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De volta às origens, Paquetá e Bernard vivem momentos distintos antes de Flamengo x Atlético-MG

Revelados pelos clubes, meias retornaram ao Brasil após passagem pela Europa, mas vivem momentos diferentes

O reencontro entre Flamengo e Atlético-MG, na segunda-feira (26), coloca frente a frente dois jogadores que carregam histórias parecidas, mas chegam ao confronto em momentos distintos. Revelados pelos clubes que hoje defendem, Lucas Paquetá e Bernard construíram carreiras no futebol internacional, vestiram a camisa da Seleção Brasileira e decidiram voltar para casa. Em 2026, porém, o cenário de cada um é diferente: enquanto o atleticano recuperou o protagonismo e se tornou uma das principais referências da equipe, o meia rubro-negro ainda tenta corresponder plenamente às expectativas criadas por seu retorno.

A comparação ganha força justamente pelo significado que os dois têm para suas torcidas. Paquetá voltou ao Flamengo em janeiro de 2026, oito anos depois de deixar a Gávea, como a contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Bernard retornou ao Atlético-MG em 2024, depois de 11 anos no exterior, com a história de quem já havia conquistado a América pelo clube. São trajetórias que se cruzam na origem, mas que, neste momento, apresentam diferenças importantes.

Paquetá tem números fortes, mas a cobrança é diferente

Lucas Paquetá voltou ao Flamengo aos 29 anos, depois de construir uma trajetória pelo futebol europeu e defender a Seleção. A contratação histórica elevou a expectativa sobre o meia, que chegou com a missão de assumir o protagonismo em um elenco que disputa os principais títulos da temporada.

Em 2026, o camisa 11 soma 40 partidas pelo Rubro-Negro, sendo 26 como titular, com 13 gols e uma assistência. Sua média é de uma participação direta em gol a cada 175 minutos, índice superior ao de Bernard, que precisa de 218 minutos para alcançar a mesma marca.

Paquetá bate no peito ao abrir o placar para o Flamengo contra o Corinthias
Paquetá comemora gol do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo/Divulgação)

O meia também finaliza mais: são duas tentativas por partida, contra uma do adversário atleticano. Paquetá tem ainda maior eficiência nos dribles, com 61% de acerto, e nos duelos, nos quais registra 57% de aproveitamento, diante de 41% de Bernard. Os dados indicam um jogador que consegue produzir em diferentes situações ofensivas e que também tem capacidade para ganhar disputas individuais.

Há, portanto, uma ressalva importante: os números não sustentam a ideia de que Bernard esteja necessariamente à frente de Paquetá em desempenho estatístico. O meia do Flamengo tem mais gols e melhor frequência de participação direta em tentos. A diferença está no contexto e na percepção de protagonismo dentro de cada equipe.

Paquetá ainda convive com a cobrança proporcional ao investimento e à expectativa que acompanhou sua volta. A transferência custou cerca de 42 milhões de euros, aproximadamente R$ 260 milhões na negociação anunciada em janeiro, e transformou o retorno do cria da Gávea em um movimento histórico para o clube.

A expectativa é compreensível. Paquetá deixou o clube jovem, construiu uma trajetória por Milan, Lyon e West Ham e voltou com experiência internacional. O torcedor esperava encontrar um jogador capaz de assumir o protagonismo e elevar o nível do time. Embora os gols mostrem sua capacidade de decisão, ainda existe espaço para que ele se consolide como a referência que o investimento sugere.

Bernard reencontra o protagonismo no Atlético-MG

Do outro lado, Bernard vive o principal momento desde seu retorno ao futebol brasileiro. O meia-atacante soma 49 partidas pelo Atlético-MG, 38 delas como titular, com dez gols e três assistências. É o artilheiro da equipe na temporada, empatado com Reinier, e voltou a ter uma participação decisiva no funcionamento do time.

O crescimento não aconteceu de maneira automática. Desde que retornou ao Galo, o jogador teve dificuldades para se firmar e encontrar uma sequência consistente com os treinadores anteriores. A mudança de cenário veio com a oportunidade de atuar na posição em que se sente mais confortável: pelo lado esquerdo, como ponta.

Bernard celebra gol contra o Bragantino (Foto: Pedro Souza / Atlético)
Bernard celebra gol contra o Bragantino (Foto: Pedro Souza / Atlético)

A adaptação ao modelo de jogo de Eduardo Domínguez ajudou Bernard a recuperar características importantes de seu futebol. Com mais liberdade para atuar em sua faixa preferida, ele passou a participar mais das ações ofensivas, encontrar espaços e transformar essa presença em gols e assistências. O resultado é uma sequência que devolveu confiança ao jogador e o colocou entre as principais peças do elenco.

Os números ajudam a dimensionar a importância do camisa 11. Além dos dez gols e das três assistências, Bernard criou dez grandes chances e registra 1,4 passe decisivo por partida. É um jogador que não se limita à conclusão das jogadas: também participa da construção e ajuda a criar oportunidades para os companheiros.

Sua influência, contudo, não se restringe ao desempenho técnico. Um dos capitães do Atlético-MG, o meia-atacante exerce papel de liderança dentro de campo, orienta os companheiros e mantém diálogo constante com a comissão técnica. A confiança construída com Domínguez também ajuda a explicar por que ele se tornou uma peça importante para a equipe.

Da Seleção Brasileira ao desafio de liderar os clubes

Os dois também compartilham a experiência de defender o Brasil em Copas do Mundo. Bernard disputou o Mundial de 2014, em casa, aos 21 anos, e entrou em campo em três partidas. Paquetá participou das Copas de 2022 e 2026, embora uma lesão na coxa tenha interrompido sua participação no último torneio depois de quatro jogos.

Bernard durante a Copa do Mundo de 2014
Bernard durante a Copa do Mundo de 2014 Foto: Yuri Cortez/AFP)

A experiência internacional aproxima os dois, mas não elimina a diferença entre os momentos atuais. Bernard, aos 34 anos, encontrou, no retorno ao clube formador, uma oportunidade de recuperar o melhor futebol e assumir uma função de liderança. Paquetá, aos 29, voltou ao Flamengo com a expectativa de ser uma das grandes referências técnicas de um elenco que disputa títulos importantes.

O duelo de segunda-feira será, assim, uma oportunidade para observar dois caminhos distintos de reencontro com as próprias origens. Paquetá tem números ofensivos expressivos, mas ainda precisa transformar sua produção em uma presença mais constante de protagonista. Bernard chega com a confiança de quem encontrou seu espaço e se tornou peça fundamental para o treinador.

Para o Flamengo, Paquetá é um investimento esportivo de enorme peso, cuja capacidade de decidir partidas precisa aparecer com regularidade. Para o Atlético-MG, Bernard representa uma peça consolidada em um projeto que busca subir na tabela e se aproximar do pelotão de cima.

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