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mantém a expectativa de disputar a final da mesmo após ser eliminado pelo Estudiantes na semifinal. O clube carioca contesta a escalação do zagueiro Marcos Rojo no jogo de volta, no Maracanã, e busca reverter o resultado na esfera jurídica. O técnico Leonardo Jardim afirmou acreditar na possibilidade de classificação, enquanto o time argentino não demonstra temor de perder a vaga na decisão contra o Palmeiras.
A disputa gira em torno de uma decisão provisória do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que autorizou Rojo a jogar, mas não garantiu ao Estudiantes imunidade contra eventuais sanções esportivas ou disciplinares. O documento, ao qual o ge teve acesso, deixou para uma análise posterior a possibilidade de punição, caso a decisão definitiva não reconheça a elegibilidade do defensor.
O Flamengo sustenta que a inscrição do jogador contrariou as regras da competição e apresentou uma reclamação formal à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) após a partida. O clube também se apoia em precedentes de outras edições da Libertadores, nas quais escalações irregulares levaram à alteração de resultados. Ainda assim, o desfecho do caso depende da análise jurídica, e os episódios anteriores não garantem que o pedido rubro-negro será aceito.
O ge teve acesso à última página da medida cautelar concedida pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) ao Estudiantes, que autorizou Marcos Rojo a disputar a semifinal contra o Flamengo. O documento esclarece que a decisão foi provisória e não encerrou a discussão sobre a elegibilidade do zagueiro.
Na justificativa, o tribunal considerou que o interesse do jogador em não perder uma oportunidade esportiva relevante deveria prevalecer naquele momento sobre os argumentos contrários à sua participação. A decisão também levou em conta as dúvidas existentes sobre a aplicação das próprias normas da Conmebol.
O trecho mais importante para o Flamengo, porém, está na ressalva feita pelo CAS. O tribunal rejeitou o pedido do Estudiantes para garantir que a participação de Rojo não pudesse ser usada pela Conmebol como fundamento para uma eventual sanção esportiva ou disciplinar contra o clube ou o jogador.
Segundo o documento reproduzido pelo ge, a rejeição desse pedido não significa que o CAS tenha reconhecido que uma punição seria cabível. O tribunal explicou que não poderia antecipar uma decisão sobre uma sanção hipotética, que ainda não havia sido aplicada. Ao mesmo tempo, ressaltou que caberia ao Estudiantes e ao atleta avaliar os riscos caso o julgamento definitivo não confirmasse a elegibilidade do zagueiro.
É essa ressalva que sustenta parte do otimismo do Flamengo: a autorização para Rojo jogar não veio acompanhada de uma garantia de que o Estudiantes estaria livre de consequências futuras. Isso, contudo, não significa que o clube argentino será punido ou que a classificação rubro-negra já esteja assegurada.
"O interesse do jogador em preservar uma oportunidade esportiva de especial relevância que talvez não volte a ter prevalece, a efeitos cautelares, sobre os interesses apresentados para impedir sua participação. A aparência de bom direito da apelação tem relevância nesta ponderação e a inclina em favor do jogador. Diante do teor das normas da própria Conmebol e das dúvidas que ela manifestou sobre sua aplicação, a presidente adjunta não aprecia que permitir cautelarmente a participação do jogador no encontro comprometa a integridade da competição. A eventual incidência da participação do jogador na partida não basta por si só para inclinar o equilíbrio de interesses em desfavor da concessão da medida cautelar.
'Determine que a participação do jogador, em conformidade com esta ordem, não poderá ser invocada pela Conmebol como fundamento para sanção esportiva ou disciplinar contra o clube ou o jogador'.
Esta pretensão se refere a uma eventual atuação sancionadora que não ocorreu e que poderia não vir a ocorrer. Não procede, no âmbito desta solicitação cautelar, antecipar um pronunciamento sobre uma situação meramente hipotética. Sua rejeição não implica reconhecer o cabimento de uma eventual sanção, nem prejulgar as questões que poderiam surgir caso ela venha a ser imposta. No entanto, corresponde ao Estudiantes e ao jogador realizar uma avaliação de riscos em caso do laudo final do CAS não confirme a elegibilidade do jogador"
O principal argumento do clube carioca é que a escalação irregular de um atleta pode resultar na derrota administrativa da equipe envolvida. O Código Disciplinar da Conmebol prevê a perda da partida, com placar de 3 a 0, quando fica caracterizada a participação de um jogador inelegível. Há casos anteriores em que a regra foi aplicada, embora as circunstâncias não sejam idênticas às do processo envolvendo Rojo.
