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Vale a pena ter estádio? Por Odir Cunha

Afinal, o que faz um torcedor feliz: ter um grande estádio ou um time vencedor?

Afinal, o que faz um torcedor feliz: ter um grande estádio ou um time vencedor?
Afinal, o que faz um torcedor feliz: ter um grande estádio ou um time vencedor?

Há muito se discute, em Santos, se vale a pena o clube construir um estádio maior e mais moderno, ou dar uma garibada na Vila Belmiro e ficar com ela mesmo – opção escolhida pela administração atual, de Marcelo Teixeira. Confesso que, hoje, não tenho uma opinião definitiva a respeito.

Por muito tempo entendi que um grande clube de futebol deveria ter um estádio à sua altura. Quando ia ao Morumbi e via aquele colosso erguido pelo São Paulo, tinha a certeza de que estava diante da imagem do sucesso: um time vitorioso, três vezes campeão mundial, e uma casa imensa como aquela. Dava para entender o orgulho dos são-paulinos.

Talvez meu pensamento fosse fruto de uma época, de uma moda. Vivia-se o tempo em que os jovens tinham sonhos materiais. Ligavam a felicidade a um carro novo e caro, uma casa ampla, roupas de grife, essas coisas. Hoje, felizmente, não é mais assim. Ter um carro, passar anos pagando suas prestações, não é mais prioridade para a garotada. Ainda bem.

Vejo que no futebol essa onda também passou. E é compreensível, pois o que alegra mesmo o torcedor, os momentos que ele guarda para sempre, são as vitórias e títulos do seu time do coração. Toneladas de ferro e concreto, mesmo em belos projetos arquitetônicos, não enchem corações.

Durante muito tempo defendi que o Santos tivesse um grande estádio em São Paulo, cidade que concentra a maior parte de seus torcedores. Testemunhei os recordes de público no Morumbi e no Pacaembu proporcionados pela massa apaixonada de garotos, quase todos vindos da periferia.

No momento, o Santos está fazendo um puxadinho na Vila e muitos criticam, mas, se pensarmos bem, talvez seja mesmo o mais racional a ser feito. Estádios custam fortunas e sangram os clubes por décadas. Vejamos alguns casos de clubes brasileiros com ou sem estádio e o resultado prático que isso lhes trouxe.

Neste mês de outubro, exatamente no dia 7, o tradicional América de Minas Gerais, dono da aconchegante Arena Independência, o melhor dos estádios particulares de Minas, foi rebaixado para a Série C do Brasileiro ao perder para o Fortaleza, em casa. Obviamente seus torcedores se revoltaram e muitos devem ter se perguntado de que vale ter um estádio tão cobiçado se, em campo, o time só decepciona?

O mesmo se pode dizer dos gaúchos Grêmio e Internacional. O Olímpico e o Beira-Rio são exemplos de casas amplas e vistosas, mas os times lutam para não caírem para a Série B. No Rio, o maior dos estádios de clubes é São Januário, do Vasco, mas, dos times cariocas, é o que corre mais riscos de ser rebaixado.

Pense comigo: um intérprete de renome, ou uma banda de rock de prestígio, precisa ter a sua própria casa de shows, ou apenas organizar agenda para poder se apresentar onde pagam bem para vê-los?

Digo isso pensando, principalmente, neste Flamengo de estrelas e títulos, que há muito desistiu de jogar no seu acanhado estádio da Gávea, fundado em 1938, e adotou o Maracanã para acolher sua imensa torcida. No outro extremo há o Palmeiras, também protagonista do futebol brasileiro atual, este sim com um estádio que é o melhor e mais bem localizado do País.

E então, você prefere torcer para um time vencedor, mesmo sem estádio, ou se orgulha do patrimônio de seu clube, campeão ou não?

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