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A missão era contratar um goleiro nascido em 2006. O alvo do Inter acertou com outro clube. Então o scout colorado recebeu uma dica de um olheiro amigo.
— Fica de olho naquele goleiro ali.
Aquele goleiro ali era Kauan Jesus, nascido em 2003. Então Integrante do Centro de Análise e Prospecção de Atletas (CAPA), Matheus Rosa anotou o nome e colocou os olhos no goleiro. O ano era 2023, e a Copa São Paulo estava prestes a começar.
Não precisou olhar muito longe. O Ska Brasil cruzou o caminho do Inter durante o torneio. No gol do clube paulista, Kauan Jesus defendeu três pênaltis, mas não evitou a classificação colorada. A indicação foi levada adiante. Os trâmites internos foram percorridos, e Matheus recebeu o sinal verde para entrar em contato com o goleiro.
— É um goleiro técnico, arrojado. Tem a mente aberta, não é ansioso. Não defende de maneira intuitiva. Goleiro matura mais tarde, quando surgiu a chance de jogar foi bem — destaca.
O jogo contra o Mirassol foi a estreia profissional de Kauan. A primeira vez em que suas defesas chamaram atenção foi quando defendia a seleção de Santana de Parnaíba, cidade vizinha de Cajamar, onde ele morava.
Quando o Ska Brasil abriu suas portas, usou como fonte jogadores do selecionado local. Em um primeiro momento, Kauan não teve muito espaço.
Até Wellington Robson ligar para o amigo Edmilson, campeão do mundo pelo Brasil e presidente do Ska à época. Precisava de jogadores para o Tanabi, equipe de origem do ex-gremista Luan. Foram cedidos o goleiro e um centroavante para a disputa da chamada “Bezinha”, a quinta divisão paulista em 2021.
— Baita profissional. Apesar da idade jovem, era bom de grupo. Bom trabalho com os pés. Profissional de excelência, bom comportamento. Era fácil de lidar. Demonstrou ter boa agilidade, tem um futuro brilhante — avalia Wellington, hoje auxiliar do Vila Nova, líder da Série B.
No retorno ao Ska, as oportunidades surgiram para Kauan. Até brilhar naquela Copa São Paulo.
— Sempre foi visto por saber jogar bem com os dois pés. É um líder. Muito competitivo, concentrado, responsável. O Inter tem uma escola de goleiros. Ele devia estar esperando a chance. Tem um futuro promissor. Se mantiver a calma, ele pode trilhar, não na mesma proporção, os passos do Alisson, trilhar o caminho da Europa — observa Fabrício Santos, supervisor de futebol do Ska.
Após a partida pela Copa São Paulo, Kauan se juntou a uma peculiar lista de contratações coloradas, formada por jogadores com origem em equipes derrotadas pelo Inter.
Casos do zagueiro Lúcio, descoberto após goleada de 7 a 0 sobre o Guará, pela Copa do Brasil de 1997, e do zagueiro Rodrigo Moledo, chamado então de Rodrigão, quando defendia o União Rondonópolis, adversário colorado na Copa do Brasil de 2009.