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A crise entre Kylian Mbappé e a China passou a preocupar o Real Madrid e a LaLiga, responsável pelo Campeonato Espanhol. O atacante perdeu ao menos três patrocínios de empresas chinesas após uma declaração sobre Mao Tsé-Tung, e os desdobramentos podem atingir as receitas do clube e os negócios da competição no país.
A controvérsia começou com uma entrevista de Mbappé ao companheiro de Real Madrid e de seleção francesa Aurélien Tchouaméni, em um programa no YouTube. Ao responder qual era seu meme favorito sobre si mesmo, o jogador mencionou, entre risos, uma montagem que mistura seu rosto ao de "um ditador chinês".
A figura retratada era Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China e governante do país entre 1949 e 1976. Embora a entrevista tenha sido publicada em março, a repercussão ocorreu nesta semana, depois que o trecho passou a circular nas redes sociais chinesas.
A plataforma de notícias Dongqiudi criticou a declaração do atacante e classificou a resposta como "inapropriada" e "ofensiva à China".
A China tem, desde 2018, uma lei que criminaliza a difamação de heróis e mártires nacionais. As críticas à entrevista se espalharam pela rede social Weibo e chegaram ao Ministério das Relações Exteriores.
"Quaisquer palavras ou ações que ofendam os sentimentos do povo chinês naturalmente encontram ampla condenação em toda a sociedade chinesa", afirmou Guo Jiakun, porta-voz da pasta.
Na sequência, Mbappé perdeu contratos com a marca de bebidas energéticas Dongpeng e com as empresas de laticínios Mengniu e Milkground.
Em entrevista nesta terça-feira, o jogador pediu desculpas pelo mal-entendido. O presidente da LaLiga, Javier Tebas, também divulgou um comunicado com um pedido de desculpas pela declaração do francês, diante da preocupação com os efeitos sobre o campeonato.
"Não podemos permitir que um ato isolado manche essa relação ou prejudique os mais de vinte clubes de nossas ligas profissionais e os milhões de torcedores chineses", declarou o dirigente, segundo a imprensa local.
Os efeitos da crise alcançaram a exibição do Campeonato Espanhol na China. A CCTV, emissora estatal do país, suspendeu as transmissões de jogos da LaLiga com participação do Real Madrid.
Plataformas chinesas também retiraram vídeos de gols e entrevistas do atacante. Na RedNote, a conta de Mbappé, que tinha mais de um milhão de seguidores, foi removida sob a alegação de "violação das diretrizes da comunidade".
O Real Madrid não publicou comunicado sobre o caso ao longo da terça-feira. O clube, no entanto, pode sofrer perdas financeiras com o encerramento dos patrocínios do jogador.
Segundo a imprensa espanhola, o contrato do francês prevê que parte de seus rendimentos com acordos publicitários seja destinada ao Real Madrid. A saída das patrocinadoras chinesas deve, portanto, reduzir esses repasses.
Há também preocupação com a imagem do clube entre seus cerca de 100 milhões de torcedores na China e com uma possível redução nas vendas de camisas e outros produtos oficiais.
O Real Madrid mantém acordos com as empresas chinesas Linglong Tire, fabricante de pneus; Roborock, que produz aspiradores robóticos; e Hisense, fabricante de televisões.