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A negociação envolvendo a SAF do Vasco passou a repercutir também nos bastidores do Palmeiras às vésperas do confronto entre as equipes pela semifinal da Copa do Brasil. O negócio, conduzido pela Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, enteado da presidente Leila Pereira, provocou questionamentos de integrantes da oposição alviverde.
O principal ponto de discussão envolve a relação familiar entre Marcos, Leila e José Roberto Lamacchia, marido da dirigente e pai do empresário. Em setembro, conselheiros oposicionistas chegaram a solicitar o afastamento voluntário de José Roberto do Conselho Deliberativo do Palmeiras, sob o argumento de um possível conflito de interesses.
Por outro lado, representantes de Marcos na negociação defendem que ele atua de maneira independente, com patrimônio e interesses empresariais próprios.
A movimentação da oposição provocou uma reação de Leila Pereira. Durante uma reunião no início de outubro, a presidente demonstrou irritação com as críticas e classificou os opositores como “meia dúzia de imbecis”. A dirigente também cobrou maior apoio de integrantes da situação diante dos questionamentos sobre seu comprometimento com o clube.
“Até dezembro de 2027, minha dedicação e do meu marido é integral ao Palmeiras”, declarou Leila na ocasião.
A presidente cumpre seu segundo mandato, com encerramento previsto para dezembro do próximo ano. José Roberto Lamacchia, por sua vez, permanece como conselheiro do clube.
Em entrevista ao ge, o empresário chegou a mencionar a possibilidade de Leila assumir alguma função na SAF vascaína futuramente. A dirigente, entretanto, negou ter planos nesse sentido e afirmou que sua atenção está voltada ao atual mandato no Palmeiras.
Possível eliminação pode aumentar pressão sobre Leila
O desempenho do Palmeiras na reta final da temporada também pode influenciar o ambiente político do clube. Pessoas próximas à presidente avaliam que uma eventual eliminação para o Vasco na Copa do Brasil poderia gerar repercussões entre integrantes da situação.
O resultado negativo na final do Campeonato Brasileiro Sub-20, diante do próprio Vasco, no mês passado, já havia provocado desconforto entre aliados de Leila.
Apesar disso, a expectativa é de que as discussões não ganhem força neste momento, em razão da importância dos compromissos esportivos. O Palmeiras também tem pela frente a final da Libertadores, marcada para 28 de novembro.
A oposição, que já havia solicitado o afastamento de José Roberto Lamacchia, pretende retomar o assunto no fim do ano. O grupo considera pedir a abertura de uma sindicância no Conselho Deliberativo para investigar o caso.
Além disso, os oposicionistas discutem os possíveis cargos que Leila poderá ocupar após deixar a presidência, como conselheira vitalícia e integrante do Conselho de Orientação Fiscal (COF). Até agora, porém, nenhum pedido foi formalizado.
Agência acompanha negociação da SAF do Vasco
A situação também está sob análise da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), responsável pela fiscalização das regras de Fair Play Financeiro no país.
Durante a avaliação, a agência determinou medidas cautelares que proíbem o Vasco de estabelecer relações comerciais com o Palmeiras e a Crefipar, conglomerado financeiro ligado a Leila Pereira que inclui a Crefisa.
No encontro mais recente entre as equipes no Nubank Parque, a presidente alviverde recebeu Marcos Lamacchia e posou para fotos ao lado do enteado. Na ocasião, o empresário apareceu publicamente pela primeira vez como integrante da comitiva vascaína.
Palmeiras e Vasco voltam a se enfrentar neste domingo (1º), às 16h (de Brasília), pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, no Nubank Parque. A partida de volta está marcada para o domingo seguinte, às 17h, em São Januário.