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Rogério Ceni disse que Neymar "tem que se policiar" após ser expulso pela aplicação da lei "Vini Jr." no empate em 1 a 1 do Santos com o Bahia, ontem, pelo Brasileirão.
Ceni afirmou que o empurrão que recebeu de Neymar é "do jogo", mas aconselhou o camisa 10 se policiar. O treinador do Bahia disse que o meia-atacante é "o jogador mais talentoso dessa geração" e que mantém respeito e admiração pelo que ele representa no futebol.
A idade é muito diferente, quando eu jogava ele era jovem ainda. É o jogador mais talentoso dessa geração. Por mais que você seja adversário, eu tenho um respeito e uma admiração futebolística. Ele é diferente de tudo. Com relação a parte comigo, zero problema, isso é do jogo, ele defende o Santos, e eu o Bahia. [...] A parte do Nestor, ele [Nestor] deu entrevista para vocês, então fica registrado o que ele falou. Mas não tira o carinho e a admiração que eu vejo que os jovens têm com ele. É um espelho para muita gente, por isso deve ter bastantes cuidado com as ações. Sobre a parte do Nestor, não vou repetir, é algo que ele [Neymar] tem que se policiar. Rogério Ceni, em entrevista coletiva
Neymar havia sido amarelado após entrevero com Nestor no 1º tempo. O atacante santista foi advertido por jogar a bola no atleta do Bahia. No intervalo, Nestor deu entrevista ao Sportv criticando o camisa 10 do Santos e, no retorno, Neymar foi falar com o rival, tampou a boca e acabou expulso.
O atacante se manifestou nas redes sociais e acusou Rodrigo Nestor usar uma regra que tem como uma de suas sustentações a luta contra o racismo de forma oportunista. O camisa 10 também rebateu as declarações do jogador do Bahia no intervalo e afirmou que Nestor fingiu ter sido agredido
O que o Nestor fez comigo hoje eu acho que é muito sério. Sério por quê? Porque é uma lei criada contra o racismo. E ele quis se beneficiar no jogo por um ato que eu botei a mão na boca e nem cheguei a falar nada para ele. Obviamente a gente estava se xingando, trocando farpas ali, e está tudo certo, é do futebol. Só que o que ele fez é muito sério. Se é uma lei criada pelo racismo, como é que ele pode fazer essas coisas? É algo surreal, estou muito triste com o que aconteceu porque ele foi muito safado, de verdade. [...] Vi uma entrevista dele falando que eu xinguei, que ele não pode falar porque tem crianças assistindo... Mano, ele simulou!
Neymar
Nestor falou sobre o ocorrido no intervalo da partida. Ele, que optou por não detalhar o que Neymar disse, deu entrevista ao Premiere.
Foi uma falta normal de jogo. Fui dar a mão para ele e ele jogou a bola em mim. Depois, escutei uma série de coisas. Fui muito bem educado pelos meus pais e sei do lugar que vim. Nasci em Itaquera, era muito difícil chegar onde cheguei e estou orgulhoso de vestir a camisa do Bahia. Ele sabe o que falou para mim. Foi uma coisa muito desrespeitosa em relação a mim e à camisa do Bahia. Ele é um ídolo para todo mundo como jogador, mas falhou como pessoa pela forma com que falou. Prefiro não falar [o que ele disse] porque tem muita criança assistindo, e não foi algo legal Nestor, ao Premiere
Como já tinha levado o terceiro cartão amarelo no primeiro tempo e depois foi expulso direto por conta do entrevero com Nestor, Neymar desfalcará o Santos nas próximas duas rodadas do Brasileirão: no clássico contra o Palmeiras, quarta-feira (28), na Vila Belmiro, e diante do Red Bull Bragantino, no dia 2 de novembro, em Bragança Paulista.
A Lei Vini Jr. estabelece diretrizes rígidas contra discriminação e ocultação de condutas em campo.
Jogadores que cobrirem intencionalmente a boca com a mão ou a camisa durante discussões, confrontos ou provocações com adversários são punidos com expulsão.
O objetivo é impedir que atletas usem o gesto para esconder ofensas verbais, racistas, homofóbicas ou discriminatórias, facilitando a identificação e a punição de atos ilícitos pela arbitragem e pelo VAR.
A aplicação do cartão vermelho não depende de o árbitro ouvir ou não o que foi dito; o ato de cobrir a boca deliberadamente em um momento de conflito já caracteriza a infração.