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A bola sobra na entrada da área. Eduardo Pape domina no peito, deixa a bola quicar no gramado e chuta firme, de fora da área. GOOOL! A rede balança no canto direito do goleiro, e Pape marca o gol que dá início à reação e à virada do Cruzeiro sobre o Grêmio, na semifinal da Copinha, competição conquistada pelo time mineiro em janeiro deste ano. Para o jovem natural de Maravilha, agora com 17 anos, este gol tem um significado especial. Além de contribuir para a campanha do clube que defende, o lance representa a trajetória marcada por dedicação e trabalho, e ele considera importante para este ano ter chegado a primeira convocação para a Seleção Brasileira Sub-17. As conquistas de 2026 seguem marcantes: neste mês, teve seu nome incluído em uma lista do jornal britânico The Guardian, que destaca jovens talentos do futebol mundial. Na semana passada, foi convocado para integrar o elenco que disputará a Copa do Mundo Sub-17, que ocorre de 19 de novembro a 13 de dezembro, no Catar.
A história de Eduardo no futebol começou muito antes dos holofotes. As raízes estão nos campos e nas quadras de Maravilha, onde a paixão pelo esporte sempre esteve presente na família. Seu pai, Evandro Céser Pape, jogava futebol no município e passou pelos gramados ao lado de diferentes equipes locais. Eduardo cresceu acompanhando essa paixão. Sua mãe, Mari Thiago Pape, também tem uma ligação familiar com o esporte: além de gostar de futebol é sobrinha do ex-jogador profissional Marcelo Guerreiro.
Mais do que uma paixão, o futebol se tornou um compromisso para Eduardo desde cedo. Ele frequentou a pré-escola em Maravilha e, aos cinco anos, mudou-se com a família para São Miguel da Boa Vista. Entre as lembranças dessa fase está a Copa Maravilha de 2020, quando defendeu a equipe da casa na categoria Sub-11 e terminou a competição como vice-campeão.
Aos 12 anos, Eduardo passou a integrar a base do Azuriz, no Paraná. A mãe recorda que, naquele período, Luis Carlos Tremea foi uma pessoa importante, ajudando com caronas para que o jovem pudesse participar das atividades. Nos dois anos seguintes, porém, a rotina exigiu uma mudança: Eduardo precisou morar no Paraná para seguir avançando no futebol. Em 2022, destacou-se na Copa Umbro. No ano seguinte, protagonizou um lance que ganhou grande repercussão: aos 2,18 segundos de jogo, marcou um gol pela equipe Sub-14 do Azuriz contra a Chapecoense, pelo Sul-Brasileiro da categoria. “Um jogador me avisou que o goleiro estava adiantado. O juiz apitou, eu estava na bola, mas não demonstrei que iria chutar”, recorda. Ainda durante a passagem pelo Azuriz, Eduardo recebeu o convite para conhecer a Toca da Raposa, centro de treinamento do Cruzeiro, em Belo Horizonte. A viagem marcou também sua primeira experiência de avião. Depois de receber propostas de 16 clubes, optou por vestir a camisa da equipe mineira.
Atualmente, o meio-campista defende o Sub-20 do Cruzeiro e já soma conquistas importantes pelo clube. Em janeiro deste ano, participou da campanha do título da Copinha. Antes disso, foi campeão mineiro Sub-15, em 2024, e campeão mineiro Sub-20, em 2025. Neste ano, teve o contrato renovado com o clube até janeiro de 2029. Focado nos desafios da temporada, Eduardo busca seguir contribuindo com a equipe e avançando na carreira. O objetivo, porém, vai além das categorias de base: ele não esconde o desejo de chegar ao time principal do Cruzeiro.
A família unida pelo mesmo sonho
A trajetória no futebol também transformou a rotina de toda a família. Para acompanhar o desenvolvimento do filho, Mari deixou, em 2025, o cargo de professora concursada e se mudou para Belo Horizonte com Eduardo e o outro filho, Bernardo. O marido permaneceu por mais um ano em Santa Catarina, onde tinha uma empresa e precisava organizar a mudança. Assim que foi possível, também se transferiu para a capital mineira.
O futebol, no entanto, não movimenta apenas a trajetória de Eduardo. Bernardo, 13 anos, também vem se destacando em equipes mineiras e há pouco mais de um ano foi chamado para integrar a base do Cruzeiro. “Feliz por ser inspiração para o meu irmão”, declara Eduardo.
Assim, a família Pape passou a compartilhar de perto os desafios e as conquistas dos dois jovens atletas, em uma rotina que envolve treinos, competições, viagens e estudos.
O primeiro gol com a Seleção Brasileira
A primeira convocação de Eduardo para a Seleção Brasileira Sub-17 ocorreu para amistosos contra a Colômbia. Depois, veio o Sul-Americano da categoria, competição em que o meio-campista se destacou como artilheiro e capitão da campanha brasileira, que terminou com o terceiro lugar. Foi também no torneio que marcou seu primeiro gol com a camisa da Seleção. Na partida contra a Bolívia, pela fase de grupos, em uma cobrança de escanteio onde a bola viajou para a segunda trave mas acabou sobrando no primeiro pau, e Eduardo Pape apareceu para completar para o gol. Um momento que, para ele, ficará marcado na memória.
Agora, se prepara para a Copa do Mundo Sub-17: “Estou me preparando para chegar bem fisicamente. É uma competição muito importante para a minha carreira”, afirma.
O desempenho de Eduardo também começa a despertar atenção fora do Brasil. Teve seu nome citado na lista do The Guardian, que reúne 60 jovens talentos do futebol mundial. O brasileiro foi comparado ao ex-jogador do Barcelona Sergio Busquets. Eduardo concorda parcialmente com a comparação. Para ele, a semelhança está na tranquilidade em campo e no porte físico. Sua atuação, porém, acontece em uma posição um pouco mais avançada. O jovem conta que gosta de jogar como segundo volante, aproveitando a velocidade e a chegada ao ataque para criar oportunidades e marcar gols. É admirador de Busquets e também de Kevin De Bruyne, do SCC Napoli, e Jude Bellingham, do Real Madrid.
Em setembro, Eduardo Pape também disputou a Taça Amizade da UEFA com a Seleção Brasileira. De acordo com o jornal alemão TZ, o Bayern de Munique estaria observando o jogador, mais um indício do interesse internacional em seu futebol.
Apesar da crescente visibilidade, Eduardo mantém os pés no chão e atribui os resultados à dedicação diária. “Eu gosto de jogar futebol. Sou um cara humilde e entro em campo com tranquilidade. Sempre tento ajudar minha equipe. É consequência do trabalho no dia a dia”, afirma.
A mãe, Mari, acompanha de perto a rotina intensa do filho, marcada por treinos, competições, viagens e pela necessidade de conciliar o futebol com os estudos. Ela destaca a maturidade de Eduardo diante das responsabilidades e dos desafios da carreira. Entre conquistas, mudanças e novos horizontes, a família se orgulha de acompanhar de perto os sonhos dos filhos. Mesmo com a mudança para Belo Horizonte, mantém vivos os laços com Maravilha e com as amizades do Oeste catarinense: raízes que seguem presentes na história de um jovem que, passo a passo, amplia seu espaço no futebol.