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A expulsão de Neymar no empate por 1 a 1 entre Santos e Bahia, na Vila Belmiro, pela 32ª rodada do Brasileirão, repercutiu amplamente nos principais veículos esportivos do continente europeu. Os diários espanhóis As e Marca, além do português A Bola, deram ênfase à aplicação da diretriz disciplinar que coíbe atletas de cobrirem a boca durante desentendimentos verbais em campo.
Na Espanha, o jornal As ressaltou o momento em que o árbitro Sávio Pereira Sampaio foi acionado pelo árbitro de vídeo antes do reinício do segundo tempo:
"O árbitro expulsou-o imediatamente, entendendo que o gesto se enquadrava na chamada 'Regra Vinícius', aplicada no Brasileirão. Assim que viu o cartão vermelho, Neymar partiu para cima do adversário, e os outros jogadores tiveram que contê-lo para evitar que a confusão se agravasse", relatou o periódico de Madri.
O Marca também sublinhou a rigidez da punição após a revisão das imagens no monitor e contextualizou o desgaste emocional da partida:
"O número 10 conversava com Rodrigo Nestor no círculo central antes do início do segundo tempo, quando em dado momento levou a mão à boca e disse algo ao meio-campista. (…) Consequentemente, o árbitro decidiu expulsá-lo com um cartão vermelho direto, classificando o gesto sob o que ficou conhecido como a 'Regra Vinícius Júnior'", apontou a publicação espanhola.
Em Portugal, o jornal A Bola destacou o tumulto gerado pela sanção e relembrou a jurisprudência internacional criada em torno da medida:
"O árbitro aplicou a 'lei Prestianni/Vini Jr', que pune insultos de boca tapada, e mostrou cartão vermelho ao jogador do Santos. (…) O camisa 10 tentou confrontar Nestor, que precisou ser protegido pelos reservas do Bahia, causando um atraso no intervalo que durou mais de 25 minutos", informou o veículo português.
A discussão teve início ainda no primeiro tempo. Ao deixar o gramado no intervalo, Rodrigo Nestor desabafou sobre o comportamento do santista:
— Fui lhe dar a mão e ele jogou a bola. Depois, ouvi uma série de coisas. Fui muito bem educado pelos meus pais; sei de onde vim. Ele é um ídolo para todos como jogador, mas hoje falhou como pessoa pela forma como falou. Foi uma falta de respeito comigo e com a camisa do Bahia. Prefiro não repetir o que ele disse porque há crianças assistindo — disparou o meio-campista.
Após a partida, Neymar usou as redes sociais para admitir que cometeu uma infração com o gesto, mas acusou Nestor de se aproveitar deslealmente de um instrumento disciplinar concebido para finalidades mais sérias:
— Fui expulso de forma justa pelo gesto. Mas o que o Nestor me fez hoje é muito grave. Esta é uma lei criada contra o racismo, e ele quis se beneficiar no jogo por eu ter colocado a mão na boca, não lhe disse nada. Obviamente, estávamos a insultar-nos e a trocar provocações, e isso é normal no futebol. Dei a oportunidade a um idiota de aparecer — rebateu o atacante.
Mesmo com um a menos e com o gramado pesado pelas poças de água da chuva em Santos, o time da casa conseguiu igualar o placar aos 93 minutos com gol de Luan Peres, anulando a vantagem construída anteriormente por Luciano Juba para a equipe baiana.