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O Flamengo tem uma virtude: funciona sob pressão. O líder do Campeonato Brasileiro pisou no gramado da Arena Fonte obrigado a vencer para recuperar o primeiro lugar. O Palmeiras havia vencido o Athletico-PR na véspera por 2 x 0 e dormido dois pontos à frente. Qual foi a resposta do time de Leonardo Jardim? Imposição do início ao fim contra o Bahia.
Não é fácil ostentar 63% de posse de bola em Salvador. O Flamengo foi linear na casa do adversário. Baixou as linhas poucas vezes no duelo para recuperar o fôlego e rapidamente retomava as rédeas da partida com inteligência — e muita qualidade até no improviso.
Carrascal fez ótima partida na função do lesionado Arrascaeta. Fez o papel de armador centralizado no 4-2-3-1 da posse de bola: Plata aberto na direita, Carrascal por dentro e Samuel Lino espetado na esquerda. A volta de Jorginho ao lado de Pulgar esclareceu por que o Flamengo teve tanta dificuldade no empate por 0 x 0 contra o Estudiantes. Mais do que o metrônomo do meio de campo, o ítalo-brasileiro é garantia de gol de pênalti.
A cobrança perfeita implodiu a muralha Ronaldo. O goleiro havia fechado a meta para Pedro, Carrascal e Pulgar em finalizações importantes no primeiro tempo. Empilhava defesas relevantes até perder o duelo à parte com Jorginho na etapa final.
O posicionamento do Flamengo apresentava uma variável importante com a bola. Pulgar descia para formar uma trinca de defensores com Léo Ortiz e Léo Pereira. Jorginho ganhava a companhia de um dos laterais por dentro.
Quando Varela centralizava, Emerson Royal avançava. Quando Royal baixava, Varela apoiava com mais liberdade para agredir o adversário no sistema 3-2-5. Plata, Carrascal, Pedro e Samuel Lino ganhavam a companhia de um dos laterais. O terceiro é resultado de uma assistência de Varela para o Lucas Paquetá balançar a rede na trama pela direita. Quando os dois laterais alinhavam com Jorginho, o Flamengo se organizava no 3-3-3-1.
Improvisado na esquerda devido à fadiga muscular de Alex Sandro, Emerson Royal voltou à temporada de 2023/2024. À época, ele colaborou com o técnico australiano Ange Postecoglu justamente na lateral esquerda em jogos grandes contra o Chelsea e o Liverpool, por exemplo. Foram sete partidas nessa posição naquela temporada.
O Flamengo funcionou sob pressão contra o Bahia. O próximo teste é diante do Estudiantes na quinta-feira. A vitória em Salvador deixa recado para a partida decisiva no Rio. Alguém precisa puxar o frio de mão de Rossi e enquadrá-lo sobre os erros recorrentes na saída de bola. Pulgar fica pendurada por culpa de uma péssima decisão do goleiro. O outro alerta é justamente o excesso de cartões. O Flamengo tem várias bombas-relógio. Pulgar, Paquetá, Plata, Carrascal estão deixam o time quase sempre no limite. Incluo Jorginho no pacote, expulso duas vezes neste ano.