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É dia de clássico! Pela primeira vez, piso em solo inglês, e não poderia ser por um motivo mais especial: viver de perto uma emoção que só o futebol é capaz de proporcionar. No último domingo, 11, quem disputou de um lado foi o Liverpool, e do outro, o Manchester City. Dois gigantes do futebol inglês frente a frente, em um duelo que promete muita intensidade, rivalidade e uma atmosfera única. Não é apenas dia de jogo, é dia de viver o futebol em sua essência!
Estou em Anfield, um dos estádios mais icônicos da Inglaterra, a convite do Liverpool Football Club e do órgão de turismo da Inglaterra, Visit Britain, e da cidade de Liverpool, Visit Liverpool, para conhecer de perto os bastidores do futebol inglês e entender o que faz da Premier League uma das ligas mais acompanhadas do mundo. A convite do clube, vim descobrir o que existe por trás de toda essa emoção: aquilo que faz milhares de torcedores vibrarem dentro de um estádio e que também nos permite acompanhar de perto a presença de um brasileiro que conquistou seu espaço no futebol mundial, o goleiro Alisson Becker.
Por volta de uma da tarde, as ruas ao redor de Anfield já estão bloqueadas para a circulação de carros, enquanto uma multidão de torcedores começa a tomar conta dos arredores. As cores se misturam em meio à movimentação: de um lado, o azul dos produtos do Manchester City, e do outro, o vermelho que representa o Liverpool. Entre vendedores ambulantes, camisas, cachecóis e bandeiras, a expectativa cresce a cada minuto.
É nesse cenário que a gente começa a entender que, aqui, o futebol vai muito além dos 90 minutos. A emoção começa muito antes de a bola rolar. Por fora, Anfield impressiona pela arquitetura moderna e pela imponência. Ao redor do estádio, uma série de food trucks já movimenta os torcedores, enquanto, logo na entrada, a loja oficial do Liverpool atrai uma multidão. Torcedores locais se misturam a turistas, todos em busca de uma camisa, um cachecol ou alguma lembrança daquele dia especial.
Mais alguns passos e já consigo avistar uma das entradas do estádio. É quando conheço Gordon, nosso guia, que chega com um sorriso no rosto. Basta mencionar o Brasil para perceber seu entusiasmo. Ele será meu anfitrião durante um tour privado pelos bastidores de Anfield. Passamos pela segurança e entramos em uma área de acesso restrito. Subimos pelas escadas rolantes e, pelo caminho, conhecemos os espaços onde os torcedores podem circular antes da partida. Mas é alguns metros adiante que a experiência ganha outra dimensão.
Gordon abre uma pesada porta de ferro. A luz que vem do outro lado quase ofusca os olhos. E, de repente, lá está ela: a arquibancada vermelha de Anfield, diante de mim.
É difícil descrever a emoção de entrar em um estádio como esse. Mesmo sem ser torcedora do Liverpool, é impossível não se deixar envolver pela grandiosidade daquele lugar. E o mais impressionante é pensar que, dali a poucas horas, aquelas arquibancadas estarão tomadas por milhares de pessoas, e os cantos da torcida vão ecoar por todo o estádio. Naquele instante, ainda em silêncio, já dá para imaginar a energia que está prestes a tomar conta de Anfield. Porque, no futebol, às vezes, a emoção começa muito antes de a bola rolar. Anfield tem capacidade para receber 61.276 pessoas, sendo o terceiro maior estádio da Premier League. São quatro grandes setores de arquibancadas que cercam um campo de 101 metros de comprimento por 68 de largura.
Mas os números não dão conta de traduzir o que esse lugar representa. Em um clássico como Liverpool e Manchester City, o estádio praticamente chega à sua lotação máxima. No confronto mais recente entre os dois times em Anfield, mais de 60 mil torcedores estiveram presentes. Imagine toda essa gente cantando, vibrando e transformando cada lance em uma experiência coletiva. É essa atmosfera que faz do futebol inglês um espetáculo que começa muito antes do apito inicial.
Um dos cânticos mais emblemáticos é You’ll Never Walk Alone, que se tornou um símbolo do Liverpool e de sua torcida. É uma tradição que ajuda a explicar por que Anfield é conhecido não apenas pela arquitetura, mas também pela atmosfera criada em dias de jogo.
