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O Inter está vivendo uma fase delicada. Em 17º lugar no Campeonato Brasileiro, está dentro da zona de rebaixamento e, mesmo apresentando melhora dentro de campo, ainda não conseguiu deixar o grupo dos quatro últimos.
A troca de treinador, com a saída de Paulo Pezzolano e a chegada de Eduardo Baptista, ajudou o clube a retomar o caminho das vitórias. Mesmo assim, não foi o suficiente para subir na tabela.
Os motivos para a má fase são diversos. Crise institucional, contratações ineficazes, sucateamento das categorias de base, erros defensivos e problemas ofensivos são alguns dos fatores que estão acontecendo e que muito caracterizam uma "cartilha do rebaixamento".
Por conta disso, convidamos os colunistas de Zero Hora para opinar sobre o que compõe uma cartilha de rebaixamento, se o Inter a está seguindo e quais as semelhanças com o outro rebaixamento.
Na cartilha de rebaixamento, acredito que fazem parte os seguintes fatores: elenco mal montado — com poucas opções —, atraso de salários, vestiário rachado e poucos líderes.
O Inter tem elenco pior que o do ano passado (perdeu peças importantes e fez contratações péssimas), atrasou salários por um bom tempo e não tem lideranças fortes. Vestiário rachado não há por enquanto, ao que se saiba. De positivo, só o lado físico, que parece em dia, com uma competição apenas.
As semelhanças que vejo com 2016 são: o elenco fraco, mal montado e salários atrasados por um período na competição, sem falar nas contratações caras e erradas. Exemplos: Ariel (2016) e Sanabria (2026).
Os fatores de uma cartilha de rebaixamento, principalmente, é quando se monta um elenco descompensado. Um elenco onde não se tem opções. Se perde um jogador por cartão, por lesão, tem que ficar improvisando, por não ter reservas na posição em que isso acontece.
O Inter perdeu uma grande chance, através do Campeonato Gaúcho, que começou cedo, de dar minutagem para entender os jogadores que estavam subindo da base. Eu vou te dar exemplos, tá? João Kempes, que jogou poucos minutos, o próprio Kauan Jesus, que o primeiro minuto dele como profissional foi numa fogueira. Deveriam entender que Gustavo Prado e João Vitor são jogadores que entregariam muito mais do que o Eliasson, por exemplo. São jogadores que tu já tinha na casa. Isso seria uma economia gigante. Não precisar trazer um jogador que vem da Europa, ganhando muito mais que eles e que entrega menos que eles.
Em 2016, o Colorado também tinha um elenco de baixa qualidade e também tinha um elenco onde as opções que vinham do banco não resolviam. E, além disso tudo, o Internacional desperdiçava pontos importantes como desperdiçou em alguns jogos nesse Campeonato Brasileiro. Acho que essas são as principais semelhanças.
Brigas internas, desentendimentos entre jogadores, atrasos salariais, perda de confiança nos dirigentes, trocas sucessivas de técnico, conflitos no ambiente político, escândalos envolvendo jogadores e membros da comissão técnica, desequilíbrio emocional de atletas, grupo mal formatado. Tudo isso caracteriza uma cartilha do rebaixamento.
O Inter teve atrasos em alguns pagamentos, mas não creio que isso tenha sido decisivo para o time perder rendimento. A troca de técnico sim. Houve, e há um grupo muito mal formatado.
Até este momento, não vejo muitas semelhanças com a outra queda a não ser a qualidade técnica do time, com jogadores insuficientes em algumas posições e poucas peças de reposição. Esta é uma discussão interessante sobre qual grupo era melhor, este ou de 10 anos atrás? Mesmo com nomes mais badalados, como Alex e Anderson, ainda assim vejo aquele grupo com mais deficiências. O ponto central da queda em 2016 foi a grande fissura no vestiário deixada por Carlos Pellegrini e assinada por Vitorio Piffero.