lado, não fez por merecer a classificação. E reconhecer isso não diminui a grandeza do clube.

Os pênaltis podem explicar quem avançou naquela noite. Não explicam por que o Flamengo passou 200 minutos sem marcar, por que levou tanto tempo para acertar o gol adversário ou por que não conseguiu aproveitar quase todo um segundo tempo com um jogador a mais.

A eliminação não aconteceu apenas na marca da cal. Foi construída ao longo de dois jogos em que o Flamengo esteve muito abaixo do próprio potencial. Os erros nas cobranças selaram o destino rubro-negro, mas o futebol insuficiente já havia colocado a classificação em risco muito antes.

A torcida fez uma festa de Libertadores. O time não entregou uma atuação à altura dela. E é justamente essa distância entre a expectativa e a realidade que torna a eliminação tão dolorosa.

Agora, o foco é no Brasileirão. Mas com o alerta ligado!

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