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A Seleção Brasileira masculina de vôlei garantiu vaga nas Olimpíadas de Los Angeles 2028 em um contexto de duras críticas pelos resultados anteriores da equipe. Ex-jogadores renomados ajudaram a criar uma pressão ainda maior na luta pelo principal objetivo do ano, com comentários que não foram bem recebidos por Fernando Cachopa, um dos líderes da atual geração.
Um mês depois da conquista do Sul-Americano no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, o levantador desabafou sobre as falas dirigidas à Seleção, sem citar nomes. Ele descreve como um "nó na garganta" a sensação de ver ídolos optando por julgar ao invés de apoiar, mesmo conhecendo o peso de representar a Amarelinha.
— Quando eu vejo certos comentários e certas críticas assim, eu tento analisar para ver se faz sentido ou se não faz. Vindo de pessoas que viveram disso, que passaram, sei lá, metade da vida praticando vôlei, vivendo a rotina de Seleção Brasileira, que sabem a dedicação, todo o sacrifício que os atletas têm que fazer ali para poder representar a Seleção… Quando eu vejo essas pessoas falando certas coisas, me dá um nó na garganta, assim, eu não consigo digerir muito bem — contou Cachopa, em entrevista exclusiva ao Lance!.
A eliminação inédita na primeira fase da Liga das Nações, em julho, foi o ponto de partida para o surgimento de diversas discussões sobre o vôlei masculino brasileiro. Torcedores e ex-atletas campeões pelo Brasil passaram a procurar respostas para entender o que levou a mais uma campanha ruim do time comandado por Bernardinho, que vinha de outra queda precoce no Campeonato Mundial do ano passado, na fase de grupos.
Um dos problemas associados aos resultados negativos foi a suposta falta de dedicação dos jogadores. Cachopa desmentiu esse pensamento, mas reconheceu que o rendimento em quadra estava abaixo.
— O que pesa para mim mais seria essas pessoas estarem falando que talvez (a Seleção) não tivesse dedicação, que a gente fosse um time sem alma, que não queria vencer. Não era isso. A gente realmente não estava conseguindo desempenhar o nosso melhor.
As críticas à postura dos atletas ganharam ainda mais força e estimularam comparações entre diferentes gerações do vôlei brasileiro. O levantador atribuiu esse movimento à busca por engajamento e interações nas redes sociais.
— Eu acho que muitas vezes, para ter um pouco mais de visualização em rede social, para ter curtida aqui e dali, para as pessoas acabarem falando: "Ah, não, mas no teu tempo as coisas eram diferentes, vocês ganhavam, vocês entravam em quadra, a gente já sabia que vocês iam ganhar". Para ficar escutando, para ser mimado ainda, sabe? Isso não desce muito pela minha garganta.
Sob intensa pressão e jogando diante da torcida brasileira, a Seleção masculina fez uma campanha irretocável no Campeonato Sul-Americano — cinco jogos, cinco vitórias e nenhum set perdido — e conseguiu a vaga antecipada em Los Angeles 2028. A classificação, confirmada a dois anos dos Jogos, dará margem para evolução ao grupo durante o período, segundo Cachopa.
— Eu acho que foi, para a gente, um baita tiro certo ter se classificado já, ter garantido essa vaga para a Olimpíada, para poder analisar melhor o que precisa fazer nesses dois anos para chegar bem lá — concluiu.