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O governo da China afirmou nesta quarta-feira (28) que leva "a sério" os pedidos de desculpas apresentados pelo jogador Kylian Mbappé por seus comentários sobre o ex-líder Mao Tsé-tung, que provocaram a perda de vários contratos publicitários no país asiático.
O astro francês do futebol se desculpou, na terça-feira (27), por ter afirmado que o meme mais engraçado que viu na internet é aquele em que seu rosto aparece sobreposto ao corpo de "um cara qualquer", que ele acredita que era "um ditador chinês", em uma aparente referência a Mao.
"Peço desculpas a todas e todos que tenham se sentido ofendidos por minhas palavras. Não era absolutamente minha intenção. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história, estou sinceramente arrependido", declarou o jogador na terça-feira em um comunicado em francês, inglês e mandarim.
"Levamos a sério as desculpas apresentadas pela pessoa em questão", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva.
Ironizar Mao continua sendo um tabu, meio século após a morte do líder histórico, motivo pelo qual várias marcas chinesas deixaram de patrocinar o atacante francês e a televisão estatal suspendeu as transmissões do Campeonato Espanhol.
O Real Madrid, clube de Mbappé, pediu desculpas nesta quarta-feira (28). "O Real Madrid deseja expressar suas desculpas ao povo chinês pelo mal-estar que as recentes palavras de nosso jogador Kylian Mbappé possam ter provocado, afirmou o clube em um comunicado.
LaLiga, o campeonato espanhol de futebol, lamentou na terça-feira o comentário de Mbappé e pediu desculpas a "todos aqueles que tenham se sentido ofendidos".
O vídeo que registrou a brincadeira de Mbappé não podia ser compartilhado ou foi apagado das redes sociais chinesas, que operam sob rígido controle, enquanto a imprensa estatal omitiu qualquer referência a Mao. Os meios de comunicação do país afirmam que o jogador fez "comentários inadequados sobre a China".
O atleta, no entanto, é alvo de uma avalanche de críticas. "Os comentários foram ofensivos para a China e para o povo chinês, por isso não podem ser traduzidos", escreveu uma pessoa na plataforma Weibo.
A rede social Xiaohongshu, também conhecida como RedNote ou o Instagram chinês, suspendeu a conta de Mbappé, onde ele tem mais de um milhão de seguidores. O mesmo aconteceu no Weibo, em que um aviso indica que "o usuário foi bloqueado por violar as leis ou o Acordo da Comunidade do Weibo".
Informações da imprensa chinesa indicam que marcas globais como Dior e Hublot removeram seu conteúdo relacionado a Mbappé no Weibo.
Uma busca da AFP nos perfis das duas marcas de luxo na plataforma, usando o nome chinês de Mbappé, não apresentou resultados.
Além disso, quando a AFP visitou a principal loja da Adidas no distrito comercial de Sanlitun, em Pequim, havia uniformes do Real Madrid à venda, mas nenhum com o nome do astro francês.
Os produtos de Mbappé, incluindo camisas não oficiais e bonés, continuam disponíveis no gigante do comércio eletrônico Taobao.
A imprensa estatal chinesa elogiava Mbappé como uma "sensação do futebol" e um "talento", muito admirado pelos torcedores do país. Seu rosto aparece em outdoors, em bebidas com eletrólitos e em todas as redes sociais.
Mbappé também é carinhosamente conhecido como "Guigui", que significa "tartaruga" em mandarim, por ser considerado parecido com um personagem do desenho "As Tartarugas Ninja".