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BAP e Boto demitiram Filipe Luís com a segurança de quem sabia o que estavam fazendo. Depois da queda diante do Vitória na Copa do Brasil e da eliminação para o Estudiantes na Libertadores, a dupla parece ter colocado o tal trem na direção errada. Quem reivindica autoridade para interromper um trabalho vencedor tem a obrigação de responder pelo que colocou em seu lugar. Mas estão em silêncio.
O Flamengo passou dois jogos sem fazer um gol no adversário argentino. No Maracanã, nem a superioridade numérica durante boa parte da partida foi suficiente para resolver o confronto. O primeiro chute a gol em dois duelos ocorreu após 140 minutos. Vieram os pênaltis, a derrota e o fim da possibilidade de defender o título continental. Uma semifinal desperdiçada por um time incapaz de transformar seus recursos em futebol suficiente.
A primeira eliminação já havia sido um aviso. Em maio, o Flamengo perdeu por 2 a 0 para o Vitória e deixou a Copa do Brasil logo em sua estreia na competição, após vencer a partida de ida por 2 a 1. Agora, perdeu também a Libertadores. Dois fracassos que pertencem ao trabalho de Leonardo Jardim e à gestão que o escolheu, ou seja, o presidente Luiz Eduardo Baptista e o seu diretor de futebol, José Boto.
Filipe Luís poderia ser criticado, cobrado e até demitido. Nenhum treinador tem permanência eterna. Mas ele havia conquistado vários títulos, entre eles o Brasileiro e a Libertadores de 2025. Havia um trabalho concreto a avaliar, com resultados que exigiam dos dirigentes mais do que convicção na própria capacidade de encontrar alguém melhor. Mas qual o sentido da troca naquele momento, ainda mais depois de vencer por 8 a 0?
BAP recorreu à imagem do trem errado, do qual seria necessário descer na primeira estação. Boto apresentou a mudança como consequência de seu diagnóstico e de sua solução. É nessa postura que mora a arrogância: tratar uma decisão discutível como demonstração de superioridade administrativa. Um presidente pode assinar a demissão. Um diretor pode escolher o substituto. Nenhum deles controla o acerto da escolha por força do cargo.
Não há como afirmar que Filipe Luís eliminaria o Estudiantes ou conquistaria novamente a Libertadores. O que se pode avaliar é o caminho escolhido por BAP e Boto, que encerraram um ciclo vitorioso, assumiram a responsabilidade pela mudança e assistiram ao sucessor ser eliminado das duas competições de mata-mata. Jardim responde pelas dificuldades de sua equipe. Os jogadores, pelas decisões e pelos erros dentro de campo.
O Brasileiro ainda oferece ao Flamengo a possibilidade de uma conquista importante. Disputá-lo exige reação, e reconhecer isso não obriga ninguém a minimizar o que aconteceu na Libertadores. Um eventual título terá seu valor. As eliminações continuarão fazendo parte do balanço da temporada.
A dupla de dirigentes deveria, agora, ter disposição para explicar por que a solução que ofereceram produziu tão pouco nos confrontos decisivos. Toda arrogância será castigada, Flamengo de BAP e Boto. O problema é que os dirigentes exercem a arrogância, mas a torcida também recebe o castigo. Reconhecerão o erro, senhores?