Voltar
Rafael Ratão vive a melhor fase da carreira. Quem faz essa avaliação é o próprio atacante, que destacou os 20 gols em 28 partidas pelo Campeonato Chinês e explicou os fatores que contribuíram para a evolução dentro de campo. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o brasileiro também fez um balanço da trajetória internacional e relembrou as passagens por São Paulo e Bahia.
— Acredito que vivo, sim, a melhor fase da minha carreira. Em números, esta temporada ainda é a segunda melhor, mas com menos jogos do que no ano passado, quando estava no Japão. Acho que isso passa muito pela mudança de posição, já que atualmente jogo mais como um camisa 9, e não tanto pelas beiradas. Mas, principalmente, tem a ver com o meu amadurecimento como jogador e como pessoa — afirmou ao Lance!.
A mudança de posição foi um dos fatores apontados por Ratão para explicar o momento artilheiro. Mais próximo da área, o atacante passou a atuar como referência ofensiva, função que favoreceu sua participação nas finalizações. O brasileiro também destacou o amadurecimento pessoal e profissional adquirido ao longo das passagens por diferentes países.
Revelado nas categorias de base do São Paulo e com passagem pelo Bahia, Ratão construiu a carreira internacional por clubes da França, Eslováquia e Japão antes de chegar à China. A experiência em diferentes culturas e estilos de jogo contribuiu para sua evolução e para a adaptação à função que exerce atualmente.
A adaptação a diferentes estilos de jogo foi parte importante do processo. Na França, onde conquistou a Copa da França com o Toulouse e participou da campanha de acesso à primeira divisão, o brasileiro teve contato com um futebol que se destaca pela intensidade física e pela organização tática. Na Eslováquia, a passagem pelo Slovan Bratislava também foi importante para ganhar sequência e consolidar seu trabalho no exterior.
Já no Japão, Ratão encontrou um ambiente marcado pela organização e pela dedicação dos jogadores. Na China, o cenário é diferente, com velocidade, intensidade e transições rápidas. Para o atacante, o campeonato ainda é pouco conhecido no Brasil, o que contribui para uma percepção limitada sobre o nível da competição.
— Acho que muitas pessoas ainda têm uma visão limitada do futebol chinês, justamente porque acompanham pouco o campeonato. Quando você está aqui dentro, percebe que existe competitividade, jogadores de qualidade e equipes de ótimo nível. Não é simplesmente chegar e jogar. É preciso estar preparado física e mentalmente, estudar os adversários e entender a maneira como cada equipe atua — disse.
A evolução, porém, não aconteceu apenas dentro de campo. Ratão identifica a chegada ao futebol europeu como um divisor de águas na carreira, especialmente pela necessidade de mudar hábitos relacionados à preparação física, ao sono e à alimentação. O aprendizado veio após um início marcado por passagens por diferentes clubes e pela falta de sequência.
A trajetória de Rafael Ratão pelo futebol brasileiro deixou marcas diferentes no atacante. Revelado nas categorias de base do São Paulo, o jogador reconheceu que gostaria de ter aproveitado melhor as oportunidades recebidas no clube. Já no Bahia, onde atuou entre 2023 e 2024, construiu uma relação de gratidão com a torcida, especialmente pelo apoio recebido durante um período delicado para sua família.
Ao relembrar a passagem pelo Tricolor paulista, Ratão falou sobre a sensação de que poderia ter feito mais durante sua formação e reconheceu uma dívida com o clube.
— O São Paulo é um clube pelo qual sinto que poderia ter feito mais e com o qual tenho uma dívida por ter desperdiçado algumas oportunidades que me deram ainda na base — declarou ao Lance!.
Foi na base tricolor, em Cotia, inclusive, que ele ganhou o apelido de "Ratão". O motivo? Ele se assustou com um rato grande e gritou, chamando a atenção dos colegas. Sua saída do São Paulo foi conturbada, pois o clube optou por rescindir seu contrato devido às atitudes do jogador à época. Rafael perdia treinos por conta de noitadas e álcool.
Em nova fase, agora no Bahia, o atacante disputou 54 partidas e marcou dez gols. Apesar de avaliar que o desempenho em campo ficou abaixo das próprias expectativas, Ratão destacou o carinho recebido dos torcedores durante sua passagem por Salvador.
O vínculo ganhou um significado especial durante o tratamento da esposa contra o câncer. Segundo o jogador, o apoio da torcida naquele período marcou a família e permaneceu entre as principais lembranças de sua experiência no clube.
— Reconheço que minha passagem não foi como eu esperava, mas tenho muito respeito e gratidão pelo período que vivi lá. Principalmente pelo carinho dos torcedores, que deram muito apoio à minha esposa durante o tratamento contra o câncer. Foi um momento delicado para a nossa família, e esse acolhimento marcou muito a gente. Tenho uma gratidão enorme por todos que estiveram ao nosso lado naquela época — afirmou.
Atualmente na China, Ratão mantém o foco na sequência da temporada, na qual soma 20 gols em 28 partidas pelo Campeonato Chinês. Em meio à melhor fase da carreira, o atacante busca manter o desempenho ofensivo e ampliar as conquistas construídas ao longo de sua trajetória internacional.