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A tensão entre os promotores da MotoGP e os pilotos aumentou consideravelmente nas últimas horas, à medida que o grid tentava formar uma frente comum para evitar viajar para o Catar. Agora, a categoria quer impor duras punições a quem não quiser ir para Losail.
A maioria dos pilotos ainda prefere evitar viajar para o GP do Catar em meio à guerra com o Irã, mas a opinião pública mudou consideravelmente nos últimos dias.
Durante as reuniões realizadas em Phillip Island no último fim de semana, três quartos do grid expressaram sua oposição à viagem para Doha. Uma semana depois, no entanto, esse número havia caído para apenas três pilotos, como ficou evidente durante a reunião de sábado na Malásia.
A reunião da sexta-feira (30) começou às sete da noite no horário local e durou uma hora, tendo ocorrido no escritório do departamento de comunicação da Yamaha, pois o pedido para utilizar uma sala foi negado pelos órgãos que administram o campeonato. Esse detalhe serve como um indício significativo da tensão que impera no ambiente.
Nesta mesma semana, Carlos Ezpeleta, vice-CEO da MGPSEG, esteve em Doha, onde participou de uma conferência e pôde vivenciar em primeira mão o clima na capital do país, onde fica o circuito de Losail.
“A situação é de total normalidade”, relata uma das pessoas da delegação que acompanhou o executivo, que de lá voou para a Malásia, onde chegou na sexta-feira, justamente no dia da ‘reunião’ na Yamaha.
Os pilotos já sabem a que se expõem se não comparecerem ao Catar. A menos que haja um motivo absolutamente justificável e inequívoco, eles correm o risco de sofrer represálias.
Em primeiro lugar, por parte de suas equipes, que podem repassar a eles as multas que receberem da organização. Por outro lado, sua ausência poderia ser interpretada pela FIM como uma falta grave, circunstância que poderia resultar em sanções esportivas. Não apenas para esta temporada, mas também para a próxima.
O Motorsport.com apurou que quem não comparecer no Catar para correr na sexta-feira corre o risco de ser impedido de participar das duas últimas etapas do calendário, em Portugal e em Valência.
Já faz alguns dias que os pilotos aceitaram a contragosto que terão que viajar para o Catar, contra a vontade da maioria do grupo, que acompanha com grande desconfiança a evolução da instabilidade na região, afetada desde fevereiro pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Embora a intensidade dos confrontos diretos tenha arrefecido, ninguém é capaz de prever como os acontecimentos poderão se desenrolar a partir de terça-feira, quando serão realizadas as eleições de meio de mandato nos EUA.
A ameaça existe, embora cada país tenha estabelecido o nível de alerta que considerou adequado. A maioria dos países representados no paddock recomenda que seus cidadãos adiem qualquer viagem ao Catar, embora isso não implique uma proibição expressa.
É justamente isso que serviria de pretexto para invocar uma causa de “Força Maior” e, assim, cancelar o evento sem que o Mundial tenha que arcar com os custos. Até que isso aconteça, o GP do Catar continua no calendário da organização, das equipes e também dos pilotos, sobre os quais paira uma advertência — ou várias —, caso estejam tramando algo para se esquivar de seus compromissos.
Marc Márquez e Alex Rins entrando nos escritórios da Yamaha nos boxes para uma reunião dos pilotos na noite de sexta-feira no circuito de Sepang
Foto de: Oriol Puigdemont
Nessa disputa, o Motorsport.com apurou que os pilotos estão sozinhos de um lado, enquanto o outro é formado pelas equipes para as quais trabalham, pela MGPSEG como detentora dos direitos da competição e pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
A mensagem que foi transmitida aos pilotos e outras partes é clara: no contexto atual, a corrida deve acontecer. A não realização da prova representaria um prejuízo enorme aos olhos da organização.
Sobretudo porque, segundo afirmam fontes oficiais ao Motorsport.com, o governo do Catar oferece as garantias necessárias para assegurar que o GP transcorra normalmente e que todos os participantes estejam protegidos caso as hostilidades se intensifiquem.
Aspectos como um plano de evacuação para todo o paddock, caso seja necessário; cobertura das despesas que possam surgir na hipótese de fechamento do espaço aéreo; e seguros de repatriação no pior dos cenários.
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