Mas agora é hora de pisar no gramado, ou quase! Descemos as escadas e seguimos por um dos caminhos mais emblemáticos de Anfield: o túnel por onde os jogadores passam antes de entrar em campo. É impossível não imaginar a expectativa de quem percorre aquele mesmo trajeto minutos antes de uma partida. Aproveito para registrar o momento com uma selfie, afinal, não é todo dia que a gente tem a oportunidade de conhecer de perto os bastidores de um estádio como esse.
Logo depois, chegamos à área próxima ao campo, onde ficam as cadeiras vermelhas reservadas para integrantes das equipes e convidados. Dali, consigo observar melhor o gramado e perceber a movimentação da equipe de imprensa, com jornalistas posicionando seus equipamentos e testando as câmeras para a cobertura do clássico. Mesmo antes de a bola rolar, tudo já está sendo preparado para transformar aquele jogo em um grande espetáculo.
Seguimos também por trás de um dos gols e, pouco depois, voltamos para dentro do edifício, onde conhecemos outras áreas reservadas do estádio, incluindo o espaço destinado à alimentação dos jogadores.
De perto, o gramado impressiona pela uniformidade e pelo cuidado com cada detalhe. O campo de Anfield mede aproximadamente 101 metros de comprimento por 68 metros de largura, seguindo as dimensões utilizadas no futebol de alto nível. A manutenção exige trabalho constante, com atenção à drenagem, à irrigação, ao corte da grama e às condições de jogo.
E existe uma curiosidade que ajuda a explicar a relação especial entre o estádio e seus torcedores: a arquibancada The Kop, tradicional setor atrás de um dos gols, é conhecida pelos cantos que ecoam por todo Anfield. É dali que parte boa parte da energia que tornou o estádio famoso mundialmente. Entre os cânticos, You’ll Never Walk Alone se transformou em um verdadeiro símbolo do Liverpool e de sua torcida.
Depois de tantas descobertas, uma foi super interessante, passamos em frente ao espaço onde os jogadores comem depois do jogo, um lugar não muito grande, e super moderno.
E chega a hora de me despedir de Gordon, nosso guia, e seguir para o restaurante localizado dentro do complexo de Anfield. A proposta é aproveitar a visita para conhecer também um pouco da experiência gastronômica oferecida aos torcedores.
O espaço fica próximo ao museu do Liverpool e o acesso depende do ingresso ou da experiência contratada. Naquele dia, o restaurante estava lotado, com torcedores e visitantes aproveitando o movimento que antecede a partida.
Entre tantas opções, meu pedido foi um hambúrguer de frango. É interessante perceber como a experiência de um dia de jogo vai além das quatro linhas.
Uma curiosidade: todas as mesas contam com uma televisão que transmite ao vivo a chegada dos jogadores e, depois, a partida. Assim, os torcedores não perdem nenhum momento do jogo, mesmo durante a refeição.
E, para fechar essa imersão, chega a hora de visitar o museu do Liverpool Football Club. Fundado em 1892, o clube acumula mais de 130 anos de história, conquistas e personagens que marcaram o futebol mundial.
Entre troféus, camisas históricas, fotografias e objetos que atravessaram gerações, o museu reúne relíquias que ajudam a contar essa trajetória. Cada peça guarda um capítulo da história do clube e mostra como o Liverpool construiu sua identidade dentro e fora de campo.
E há espaço também para uma conexão especial com o Brasil. Entre os itens que remetem à história do futebol brasileiro, uma camisa da Seleção Brasileira autografada por Pelé chama a atenção. Uma lembrança de um dos maiores nomes do esporte mundial, preservada em meio a tantas memórias do futebol.
É nesse encontro entre histórias, gerações e países que a visita ganha outro significado. Anfield não é apenas o estádio onde o Liverpool joga: é um lugar onde a memória do futebol permanece viva, dos grandes ídolos aos torcedores que continuam escrevendo essa história a cada partida.
