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Evaristo de Macedo revela torcida pelo Barcelona antes do El Clásico e relembra trajetória nos dois rivais

Lance! visitou a casa do ex-atacante, que relembrou a passagem pelos dois clubes e deu seu palpite para o clássico deste domingo (25)

"Eu torço pelo Barcelona." A resposta de Evaristo de Macedo ao Lance! não deixa dúvidas sobre o lado para o qual vai sua torcida no El Clásico deste domingo (25), entre Barcelona e Real Madrid, pela 10ª rodada do Campeonato Espanhol, às 17h (de Brasília).

Aos 93 anos, o ex-atacante viveu a rivalidade com as camisas dos dois clubes. Defendeu o Barcelona entre 1957 e 1962 e, depois, vestiu a camisa do Real Madrid. Apesar da passagem pelo maior rival, é pelo clube catalão que mantém maior carinho. Evaristo viveu os anos mais marcantes de sua carreira na Espanha, no clube blaugrana, e, como torcedor, já tem um palpite para o clássico:

— Uns 2 a 0 tá bom — disse, sorrindo.

A ligação com o Barcelona também passa pelo Camp Nou, palco do confronto deste domingo (25). Evaristo defendia o clube quando o estádio foi inaugurado, em 24 de setembro de 1957, e esteve em campo na abertura. Quase sete décadas depois, guarda em casa lembranças daquela época, incluindo um livro sobre a inauguração e um card com os jogadores que participaram do evento.

Mesmo depois de defender o Real Madrid, Evaristo manteve a preferência pelo Barcelona. Hoje, acompanha o futebol com menos frequência e costuma assistir às partidas pela televisão. Ao recordar os anos na Espanha, destaca não apenas a experiência profissional, mas também a vida na cidade catalã.

— Se você me perguntar onde eu gostava de jogar, era no Barcelona. E de morar também, de viver — contou ao Lance!.

Evaristo Macedo El Clásico: Real Madrid x Barça com bolas oficiais ao lado.
Bolas em homenagem a Real Madrid e Barcelona; equipes se enfrentam neste domingo no El Clasico (Foto: Nathália Gomes/Lance!)

Do Flamengo ao Barcelona: uma mudança que marcou época

A história de Evaristo de Macedo com o futebol espanhol começou depois de sua passagem pelo Flamengo. Com o contrato encerrado no clube carioca, o atacante recebeu uma visita inesperada em casa: a de um ex-jogador do Barcelona que, na época, trabalhava como dirigente da equipe catalã. Foi ele quem apresentou a proposta de contratação.

Naquele momento, jogar na Europa ainda era uma oportunidade pouco comum para os brasileiros. Evaristo aceitou o convite e partiu para a Espanha, onde viveria um dos períodos mais importantes de sua carreira.

— Eu jogava no Flamengo. Tinha terminado o meu contrato e o Barcelona veio. Um ex-jogador do Barcelona era dirigente do clube ainda, e ele é que me levou. Eu fui porque, na realidade, ir jogar naqueles clubes, como ainda é hoje, era bom para nós, para o profissional — explicou.

A mudança representou um novo patamar na trajetória do atacante. No Barcelona, Evaristo foi titular e se consolidou como goleador ao longo de aproximadamente cinco anos. O desempenho o colocou entre os protagonistas de uma das vitórias mais importantes do clube sobre o Real Madrid: a classificação para as quartas de final da Copa da Europa de 1960/61, competição que deu origem à atual Champions League.

Cinco jogadores do Barcelona em uniforme listrado azul e grená, posando com bola no campo.
Jogadores do Barcelona antes de duelo (Foto: Acervo Pessoal)

Em março de 1961, no jogo de volta das oitavas de final, o brasileiro marcou de cabeça, em um movimento conhecido como peixinho, o gol que garantiu a vitória do Barcelona por 2 a 1. Com o resultado, a equipe catalã avançou com um placar agregado de 4 a 3 e eliminou o maior rival, que havia conquistado as cinco primeiras edições do torneio e contava com estrelas como Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás.

A eliminação entrou para a história da competição por representar a primeira queda do Real Madrid em um confronto eliminatório da Copa da Europa. O gol de Evaristo ficou registrado em uma fotografia que se tornou uma das imagens mais emblemáticas do El Clásico.

A identificação com o Barcelona, porém, não se limitava aos gols e às vitórias. Ao recordar aqueles anos, o ex-atacante destacou a proximidade entre os jogadores e o ambiente que encontrou no elenco, uma das razões pelas quais guarda lembranças tão positivas da passagem pela equipe.

— Nós, jogadores do Barcelona, éramos muito ligados uns com os outros. Muito mais do que no Real Madrid. No Real Madrid tinha os "cracões" que não davam muita importância aos jogadores menores. Barcelona não, Barcelona era uma família — relembrou.

Camp Nou: da inauguração às lembranças guardadas em casa

O Camp Nou, palco do El Clásico deste domingo (25), também faz parte da trajetória de Evaristo de Macedo. O ex-atacante defendia o Barcelona quando o estádio foi inaugurado, em 24 de setembro de 1957. Quase 70 anos depois, o local passa por uma ampla reforma e voltou a receber partidas em novembro de 2025, ainda com as obras em andamento.

— Eu joguei na inauguração do Camp Nou — recordou Evaristo. Sobre a experiência de atuar no estádio, resumiu: — Era bom, eu gostava.

Mão segurando cartão com o escudo do FC Barcelona e texto de inauguração do Camp Nou, 24 septiembre 1957.
Livro de inauguração do Camp Nou com detalhes do estádio e card com jogadores que jogaram a primeira partida no estádio do Barcelona (Foto: Nathália Gomes/Lance!)