Um dos exemplos mais próximos ocorreu nas oitavas de final da Libertadores de 2018. O Santos empatou por 0 a 0 com o Independiente, na Argentina, mas foi punido pela escalação do meia uruguaio Carlos Sánchez, que ainda precisava cumprir uma suspensão de uma partida imposta em competição anterior da Conmebol.
Após a reclamação do clube argentino, a entidade declarou o Santos perdedor por 3 a 0. A punição alterou o cenário do confronto e dificultou a classificação santista, que acabou eliminado após novo empate sem gols no jogo de volta. O caso é considerado relevante pelo Flamengo porque também envolveu a participação de um jogador que não estaria apto a atuar segundo as regras da confederação.
Outro precedente aconteceu na fase de grupos da Libertadores de 2017. A Chapecoense venceu o Lanús por 2 a 1, mas escalou o zagueiro Luiz Otávio, que precisava cumprir suspensão. A Conmebol retirou os pontos da equipe brasileira e atribuiu vitória por 3 a 0 ao clube argentino.
Com a mudança no resultado, a Chapecoense perdeu a possibilidade de avançar às oitavas de final. O episódio reforça que a escalação irregular pode produzir consequências esportivas mesmo quando o resultado obtido em campo foi favorável ao clube infrator.
Os casos envolvendo River Plate e Boca Juniors mostram, por outro lado, que denúncias de irregularidade não levam automaticamente à perda de pontos. Na Libertadores de 2018, o River utilizou Bruno Zuculini, que tinha uma suspensão pendente, mas não sofreu a mesma consequência esportiva aplicada a outros clubes. O Boca Juniors também esteve envolvido em uma situação relacionada à elegibilidade de Ramón Ábila.
Esses episódios ajudam a explicar por que o caso de Rojo não pode ser tratado como uma punição automática. Além de verificar se houve irregularidade, a análise precisa considerar as circunstâncias da inscrição, as decisões tomadas antes da partida e os efeitos da autorização provisória concedida pelo CAS.
O Estudiantes contratou Rojo após o encerramento da janela de transferências argentina, fechada em 2 de setembro. O zagueiro havia disputado partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro, e o clube de La Plata solicitou à Conmebol, em 9 de outubro, sua inclusão na lista de inscritos para a semifinal, como substituto de um jogador lesionado.
A entidade sul-americana consultou a Fifa e negou o pedido em 14 de outubro, mantendo a decisão no dia seguinte. Diante da negativa, o Estudiantes recorreu ao CAS, que autorizou provisoriamente a participação do defensor em 21 de outubro, véspera da partida de volta contra o Flamengo. Rojo foi escalado no Maracanã, onde o confronto terminou empatado por 0 a 0. O Estudiantes avançou à final ao vencer a disputa de pênaltis por 3 a 2.
A autorização provisória foi decisiva para que o jogador entrasse em campo, mas não encerrou a discussão sobre sua elegibilidade. É justamente essa diferença entre a medida cautelar e o julgamento definitivo que sustenta a contestação do Flamengo.
Até a publicação desta matéria, não havia uma data definida para a decisão final sobre a elegibilidade de Rojo. O Flamengo pediu que o caso seja analisado antes da decisão da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.
Se a irregularidade for reconhecida, caberá à instância competente definir as consequências esportivas. A alteração do resultado da semifinal poderia abrir caminho para o Flamengo disputar a final contra o Palmeiras. Se a reclamação for rejeitada, o Estudiantes manterá a classificação conquistada em campo.
Por enquanto, portanto, o otimismo rubro-negro se apoia na interpretação do regulamento e em precedentes de punições por escalação irregular, enquanto o Estudiantes conta com a autorização provisória do CAS e aguarda o desfecho do processo. Nenhum dos dois cenários está definido.