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Da busca por jogadores jovens ao gosto pela polenta frita do Brasil, passando pelos jogos da dupla Gre-Nal, além de Falcão e Renato Portaluppi. Tudo isto esteve na conversa descontraída com o técnico Carlo Ancelotti na tarde de quinta (29) na sede da CBF, no Rio.
A entrevista exclusiva ao Grupo RBS se deu logo após a convocação da Seleção Brasileira para os amistosos contra Japão e Singapura, em novembro, nos últimos jogos da temporada.
De terno e gravata, Ancelotti se acomodou em uma confortável cadeira na parte central do museu da CBF. Ao fundo, os cinco troféus dos títulos mundiais do Brasil.
E é dele a responsabilidade de buscar a sexta conquista. Por isso, está mergulhado na tarefa de achar jogadores jovens e talentosos para o ciclo da Copa do Mundo de 2030.
O técnico tem acompanhado tudo que é possível do Campeonato Brasileiro. Inclusive os jogos de Grêmio e Inter. Morador da Barra da Tijuca, a poucos minutos do local de trabalho, está totalmente identificado com a cidade.
Na parte final do papo, ao responder perguntas rápidas para as redes sociais de Gaúcha Esportes, revelou o que mais gosta de comer por aqui: polenta frita. E lembrou da forte ligação da Itália com o Rio Grande do Sul.
A convocação teve muitas caras novas. A safra de jogadores jovens do Brasil é boa? O senhor está satisfeito com o que está surgindo para este ciclo?
Muito satisfeito. Temos muitos jogadores jovens e com muito talento. A verdade é que, neste momento, há mais produção de jovens de defesa e um pouco menos de meio-campistas. Mas o nível é muito alto, e o que temos que fazer é acompanhar essa progressão dos jovens, porque temos material para poder fazer e construir uma nova geração que seja competitiva no futuro.
Há mais produção de jovens de defesa e um pouco menos de meio-campistas. Mas o nível é muito alto, e o que temos que fazer é acompanhar essa progressão dos jovens
CARLO ANCELOTTI
técnico da Seleção Brasileira
Pelo o que o senhor está vendo dos jogadores que estão surgindo no Brasil, considera que eles são de primeiro nível no futebol mundial? Isso permite sonhar com uma grande campanha na Copa de 2030?
Temos que ter o acompanhamento desses jovens na formação deles nos times. Vemos que muitos jogadores que saem do Brasil e vão jogar na Europa têm dificuldades. A Seleção tem que acompanhar esses jovens, porque o objetivo da Seleção não é o mesmo dos clubes, muitas vezes.
Os brasileiros têm o sentimento de que o melhor técnico do mundo está na Seleção Brasileira. Sabíamos que para uma Copa do Mundo de 2026, em trabalho de pouco tempo, seria difícil arrumar tudo. Como o senhor recebe esta expectativa, que é muito alta, em relação ao seu trabalho?
Tenho de ter noção desta expectativa, porque aqui não existem amistosos. Quando joga a Seleção, joga a Seleção. Não é somente ganhar um jogo, mas transmitir uma imagem positiva para todo mundo. A Copa do Mundo não foi boa, e isso é uma motivação a mais para preparar bem a Seleção para as próximas competições.
O caminho para a Copa do Mundo de 2030 tem algo muito importante, além das eliminatórias, que é a Copa América. O que o senhor espera dela? Vai ser prioridade?
É uma competição muito importante para a CBF. A Olimpíada também, que permite a preparação de jovens que poderão estar no Mundial de 2030.
Copa do Mundo não foi boa, e isso é uma motivação a mais para preparar bem a Seleção para as próximas competições
CARLO ANCELOTTI
técnico da Seleção Brasileira
Podemos perceber que o senhor está tentando achar um novo goleiro. Nomes como Alisson e Weverton, se houver necessidade, podem retornar para a Seleção?
Claro que sim. Mas agora é o momento de avaliar os jovens que estão no futebol brasileiro, como Pedro Morisco, Otávio, Carlos Miguel, que ainda não chamei, mas que posso chamar. No dia que chegar a competição oficial, se o Alisson continuar sendo o melhor goleiro do Brasil, vou chamar o Alisson.
