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Resumo
A eliminação do Flamengo na Libertadores gerou um impasse jurídico após o Estudiantes escalar Marcos Rojo respaldado por uma liminar do TAS, contrariando a negativa inicial da Conmebol baseada nas regras da Fifa. Irritada com a interferência externa que desafia sua autoridade, a Conmebol avalia medidas institucionais, enquanto o clube carioca pede a vitória por 3 a 0 por escalação irregular. O mérito do caso será julgado em 12 de novembro, antes da decisão final do torneio continental.
A eliminação do Flamengo na Libertadores de 2026 continua provocando discussões nos bastidores do futebol sul-americano. A polêmica envolvendo a inscrição de Marcos Rojo pelo Estudiantes ganhou novos capítulos após uma decisão do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Agora, a Conmebol estaria articulando medidas para defender seu regulamento e evitar que situações semelhantes comprometam sua autoridade sobre a competição.
Segundo informações do jornalista Rock Hudson, do Coluna do Fla, a entidade sul-americana ficou bastante insatisfeita com a interferência do TAS no caso. A preocupação estaria relacionada à possibilidade de decisões do tribunal se sobreporem às regras estabelecidas pela organizadora da Libertadores.
Nos bastidores, dirigentes enxergariam um risco institucional no episódio. A avaliação seria de que a Conmebol poderia perder força caso suas determinações fossem afastadas por decisões provisórias, mesmo diante de restrições previstas no regulamento.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho (PVC) também relatou que a entidade não aprovou a iniciativa do Estudiantes de recorrer ao TAS para conseguir utilizar Marcos Rojo. Apesar da insatisfação, o comentarista considera improvável que a reclamação apresentada pelo Flamengo resulte na alteração do confronto.
A controvérsia começou em 9 de outubro, quando o Estudiantes solicitou a inscrição do defensor para substituir um jogador lesionado. O problema é que a janela de transferências na Argentina havia terminado em 2 de setembro, enquanto Rojo disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro.
Diante da situação, a Conmebol consultou a Fifa sobre a possibilidade de registrar o atleta. A entidade máxima do futebol esclareceu que as regras internacionais sobre períodos de inscrição também deveriam ser respeitadas nas transferências nacionais.
Com base nessa orientação, a Conmebol rejeitou a solicitação em 14 de outubro e manteve a decisão no dia seguinte. O Estudiantes não aceitou a negativa e levou o caso ao TAS.
Em 21 de outubro, o tribunal concedeu uma medida cautelar favorável ao clube argentino, permitindo a inclusão de Rojo na lista de jogadores da Libertadores. Com isso, o defensor foi escalado para a partida de volta da semifinal contra o Flamengo, disputada no Maracanã.
A autorização, contudo, não representou uma decisão definitiva sobre a regularidade da inscrição. O TAS também não concedeu ao Estudiantes a garantia de que a utilização do jogador estaria livre de eventuais consequências esportivas ou disciplinares.
Após a eliminação nos pênaltis, o Flamengo apresentou uma reclamação formal à Conmebol, solicitando a aplicação das regras previstas para casos de escalação irregular.
Em nota oficial divulgada no sábado (24 de outubro), o clube carioca esclareceu que não iniciou o processo envolvendo Marcos Rojo. Segundo o comunicado, o próprio Estudiantes incluiu o Flamengo na disputa jurídica em 16 de outubro.
O Rubro-Negro também informou que havia comunicado antecipadamente ao tribunal e ao adversário que apresentaria uma reclamação caso o defensor fosse utilizado na semifinal.
O Código Disciplinar da Conmebol prevê a possibilidade de derrota por 3 a 0 em casos de escalação irregular. Essa é a punição solicitada pelo Flamengo, que busca reverter sua eliminação e conquistar uma vaga na decisão da Libertadores.
A situação, contudo, apresenta uma particularidade importante: Rojo entrou em campo amparado por uma autorização provisória do TAS. Por isso, a aplicação de qualquer punição dependerá da análise jurídica do caso.
O Flamengo também utiliza como referência o episódio envolvendo Carlos Sánchez, que resultou em uma punição ao Santos na Libertadores de 2018 por escalação irregular.
Nesse contexto, Flamengo e Conmebol buscaram acelerar a resolução da disputa, mas não houve acordo com o Estudiantes sobre as condições propostas.
O julgamento do mérito está previsto para 12 de novembro. O Flamengo exigiu que a situação seja resolvida antes da final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.
Até o momento, a Conmebol não anunciou oficialmente as medidas institucionais mencionadas na apuração. A entidade também não confirmou qualquer decisão que altere a classificação do Estudiantes.