Voltar
O Vasco está a 90 minutos — ou de uma disputa por pênaltis — de jogar uma final internacional pela primeira vez no século 21. Alguns lembrarão da conquista da extinta Copa Mercosul, em 2000, diante do Palmeiras, eternizada pela vitória por 4 x 3. Há, porém, um detalhe nessa conta: a decisão foi a menos de duas semanas da chegada do terceiro milênio. A contagem do novo século começou, oficialmente, em 1º de janeiro de 2001. Desde então, o Gigante da Colina disputou finais de Campeonato Carioca e da Copa do Brasil, além de decidir o título brasileiro de 2011, mas não quebrou essa barreira. Nesta terça-feira (20/10), às 21h30, diante do Boca Juniors, no Maracanã, tem a chance de se libertar e romper as fronteiras.
Campeão da Libertadores de 1998 e da Mercosul de 2000, o Vasco é o único dos 12 principais clubes do país que ainda não disputou uma final internacional neste século. Entre os rivais cariocas, Fluminense e Botafogo alcançaram a Glória Eterna em 2023 e 2024, respectivamente. O Flamengo consolidou o domínio recente no continente e, agora, ostenta quatro do troféu mais cobiçado da América do Sul. Em São Paulo, o Palmeiras — adversário cruz-maltino naquela decisão de 26 anos atrás — firmou-se como uma das principais forças do futebol sul-americano e rival direto do rubro-negro na disputa pela hegemonia continental. A lista dos 12 clubes inclui ainda Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Santos e São Paulo.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A história também reserva um lugar especial para Pedrinho. Presidente do Vasco, ele fazia parte do elenco campeão da Copa Mercosul de 2000, embora não tenha entrado em campo na decisão contra o Palmeiras. Agora, 26 anos depois, o ex-meia vive de outro lugar a tentativa de recolocar o clube em uma final continental.
Retornar a uma final continental seria um brinde ao torcedor vascaíno depois de muito sofrimento. Desde 2001, o Vasco teve cinco presidentes, acumulou 58 trocas de treinadores e sofreu quatro rebaixamentos à Série B. A crise financeira se agravou a ponto de levar o clube à recuperação judicial, enquanto a experiência com a 777 Partners terminou com o afastamento da empresa do controle da SAF, em 2024. Agora, o Vasco vive a expectativa de uma nova mudança de rumo: a venda de 90% da sociedade para a empresa de Marcos Lamacchia está na reta final, à espera da aprovação dos sócios, em assembleia marcada para sexta-feira.
Em campo, a oportunidade de interromper o jejum ganhou força na Argentina. Na partida de ida, em La Bombonera, o Vasco venceu o Boca Juniors por 1 x 0, com gol de Adson, e trouxe para o Maracanã a vantagem de jogar pelo empate para avançar à decisão. Será noite de casa cheia no Templo do Futebol, apesar da insistência de Flamengo e Fluminense para impedir a partida no principal palco do Rio de Janeiro.
O Vasco colhe os frutos das mudanças no elenco. A contratação do técnico Pedro Emanuel e a chegada dos argentinos Sosa, Lescano e Colidio ampliaram as alternativas e deram novas características à equipe. Na Bombonera, o time mostrou organização para pressionar a saída de bola do Boca Juniors e maturidade para resistir depois da expulsão de Andrés Gómez.
Hoje, porém, o dono da prancheta terá de levar a campo uma equipe sem Colidio, lesionado, e Andrés Gómez, suspenso pelo cartão vermelho. O lateral-direito Paulo Henrique também é dúvida. Contra o São Paulo, foi substituído no intervalo, com queixa de dores na costela e na região do abdômen. Antes da partida, ele fará testes para saber se tem condição. Puma Rodríguez é o reserva imediato.
O Boca Juniors pode ter um reforço de peso para a decisão no Maracanã. Campeão mundial pela Argentina em 2022 e da Copa América em 2021 contra o Brasil, no Rio de Janeiro, o volante Leandro Paredes está relacionado, embora não recuperado totalmente de lesão de grau 2 no músculo posterior da coxa direita. Isso anima os torcedores xeneizes, que chegam em bom número à Cidade Maravilhosa. Ontem, na Praia de Copacabana, a concentração tinha cerca de 3 mil argentinos.
Átila Malheiro, 19 anos
"A minha conexão com o Vasco, e acredito que a de muitos outros jovens que pegaram essa fase horrível do clube, foi um processo bem mais lento de identificação, até porque o Vasco é um time muito complexo, tem uma história gigante, nenhum jogo é apenas um jogo para o Vasco, e entender isso requer tempo."
Maria Júlia Rocha, 19 anos
"Desde que o Vasco entrou na minha vida, eu nunca o vi ser campeão internacional. É a chance de, finalmente, sentir o gosto e vê-lo no topo, algo que meus pais e meus avós viram e me contam. O time merece demais, mas, acima de tudo, a nossa torcida merece. Depois de tantas dificuldades, a gente merece voltar a ser feliz."
Felipe Farias, 20 anos
"O Vasco que me escolheu. A história do time mexe muito comigo, as pautas sociais pelas quais o clube brigou e por ter sido um dos primeiros times no Brasil a aceitar negros no elenco. Estou muito mais acostumado a ver o Vasco perder, mas, desde que eu comecei a acompanhar de fato, este ano, parece ser um dos melhores que eu vi."
Diller Abreu, 22 anos
"Eu sabia cantar o hino do Vasco antes mesmo de saber escrever. Sou muito grato pelos meus pais terem me passado esse amor. O motivo principal por eu ser vascaíno é essa união que o Vasco promove com minha família. Acompanhei quatro rebaixamentos e estive no Maracanã quando perdemos a final da Copa do Brasil em 2025.
*Estagiário sob a supervisão de Victor Parrini
Na editoria de Esportes do Correio Braziliense desde 2021, cobriu presencialmente os Jogos Olímpicos de Paris-2024, a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos e a Copa América de 2021.
Estudante do UniCEUB, é estagiário da editoria de Esportes do Correio Braziliense.