Os brasileiros acham muito legal o interesse que o senhor tem em conhecer a cultura do país. O que viu do Brasil já com esse tempo por aqui?
Eu conheço o Brasil porque tem muitos italianos. Sobretudo no Sul, em Porto Alegre. Há muitos italianos lá.
Se o Alisson continuar sendo o melhor goleiro do Brasil, vou chamar o Alisson
CARLO ANCELOTTI
técnico da Seleção Brasileira
O Rio Grande do Sul tem colonização italiana em grande parte da Serra Gaúcha. E na Seleção Brasileira há muitos gaúchos. O Rodrigo Caetano, diretor-executivo, e o Jaime Maciel, o chefe de cozinha, por exemplo. Aliás, o senhor já comeu o churrasco dele?
Sim, é muito bom. Obviamente, conhecer todo o Brasil não é fácil, um país muito grande. Por exemplo, ainda não estive no Norte. Gostaria de estar. Gostaria de ver a Amazônia também. Estou mais focado no Rio de Janeiro.
Qual a opinião do senhor sobre o distanciamento de Flamengo e Palmeiras no futebol brasileiro? E tem acompanhado o Inter e o Grêmio?
Vejo todos os jogos do Grêmio e do Inter. Acompanho tudo do Campeonato Brasileiro, o Flamengo, o Palmeiras. No geral, é uma liga muito equilibrada. Eu gostaria de ver mais jogadores brasileiros jovens. Este é um problema geral do futebol brasileiro. Não só do Inter e do Grêmio. Acho que com a decisão de diminuir o limite de estrangeiros, poderemos ver mais jovens em ação.
O senhor lembra da passagem do Renato na Roma e tem acompanhado o trabalho dele no Grêmio?
Sim, acompanho. Lembro dele como jogador. Porque eu saí de Roma em 1984 e não tivemos a oportunidade de estar juntos. Mas ele teve um bom período como jogador na Roma.
Vejo todos os jogos do Grêmio e do Inter. Acompanho tudo do Campeonato Brasileiro, o Flamengo, o Palmeiras. No geral, é uma liga muito equilibrada. Gostaria de ver mais jogadores brasileiros jovens. Este é um problema geral do futebol brasileiro. Não só do Inter e do Grêmio. Acho que com a decisão de diminuir o limite de estrangeiros, poderemos ver mais jovens em ação
CARLO ANCELOTTI
técnico da Seleção Brasileira
E com o Falcão o senhor tem falado bastante?
Sim. Somos amigos.
Se o senhor pudesse escolher uma cidade do Brasil, qual seria?
Rio de Janeiro.
Uma comida que o senhor realmente gostou aqui do Brasil?
Polenta frita.
Uma palavra em português que o senhor gosta?
Compartilhar.
Neste período no Brasil, teve algum costume do país que lhe chamou a atenção?
Carnaval (risos).
De zero a 10, o quanto o senhor se acha brasileiro já?
Eu sou brasileiro. Me considero ítalo-brasileiro.
Teve algum time do Brasil que lhe surpreendeu?
Não, time não. O Campeonato Brasileiro tem times muito históricos, algo que não tem em nenhum outro país no mundo. Todo mundo conhece Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Vasco, Grêmio e Internacional. Nenhum país no mundo tem tantas equipes históricas no futebol mundial.
No ano que vem teremos a Copa do Mundo Feminina aqui no Brasil. O que o senhor acha que representa para o Brasil e o que o senhor tem a acompanhar da Seleção Feminina?
Trabalhamos juntos (masculino e feminino). Estamos perto e compartilhamos juntos as coisas boas e as dificuldades também. É um momento muito importante para a Seleção em geral ter o Mundial Feminino no Brasil.
Um recado para a torcida brasileira destes anos que tem pela frente até 2030. O que o senhor pode falar da expectativa para o ciclo?
Temos esperança e expectativa de ter uma nova geração de jogadores muito forte.