O ex-atacante chegou a ser convidado para a reabertura do estádio, em novembro de 2025, mas não compareceu. Em casa, mantém objetos relacionados à passagem pelo Barcelona, entre eles um livro sobre a inauguração, um card com os jogadores que participaram do evento, carteirinhas de atleta dos períodos em Barcelona e Real Madrid e uma bola comemorativa da época da inauguração do Camp Nou.

Bola de futebol marrom com gravações: BARCELONA e INAUGURACIÓN CAMP NOU.
Bola usada na inauguração do Camp Nou, em 24 de setembro de 1957 (Foto: Nathália Gomes/Lance!)

Atualmente, Evaristo acompanha os jogos pela televisão e pretende assistir ao clássico deste domingo (25), no estádio onde atuou por cerca de cinco anos antes de se transferir para o Real Madrid.

A saída do Barcelona e a chegada ao Real Madrid

Em 1962, Evaristo de Macedo trocou o Barcelona pelo Real Madrid e passou a defender o principal rival do clube onde havia vivido os anos mais marcantes de sua carreira na Espanha. A transferência, no entanto, surpreendeu os torcedores catalães, já que o brasileiro era um dos principais goleadores da equipe e havia marcado o gol que eliminou o Real Madrid da Copa da Europa na temporada anterior.

Evaristo cabeceia bola em partida contra o Real Madrid e marca gol
Gol histórico de Evaristo (Foto: Reprodução)

Com a transferência, Evaristo se tornou um dos dois brasileiros a defender Barcelona e Real Madrid, ao lado de Ronaldo Fenômeno, que passou pelos dois clubes décadas depois.

A saída, segundo o ex-atacante, ocorreu após uma mudança na diretoria do Barcelona. Insatisfeito com a proposta apresentada pela nova gestão, ele aceitou a oferta do clube madrilenho.

— Eu saí do Barcelona porque mudou a diretoria do clube. A diretoria me fez uma proposta que eu não gostei. Aí o Real Madrid me fez uma proposta melhor, e eu fui para o Madrid — contou.

Evaristo Macedo, passe de entrada (Barcelona) e tarjeta de identidad do Real Madrid, El Clásico.
Carteirinhas de jogador de Evaristo de Macedo na época do Barcelona (à esquerda) e do Real Madrid (à direita) - Foto: Nathália Gomes/Lance!

A decisão teve repercussão entre os torcedores do Barcelona, que viam Evaristo deixar a equipe para se juntar justamente ao adversário que havia ajudado a eliminar da principal competição europeia de clubes.

— Quando eu saí do Barcelona, causou uma decepção muito grande, porque eu vinha jogando. Eu era o grande artilheiro do Barcelona durante cinco anos. E eu estava saindo para o Real Madrid — recordou.

No clube madrilenho, porém, o brasileiro não conseguiu repetir a sequência que havia tido na Catalunha. Uma lesão no joelho prejudicou sua trajetória, embora ele avalie positivamente o período em que vestiu a camisa merengue.

— No Real Madrid, eu não tive muita sorte. Me machuquei muito, fiquei com o joelho dando muito problema. Mas joguei lá e joguei bem, graças a Deus — afirmou.

Apesar dos problemas físicos, Evaristo não demonstra arrependimento pela mudança e destaca as oportunidades que teve nos dois clubes.

— Eram grandes clubes, grandes oportunidades, grandes jogos, grandes gols também. Eu fui um bom goleador tanto num como no outro — disse.

Real Madrid com Evaristo, F. Ruiz, Di Stéfano, Puskás e Gento; quartas da Copa de Europa contra Glasgow Rangers.
Jogadores do Real Madrid em campo (Foto: Acervo Pessoal)

Um clássico que já tinha peso naquela época

Evaristo conheceu o El Clásico com as camisas dos dois clubes e acompanhou de perto a importância que o confronto tinha para os jogadores. Na época, enfrentar o principal rival também significava ganhar visibilidade e reconhecimento no futebol espanhol.

— O que o elenco queria, de jogadores, era jogar nos clássicos. Era o clássico que te dava importância, te dava nome. Eu joguei muitos clássicos. Clássicos demais até — contou, aos risos.

A movimentação em torno das partidas também não lhe parece tão diferente da atual. O ex-atacante se lembra das entrevistas e das conversas que antecediam os confrontos.

— Como é hoje, né? Não há muita diferença no futebol, não. Antes do clássico, muita conversa, muita entrevista — afirmou.

Evaristo, jogador com camisa azul e grená, conduz a bola em campo, com outro jogador ao fundo.
Imagem restaurada de Evaristo de Macedo em ação pelo Barcelona (Foto: Acervo Pessoal)

Uma carreira marcada pelos dois rivais

Aos 93 anos, Evaristo reúne passagens por Barcelona e Real Madrid em uma carreira que inclui um feito importante na história do clube catalão: o gol que eliminou o rival da Copa da Europa em 1961. Mesmo depois de defender os dois lados da rivalidade, o ex-atacante guarda boas recordações da carreira na Espanha.

Pelo Barcelona, disputou 151 partidas e marcou 105 gols. Já no Real Madrid, entrou em campo 19 vezes e balançou as redes em cinco oportunidades.

Ao avaliar a própria trajetória, preferiu destacar os clubes, os companheiros e os treinadores com quem trabalhou, sem se definir como craque.

— Eu joguei em grandes clubes, com grandes jogadores, grandes técnicos. E sempre me dei muito bem. Não tenho o que reclamar de nada. Para mim, a vida foi boa — afirmou.

Evaristo Macedo lendo livro no sofá, em sala com quadros na parede e tapeçaria ao fundo.
Evaristo de Macedo lendo livro escrito em sua homenagem (Foto: Nathália Gomes/Lance!)

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