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Livro homenageia técnicas do lendário time de basquete da Ponte Preta

Maria Helena Cardoso e Heleninha dirigiram por três temporadas a equipe que conquistou todos os títulos possíveis, incluindo dois Mundiais

Livro homenageia técnicas do lendário time de basquete da Ponte Preta
Homenagem ao time da Ponte Preta em 2016, durante Jogo das Estrelas da Liga de Basquete Feminino. Foto: Divulgação/LBF

Maria Helena Cardoso e Heleninha são associadas aos melhores momentos do basquete feminino em todos os tempos. As duas treinadoras também colocaram Campinas no mapa das vitórias históricas do esporte. Como não lembrar do lendário time da Ponte Preta, que por três temporadas faturou todos os títulos possíveis? E mais: foi em Campinas que as técnicas conseguiram colocar Paula e Hortência do mesmo lado da quadra por um clube. Feito inédito e que nunca mais se repetiu.

A história de Maria Helena Cardoso e Heleninha ganha um novo registro com o lançamento do livro biográfico “As Donas da Quadra”, escrito pela historiadora Claudia Guedes e publicado pela Editora Mulheres à Cesta. O lançamento acontece na próxima quinta-feira (15), no Clube Campineiro de Regatas e Natação, em Campinas. O lançamento em Campinas terá caráter intimista e comemorativo, com a presença de convidados que fizeram parte dessa trajetória e uma sessão de autógrafos.

A obra é resultado de uma ampla pesquisa histórica e reúne documentos, fotografias e depoimentos para reconstruir a trajetória de duas mulheres que ocuparam espaços de protagonismo em uma época em que a presença feminina no comando do esporte ainda enfrentava inúmeras barreiras.

Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos estiveram entre as primeiras mulheres a comandar a Seleção Brasileira de Basquete Feminino, deixando uma contribuição que ultrapassa os resultados dentro das quadras. Suas histórias ajudam a compreender também a evolução do esporte feminino no país e os caminhos abertos para as gerações que vieram depois.

Livro será lançada nesta quinta-feira em Campinas. Foto: Divulgação

A autora Claudia Guedes é Ph.D., professora titular do Departamento de Cinesiologia da San Francisco State University, nos Estados Unidos. Ao recuperar documentos, imagens e relatos sobre Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos, “As Donas da Quadra” contribui para que uma parte fundamental da história do esporte brasileiro não permaneça restrita à memória de quem a viveu.

Laços e descobertas

Aposentadas, Maria Heleninha e Heleninha continuam morando em Campinas e ligadas no basquete. Com frequências são vistas no ginásio do Tênis Clube, onde acompanham o time campineiro da Unimed, vice-campeão da LBF 2026. Discretas, se sentam perto da quadra como espectadoras da história que ajudaram a construir.

O trabalho de Maria Helena e Heleninha realizado na Ponte Preta, entre 1992 e 1994, abriu caminho para que o basquete feminino caísse no gosto dos campineiros. Outros times sucederam à Ponte, aí não mais com as treinadoras que lançaram a semente lendária na cidade. E os ginásios lotados pela torcida representavam o apreço do campineiro pelo esporte.

Neste período de projeto na Ponte Preta, a formação de jogadoras era também uma das preocupações das técnicas. As “peneiras” realizadas para selecionar meninas excediam a capacidade prevista. Eram necessários alguns dias a mais para poder avaliar todas as meninas que vinham de várias partes do Brasil atrás de uma oportunidade. Ninguém ficava para trás.

Paula e Hortência com a mesma camisa de clube: feito inédito

No primeiro ano, apenas com Paula na equipe, foram seis finais em seis campeonatos disputados, com quatro títulos e dois vices conquistados pela Ponte Preta.

O roteiro foi aperfeiçoado em 1993, com a chegada de Hortência. Poucos acreditaram na capacidade das treinadoras para persuadir as duas maiores estrelas do basquete feminino brasileiro a vestirem a mesma camisa da Ponte Preta – mas elas conseguiram.

Surgia então o ‘dream team’ campineiro. Foram cinco títulos em cinco torneios disputados, com 66 vitórias em 71 partidas jogadas durante a temporada. Foi nesse ano que a Ponte Preta tornou-se campeã mundial interclubes. Além de Paula e Hortência, a equipe contava com a pivô argentina Karina, mais Roseli, Nádia, Helen Luz, Silvia Luz e Ruth, todas com passagens pela seleção brasileira.

Heleninha e Maria Helena

No ano seguinte, sem Paula, mas com a mesma base anterior, a Ponte Preta foi novamente campeã mundial. É o único clube brasileiro com duas conquistas mundiais. A dobradinha de ouro do basquete feminino brasileiro se reuniria nesse mesmo ano pela seleção brasileira para garantir a inédita conquista do Mundial Feminino de Basquete.

Na seleção brasileira

É certo afirmar que o título mundial de basquete do Brasil veio a partir da base formada por Maria Helena Cardoso e sua auxiliar Heleninha. A treinadora assumiu o comando do time brasileiro em 1986. No ano seguinte, conseguiu a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis.

Em 1991 levou o Brasil, com Magic Paula e Hortência, à medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos em Havana, vencendo a seleção de Cuba na final. Foi nesse jogo que a icônica imagem do líder cubano Fidel Castro reverenciando o talento de Paula e Hortência ganhou o mundo.

O título Pan-Americano levou o basquete feminino brasileiro pela primeira a uma Olimpíada, a de Barcelona, em 1992. Sob o comando de Maria Helena, as brasileiras terminaram em sétimo lugar, mas dois anos depois se tornariam campeãs mundiais.

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