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A derrota frente ao PSV (1-0), a terceira em igual número de jornadas na fase regular da Liga dos Campeões, acentuou um cenário que começa a ganhar contornos preocupantes para o FC Porto. O tribunal do Dragão já o percebeu e pontuou o final do jogo com uma assobiadela monumental. Será caso para tanto?
Os dados estatísticos são, neste caso, esclarecedores. É que o FC Porto não se limitou a perder nas primeiras três jornadas da Champions. Fê-lo sendo inferior a Machester City, Betis e PSV em áreas relevantes como a posse de bola, o volume e a percentagem de acerto no passe, o número de ataques e de remates (e nos remates enquadrados só superou o PSV: 4 contra 3) ou o índice de golos esperados (xG).
Para além disso, Diogo Costa foi obrigado a fazer mais defesas do que o guarda-redes adversário frente ao City (8 contra 0) e ao Betis (4 contra 3). Nesta altura, soma 14 defesas, quase tantas do que em oito jornadas da Liga portuguesa (17).
Sendo certo que a qualidade dos adversários é outra, esses registos contrastam largamente com os apresentados pelos dragões no campeonato, que lideram só com vitórias, uma das quais no Clássico com o Benfica.
Francesco Farioli lembrou esse facto, após a derrota frente ao PSV, para afastar um cenário de crise no FC Porto, que é a equipa do campeonato português com menos golos sofridos (4) e a que, em média, cria mais grandes oportunidades (4,6 por jogo) e as concretiza em golo (1,9 por jogo).
Só que as dificuldades que os portistas têm evidenciado nos jogos europeus são evidentes. A olho nu e com o respaldo da ciência dos números.
Em comparação com a Liga portuguesa, o FC Porto tem na Champions muito menos bola, menor eficácia no passe e um índice xG praticamente duas vezes e meia inferior, de acordo com os dados compilados pelo SofaScore, parceiro do Maisfutebol.
Em média, permite na Liga dos Campeões quase o dobro dos remates aos adversários (18,3 contra 10,1), remata menos praticamente na mesma proporção (10 contra 16,3), comete menos faltas (10,7 contra 13,9) e cria menos de metade de ocasiões flagrantes (2 contra 4,6) do que no campeonato. Duas realidades paralelas de uma mesma equipa.
«A Liga dos Campeões é diferente e temos de aprender como competir a este nível», chegou a dizer o treinador do FC Porto, após a derrota em Sevilha com o Betis. A formação em contexto real dos dragões tem sido dura e prossegue a 4 de novembro com a receção ao Nápoles. Resta perceber se deixará marcas nas provas internas, a começar no sábado (20h30), frente ao Gil Vicente, no regresso do campeonato.