Diputa de clássico no futebol inglês
São três e meia da tarde. Está na hora de correr para o estádio.Ao sair do museu, precisamos deixar o prédio e contornar a parte externa de Anfield até chegar à entrada da nossa arquibancada. É nesse caminho que a emoção começa a crescer de verdade. Torcedores chegam de todos os lados, e o vermelho do Liverpool se mistura ao azul-claro do Manchester City em meio à multidão. A cena me lembra muito o Brasil: filas para entrar, gente vestindo a camisa do time, vendedores pelo caminho e aquela ansiedade que só existe em dia de jogo.
Na entrada, nada de ingresso de papel. Basta abrir o ticket digital no celular e apresentar o código para leitura na catraca. Tudo conferido, seguimos pelas escadas até chegar ao nosso setor. A estrutura impressiona pela modernidade. Há balcões que vendem bebidas e comidas, áreas de circulação bem organizadas e uma movimentação intensa de torcedores que aproveitam os últimos minutos antes do apito inicial.
Sento no lado destinado à torcida do Liverpool, pronta para acompanhar de perto um dos grandes clássicos do futebol inglês. Anfield tem capacidade para mais de 61 mil pessoas, mas o setor visitante costuma receber cerca de 3 mil ingressos, menos de 5% da capacidade total. A maior parte do estádio é ocupada pela torcida da casa e por outras áreas destinadas ao público. Por isso, mesmo com a presença dos torcedores do City, o vermelho domina visualmente as arquibancadas.
Do nosso lugar, consigo acompanhar o aquecimento dos jogadores e observar Alisson Becker em campo. Ver o goleiro brasileiro tão de perto, em um estádio histórico e prestes a disputar um clássico dessa dimensão, torna tudo ainda mais especial. Aos poucos, o aquecimento termina, os jogadores se posicionam e o apito inicial marca o começo de uma partida muito aguardada.
O Liverpool começa pressionando, enquanto o Manchester City tenta encontrar seu espaço. O jogo é intenso, disputado, e a torcida participa de cada lance. A primeira etapa termina sem gols. No segundo tempo, o Liverpool continua tentando encontrar espaços, até que acontece um momento decisivo: aos 62 minutos, Ryan Gravenberch recebe o segundo cartão amarelo e deixa o Liverpool com um jogador a menos. Três minutos depois, Erling Haaland aproveita uma jogada construída por Jérémy Doku e abre o placar para o Manchester City. Aos 68 minutos, o próprio Doku amplia com um belo chute colocado. Mais tarde, aos 78 minutos, Rayan Cherki marca o terceiro e fecha a vitória do City por 3 a 0.
“Trapaceiros”, grita a torcida
O resultado muda o clima nas arquibancadas. O Manchester City aproveita a vantagem numérica e transforma suas oportunidades em gols, enquanto o Liverpool tenta reagir diante de sua torcida. Mas havia algo além do futebol acontecendo nas arquibancadas. Em vários momentos, os torcedores do Liverpool gritavam “Cheats! Cheats!”, que significa “Trapaceiros!”, em referência à polêmica envolvendo as acusações de violações financeiras contra o Manchester City.
Os gritos ecoavam pelo estádio e ajudavam a compor uma atmosfera carregada de tensão. Ali, dava para perceber como o futebol inglês também é feito de rivalidades, posicionamentos e histórias que ultrapassam as quatro linhas. Para quem acompanha o futebol de longe, é uma coisa ouvir falar sobre a rivalidade entre os clubes. Outra, completamente diferente, é estar no meio daquela multidão e sentir a reação dos torcedores a cada lance. No fim, o Manchester City venceu por 3 a 0, com gols de Haaland, Doku e Cherki, diante de 60.338 torcedores em Anfield.
Mas, para mim, a experiência foi muito além do resultado. Foi conhecer os bastidores de um clube histórico, caminhar pelo túnel dos jogadores, ver Alisson Becker em campo, explorar o museu e sentir de perto a energia de uma torcida apaixonada. Mesmo sem torcer pelo Liverpool, é impossível sair de Anfield sem entender um pouco mais sobre o que o futebol representa para os ingleses.
A emoção começa nas ruas, passa pelas arquibancadas, cresce com o apito inicial e permanece muito depois do fim da partida. E foi justamente isso que vim descobrir: por trás de cada jogo existe uma história, uma cultura e milhares de pessoas que fazem do futebol muito mais do que um esporte.