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Agência da CBF: 12 clubes da Série A têm atrasos de pagamentos. Veja quais
Reunião da CBF com os clubes sobre a liga única
Reunião da CBF com os clubes sobre a liga única Imagem: Rafael Ribeiro / CBF

Endividados, 12 clubes da Série A tiveram algum tipo de atraso de pagamento comprovado diante da agência da CBF que controla os requisitos do fair play financeiro.

Quatro deles — Grêmio, São Paulo, Atlético-MG e Internacional — receberam punições mais graves: levarão transfer ban, caso não quitem dentro de um prazo de 45 dias as dívidas contraídas já em 2026.

Outros clubes foram advertidos: Corinthians, Botafogo, Vitória, Santos, Remo e Vasco.

O Athletico-PR e o Coritiba foram julgados, mas sem nova sanção, apesar de terem dívidas em aberto na data de corte considerada pela a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf): 30 de junho de 2026.

Esse procedimento é para verificar quais clubes estão sem pagar dívidas contraídos ainda neste ano. Os clubes precisam informar com periodicidade à agência como está a situação de pagamentos com outros clubes, jogadores, comissões técnicas e também os com autoridades públicas.

A agência avaliou as declarações, fez cruzamento com comprovantes de pagamento, parcelamentos apresentados e outras medidas para checar a data de origem e a situação das dívidas — se eram já do ano corrente ou não, por exemplo.

Os casos mais graves

São Paulo

Mostrou que as dívidas com o Ceará e o Red Bull Bragantino vinham de contratos de 2025. Por isso, elas passaram para o grupo das dívidas anteriores a 2026. O clube comprovou também que pagou uma dívida com a Lazio, mas depois da data de corte. Ficou em aberto uma dívida de 2026 com o Esporte Clube São José.

A agência aplicou advertência pública, que abrange também o atraso com a Lazio, e deu 45 dias para o pagamento ao São José. Se o clube não pagar, ficará proibido de registrar novos atletas (transfer ban). O São Paulo ainda foi advertido porque deixou de declarar uma dívida com o Novorizontino — que já virou alvo de processo na própria agência.

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Atlético-MG

Tem dívidas de 2026 em aberto com Bahia e Santos. Por isso, levou advertência e a ameaça de transfer ban. Tinha tributos de dezembro de 2025, vencidos em janeiro. Eles passaram para o grupo das dívidas anteriores a 2026.

Grêmio

Declarou pagamentos em atraso com outros clubes, do Brasil e do exterior, com um atleta e com autoridades públicas. Para as dívidas de 2026 ainda em aberto, levou advertência pública. O Grêmio tem 45 dias para pagar o Capivariano e o Votuporanguense. Se não pagar, leva transfer ban. Tem também 15 dias úteis para pagar o atleta; se não pagar, terá de pagar multa de R$ 100 mil. Pelos tributos de 2026, ganhou advertência.

Internacional

Tem 45 dias para pagar Athletico-PR e o Juazeiro Empreendimentos Esportivos. Senão, leva transfer ban. Há uma dívida com um jogador -- se não pagar, terá de pagar multa de R$ 100 mil. Pelas dívidas de 2026 com clubes estrangeiros e com autoridades públicas, a Turma aplicou advertência pública e recomendou a
regularização até 31 de outubro.

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A situação dos outros clubes

Corinthians - Declarou pagamentos em atraso com outros clubes, com atletas e com autoridades públicas. Advertido por tributos de 2026 em atraso.

Botafogo - Declarou atraso com atletas e com autoridades públicas. A maior parte era dívida federal de 2026, que o clube tenta resolver por meio de transação tributária ainda em análise na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Foi advertido por causa da falta de pagamento de tributos.

Vitória - Declarou pagamentos em atraso com outros clubes, com atletas e com autoridades públicas. Foi advertido.

Santos - Declarou pagamentos em atraso com atletas, comissão técnica e empregados e com autoridades públicas (FGTS). Parte dessas dívidas era de 2026: direitos de imagem e FGTS. O clube quitou todas elas depois da data de corte (30 junho): os direitos de imagem entre 24 e 26 de agosto e o FGTS em 10 de setembro, já após a notificação da Agência. Em agosto, pagou também 11 dívidas anteriores a 2026. Os pagamentos contaram a favor do clube, mas não afastaram o atraso que existia em 30 de junho. Por isso, levou advertência.

O clube ainda tem dívidas em atraso com atletas e empregados (anteriores a 2026). Parte desse saldo está coberta pelos acordos com dois atletas, parte está em discussão na CNRD e o restante segue sem nenhuma providência. Todo o saldo deve ser regularizado até 30 de novembro.

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Remo - Declarou tributos federais de 2026 vencidos e não pagos. Na defesa, informou que pretende incluí-los em uma transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), mas não comprovou a adesão. Como a intenção de negociar não basta, levou advertência.

Vasco - Declarou não ter dívidas em atraso com autoridades públicas. Mas o relatório fiscal que o próprio clube anexou mostrava tributos federais vencidos e não pagos em 30 de junho, tanto anteriores a 2026 quanto de 2026. Na defesa, o clube atribuiu a diferença a uma falha interna de comunicação e mostrou que parcelou os débitos depois. Levou advertência pública para toda essa dívida. Dívidas com clubes e atletas entraram no bojo da recuperação judicial.

Sem sanções

Coritiba - Declarou tributos federais de 2026 vencidos e não pagos em 30 de junho. Em agosto, incluiu essas dívidas em transação e parcelamento com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e, em setembro, obteve certidão de regularidade fiscal. A agência confirmou o atraso, porque a regularização veio depois da data de verificação. Mas o Coxa não recebeu sanção.

Athletico-PR - A análise foi de uma dívida com o Vasco, que já tinha sido julgada na janela anterior. O clube alegou que poderia compensar a dívida com um valor que o Vasco deve, mas essa compensação não foi feita, por isso, a dívida não está resolvida. De todo modo, não levou sanção. Essa dívida com o Vasco deve ser regularizada até 30 de novembro.

O que a agência fez com as dívidas

Sobre as obrigações assumidas antes de 1º de janeiro de 2026: "Ainda estão no período de transição, que vai até 30 de novembro de 2026. Nesse período, o descumprimento do requisito de solvência só pode ser punido com advertência. Por isso, os clubes com passivo desse tipo em atraso na data de corte receberam advertência pública, em regra com recomendação de regularizar esses débitos até 30 de novembro de 2026 e comprovar a regularização na janela de verificação dessa data. A advertência não dispensa o pagamento", informou a agência.

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Para as obrigações assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026: "Não há período de transição: perante clubes nacionais, as Turmas fixaram prazo de 45 dias para pagamento ou acordo escrito, sob pena de proibição de registro de novos atletas (transfer ban). Perante atletas e comissão técnica, fixaram prazos curtos, sob pena de multa pecuniária. Para os débitos tributários de 2026, aplicaram, em regra, advertência e recomendaram a regularização até 31 de outubro de 2026, com comprovação na janela de 30 de novembro de 2026".