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Com folha inferior a R$ 500 mil no Gauchão, técnico do Caxias analisa o desafio para montar elenco de 2027

Pressionada pelo passivo financeiro herdado da temporada de 2026, o Caxias adotará uma postura de rigorosa responsabilidade orçamentária no início de 2027. No entendimento da diretoria, o histórico recente do futebol gaúcho demonstra que é possível chegar às fases finais do Gauchão com uma folha salarial na casa dos R$ 450 mil. 

O teto orçamentário grená para o Estadual ficará ligeiramente acima desse valor, mas sem ultrapassar a barreira dos R$ 500 mil. A conta é simples. Não se pode gastar mais que arrecada.

A projeção do clube é ampliar os investimentos para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. Contudo, a diretoria reconhece que folha salarial alta não é garantia de sucesso em campo — lição aprendida pelo próprio Caxias em 2026. Por isso, a estratégia para errar o mínimo possível na montagem do elenco reside na liderança de um departamento de futebol integrado, na vivencia de Ranielli, na experiência do executivo Fernando Leite e no retrospecto recente do técnico Thiago Gomes.

— Quanto menor o orçamento de um clube, mais assertivo você precisa ser nas contratações. A margem de erro reduz. O desafio é grande, mas em 2023, quando trabalhei no São José, vivemos exatamente essa realidade. Tínhamos a menor folha da Série C e batemos na trave no jogo do acesso contra o Brusque, naquele lance do VAR. Chegamos até a última rodada do quadrangular brigando diretamente pela vaga — declarou Thiago Gomes.

Criatividade e network

Para o comandante grená, trabalhar com um orçamento mais enxuto não inviabiliza o atingimento das metas esportivas. No futebol brasileiro, não faltam exemplos de folhas milionárias que fracassaram dentro de campo. Na própria Série C de 2026, o Botafogo-PB ostentava um custo mensal próximo de R$ 1,5 milhão e acabou superado na corrida pelo acesso por clubes que operavam com metade dessa verba.

— É plenamente possível obter alta performance com um orçamento menor. O caminho passa pela nossa criatividade na busca por atletas, pelo nosso network e pela capacidade de buscar empréstimos com clubes parceiros que aceitem arcar com um percentual maior dos salários. Exige conhecimento do mercado e da Série C, pegar o telefone, ligar para o jogador e apresentar o projeto — destacou o treinador.

O peso da camisa grená

Outro pilar em que o treinador aposta para atrair reforços de qualidade é a tradição institucional do Caxias e a vitrine oferecida pelo Estádio Centenário.

— A marca do Caxias possui uma força gigante no futebol brasileiro. Muitas vezes, o atleta prefere vestir a nossa camisa, disputar a Primeira Divisão do Gauchão e ter a visibilidade da Série C por um clube tradicional para projetar sua carreira nacionalmente, do que aceitar salários ligeiramente maiores em equipes sem a mesma expressão — finalizou Thiago Gomes.

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