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Richarlison compartilhou um vídeo nas redes sociais onde mostra trechos de documentos que o jogador do Tottenham comprou a mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O advogado Willer Tomaz, em texto enviado ao UOL, havia desafiado o jogador a apresentar provas sobre a aquisição.
"Tá aí a prova, Willier Tomaz. Você falou que se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha", disse Richarlison. A publicação foi feita no Instagram do jogador.
O jogador mostrou trechos de documentos e também uma mensagem enviada a Flávio Bolsonaro (PL). O atleta negou que tenha se aproveitado da eleição para trazer o caso a tona. Bolsonaro concorre à eleição presidencial.
Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demoli-la. Richarlison, em postagem no Instagram
Richarlison alega ter investido R$ 10 milhões para a aquisição da mansão em 2020. O atacante contou ter recebido, na época, ofertas pela ilha, sendo uma delas de Flávio Bolsonaro, mas não aceitou vendê-la. Posteriormente, porém, teria perdido o imóvel em uma manobra judicial feita pelo político e o advogado.
"O advogado Willer Tomaz desafia Richarlison a apresentar, em 72 horas, um único documento anterior a julho de 2022 que o vincule ao imóvel de Angra dos Reis: escritura pública, contrato de compra e venda registrado ou inscrição em seu nome na SPU, junto com o comprovante dos R$ 10 milhões que diz ter pago a quem tinha direitos sobre o bem. Se forem válidos, Willer Tomaz transfere a ele os direitos sobre o imóvel sem cobrar um centavo.
Richarlison nunca foi parte em processo algum. A empresa ligada a ele e ao sócio Renato Velasco, a Sport 70, perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ, renunciou em juízo em 2025 e declarou nos próprios autos ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros invasores, sem título, não à titular registrada do imóvel. O negócio já foi objeto de inquérito policial, arquivado por falta de qualquer indício de crime.
Richarlison já é réu, em Brasília, pelas mentiras que repete desde julho, mesmo depois de notificado. E faz isso em plena campanha eleitoral, usando o nome de Flávio Bolsonaro que nunca foi parte em nada e só apareceu no processo como testemunha arrolada por Alencar, ex-deputado de esquerda e sócio do próprio Richarlison. A proposta está de pé. O prazo começa agora".
Hoje, o imóvel está sob posse da WT Administração de Imóveis, do advogado Willer Tomaz. Do lado do atacante, as partes no processo eram a Sport 70 Intermediação de Negócios, de Renato Velasco, ex-empresário do jogador, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa de Richarlison e do pai, Antonio Andrade.
A ação tramitou por cerca de três anos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao STJ. Após sentença em março de 2025 e recursos sem sucesso, a Sport 70 e Velasco desistiram do processo em agosto do ano passado.
O timing para isso também se dá já depois da ruptura entre Renato Velasco e Richarlison. O jogador trocou de representante após perder a confiança nele, em episódios descritos pelo UOL em 2024.
Flávio Bolsonaro não é parte do processo. Em 2022, o senador já tinha negado envolvimento no caso.
"A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo", publicou Flávio em novembro de 2022, quando o caso veio à tona.
Em 2021, Flávio chegou a visitar a mansão com Willer Tomaz. Naquela ocasião, o advogado teria sido informado de que a propriedade tinha sido vendida à empresa de Richarlison.
Procurada pelo UOL em julho deste ano, a assessoria do senador disse que ele "não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão, tentar associá-lo é factualmente infundado e eleitoralmente motivado".
O estafe acrescentou que Flávio "foi arrolado apenas como testemunha pela empresa do atleta que chegou a ter posse do imóvel. O processo entre proprietário e possuidor foi encerrado na Justiça e, nesse caso, cabe aos respectivos envolvidos qualquer manifestação".
Pessoas ligadas à WT dizem que Flávio nem chegou a dar depoimento, pois não houve audiência de instrução para isso.