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Reprodução/Youtube Corinthians TV - 27.mai.2025
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, desistiu de concorrer à presidência do clube. Em carta aberta divulgada na 5ª feira (15.out.2026), o dirigente afirmou que uma candidatura “poderia interferir na estabilidade política” da instituição e anunciou que não participará da eleição marcada para 28 de novembro.
Stabile chegou a considerar a disputa, mas enfrentava questionamentos sobre sua elegibilidade e investigações conduzidas pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo). A interpretação do estatuto sobre o tempo de permanência na presidência poderia impedir sua candidatura.
Na carta, o dirigente afirmou que pretende concentrar seus esforços na reorganização financeira do Corinthians, especialmente na negociação com a Caixa Econômica Federal. Também prometeu concluir o mandato com o compromisso de recuperar a credibilidade do clube, organizar as contas e fortalecer a administração.
Stabile assumiu interinamente a presidência em 26 de maio de 2025, depois do afastamento cautelar de Augusto Melo, de quem era vice-presidente. Os sócios confirmaram o impeachment em 9 de agosto daquele ano. Em 25 de agosto, Stabile foi eleito pelo Conselho Deliberativo para concluir o mandato, que termina em dezembro de 2026.
O estatuto proíbe a reeleição consecutiva, mas abre uma exceção quando o dirigente é eleito para preencher uma vacância por período inferior a 18 meses. A divergência estava no início da contagem: a posse interina, em maio, ou a eleição pelo Conselho, em agosto.
Considerando a posse interina, os 18 meses seriam completados em 26 de novembro de 2026, 2 dias antes da eleição. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a recomendar que Stabile renunciasse para não atingir esse período.
Na esfera criminal, o MP-SP denunciou Stabile por apropriação indébita. O caso envolve a contratação, com recursos do Corinthians, da Bear Security para prestar segurança particular ao dirigente. Segundo a acusação, a empresa não tinha autorização da Polícia Federal para atuar no setor. Stabile afirma que o serviço se justifica pela natureza do cargo.
O MP também investiga a contratação da Mega Assessoria Operacional, registrada em nome de um funcionário do clube, por R$ 676,6 mil. As duas contratações motivaram um pedido de impeachment contra Stabile, apresentado por conselheiros e associados em junho.
Outra apuração trata dos pagamentos de R$ 6,9 milhões à empresa responsável pelo programa Fiel da Sorte. Segundo o Globo Esporte, o Corinthians admitiu não ter controle dos serviços prestados. O acordo foi firmado durante a gestão de Duílio Monteiro Alves e rescindido pela atual administração em 2026.
Na esfera cível, o Corinthians também é alvo de um inquérito do Ministério Público que pode resultar em um pedido de intervenção judicial.
Com a desistência de Stabile, 5 candidatos disputam a presidência em 28 de novembro: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes, Rozallah Santoro e Sergio Janikian. O vencedor comandará o clube no triênio de 2027 a 2029.
A eleição será realizada em meio a uma instabilidade esportiva. O clube foi eliminado da Copa Libertadores e da Copa do Brasil e acumula 8 derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.
Na carta, Stabile declarou que espera que o próximo presidente dê continuidade à reestruturação do clube. Afirmou que encerrará o ciclo com a consciência tranquila e que continuará ao lado do Corinthians.
Eis a íntegra da carta:
“Após muita reflexão, decidi que não serei candidato à Presidência do Sport Club Corinthians Paulista na próxima eleição. Não foi uma escolha fácil, mas, neste momento, entendo que minha maior responsabilidade é dedicar toda a energia necessária à conclusão deste mandato e aos desafios que ainda temos pela frente.
“Minha prioridade absoluta é avançar na reorganização financeira do Corinthians, especialmente em questões estratégicas e decisivas para o futuro do Clube, como a importante negociação em andamento com a Caixa Econômica Federal. São assuntos que exigem dedicação, responsabilidade e foco integral.
“Também considero que uma candidatura neste momento poderia interferir na estabilidade política que o Corinthians necessita. O Clube precisa estar acima de qualquer projeto pessoal, e acredito que misturar a condução administrativa deste período com uma disputa eleitoral não seria saudável para a instituição.
“Seguirei trabalhando até o último dia do meu mandato com o mesmo compromisso de recuperar a credibilidade do Corinthians, organizar suas contas e fortalecer seus processos administrativos.
“Espero que o próximo presidente tenha a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de reestruturação financeira e administrativa que estamos conduzindo, preservando os interesses do Corinthians acima de qualquer outro. Esse deve ser o compromisso de todos que amam e desejam um futuro mais sólido para o nosso Clube.
“O Corinthians faz parte da minha vida, da minha história e daquilo em que acredito. Meu amor pelo Clube sempre esteve e continuará estando acima de cargos, eleições ou interesses pessoais. Encerrarei este ciclo com a consciência tranquila de que dei o meu melhor e com a certeza de que seguirei, como sempre, ao lado do Corinthians, torcendo, contribuindo e desejando que o nosso Clube seja cada vez mais forte, respeitado e à altura da grandeza de sua torcida.”