Voltar
Ricardo Quaresma, antigo colega de Cristiano Ronaldo na Sele ̄o Nacional, reagiu ao caso em torno do capit ̄o portugu↑s e Jorge Jesus
Ricardo Quaresma reagiu esta tera-feira ao caso em torno de Cristiano Ronaldo, que foi alvo de um processo disciplinar por parte da Federa ̄o Portuguesa de Futebol depois de ter abandonado o est£gio da Sele ̄o Nacional antes de um jogo da Liga das Naes com a Dinamarca, aps uma confer↑ncia de imprensa de Jorge Jesus.
Em declaraes ao programa "Passadeira Vermelha", da SIC Caras, o antigo colega de Ronaldo na Sele ̄o comeou por dizer que, atualmente, n ̄o est£ "muito por dentro do futebol", explicando: "Ainda fao aqueles jogos das lendas, mas, sinceramente, o futebol mudou tanto que eu j£ n ̄o tenho muita paci↑ncia para estar a ver o jogo. O jogo perdeu aquela alegria, aquele brilho. Hoje em dia fala-se muito mais de pol←mica do que do jogo. Por isso, perdi um bocado o interesse sobre isso".
Questionado se ← isso que est£ acontecer com o caso Ronaldo, Quaresma atirou: "Ns, ¢s vezes, tamb←m deitamo-nos na cama que fazemos, n ̄o ←? S ̄o coisas que eu n ̄o gosto de falar, porque dou-me bem com o Cris, dou-me bem com o selecionador, dou-me bem com o presidente... Agora, ← claro que s ̄o eles que t↑m que falar. Eles ← que estiveram l£ dentro, eles ← que sabem o que ← que conversaram. J£ somos crescidose isto podia-se resolver dentro, n ̄o precisava de vir c£ para fora, mas l£ est£, n ̄o sou eu que tenho que estar a comentar ou a falar ou a dar conselhos a algu←m. O selecionador ← mais velho que eu, o Cris ← mais novo que eu, o presidente ← mais velho que eu... Eles sabem bem o que ← que t↑m que fazer".
A Federa ̄o Portuguesa de Futebol instaurou no dia 10 de outubro um processo disciplinar a Cristiano Ronaldo, que ficou suspenso preventivamente, na sequ↑ncia do abandono do capit ̄o do est£gio da Sele ̄o Nacional, em 30 de setembro, em Copenhaga, aps uma confer↑ncia de imprensa do selecionador Jorge Jesus.
"Instaura ̄o de processo disciplinar a Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, por delibera ̄o da Sec ̄o N ̄o Profissional, de 09 de outubro de 2026, tendo por objeto o apuramento de eventual relev¬ncia disciplinar dos factos participados no dia 07 de outubro de 2026. Sem preju■zo da suspens ̄o preventiva autom£tica a que esteve sujeito at← ¢ data da instaura ̄o, foi determinada a suspens ̄o preventiva n ̄o autom£tica do jogador e atribu■da natureza urgente ao processo. O processo foi enviado, no dia 10 de outubro de 2026, ¢ Comiss ̄o de Instru ̄o Disciplinar da FPF, ficando exclu■da a publicidade at← ao fim da instru ̄o", pode ler-se, em comunicado.
Pedro Proena, presidente da Federa ̄o Portuguesa de Futebol, abordou no s£bado a pol←mica em torno de Cristiano Ronaldo, admitindo o regresso do capit ̄o aps a instaura ̄o do processo disciplinar.
"Falou o presidente da federa ̄o, falou o senhor selecionador, falou o capit ̄o de equipa, falaram os jogadores. Este ← o momento da tranquilidade, da serenidade. Estamos todos a sentar-nos ¢ mesa. H£ uma grande vontade de termos o nosso capit ̄o de volta. Haver£ um processo disciplinar normal. As inst¬ncias, de forma independente, ir ̄o avaliar", afirmou ¢ margem da inaugura ̄o da segunda fase da academia da AF Porto.
"O que registamos neste momento ← uma vontade, primeiro da FPF, de ter o capit ̄o rapidamente connosco, uma vontade j£ expressa do nosso selecionador nacional, que disse que, desde que desportivamente esteja em condies, teremos o nosso capit ̄o connosco. e algo fundamental: uma grande vontade de o nosso capit ̄o voltar ¢ Sele ̄o Nacional, espao onde ele se diz, e muito bem, feliz. Portanto, dito isto, este ← o momento de apelar ¢ tranquilidade, ¢ serenidade. Estamos a fazer o nosso trabalho porque a vontade ← coletiva", acrescentou.
Em comunicado, Ronaldo, recorde-se, afirmou estar dispon■vel para representar de novo a Sele ̄o e que acatar£ o castigo que lhe for aplicado por abandonar o est£gio.
O comunicado na ■ntegra:
"O Selecionador acabou por concordar com a minha an£lise.
Esta conversa foi acompanhada pelo Sim ̄o Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem reportava o atual selecionador durante toda a ←poca passada e um dos respons£veis pela sua contrata ̄o pelo clube em 2025.
Na v←spera do est£gio comear o Selecionador deslocou-se a minha casa, em Lisboa, para ter nova conversa comigo, a seu pedido. A conversa foi tranquila e todos os princ■pios combinados em agosto foram mantidos.
Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substitu■do, n ̄o fiz nenhum problema. Coloquei a braadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os ltimos passos, como atleta e capit ̄o da Sele ̄o Nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitria. Ganhar ← sempre bom, em Portugal e pelo meu Pa■s, ainda melhor.
hora de almoo do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio ¢ mesa onde o grupo estava a almoar e informou-me que o Selecionador me queria falar. Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recupera ̄o f■sica, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que n ̄o jogaria naquele dia. Sem nenhum problema.
Este pedido era algo fora do meu plano de recupera ̄o f■sica e de treino - porque apenas iria jogar dia 4 no Drag ̄o - mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que ent ̄o estivesse preparado porque jogaria 30 min.
O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e n ̄o fui chamado.
O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra.
No fim do jogo s queria que tudo acabasse com a vitria e ficar sozinho. N ̄o fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que ← apenas da minha responsabilidade e que n ̄o deveria ter acontecido. Peo desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peo desculpa aos adeptos e peo desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido.
Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e o Sim ̄o Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto.
Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro.
Concordamos que s havia uma maneira de encerrar este "caso": que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presena do Sim ̄o Coutinho, mas na Sala de Imprensa.
O que foi combinado era simples: o Selecionador comearia a confer↑ncia de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ningu←m, quem me props o plano para este est£gio e que foi um erro colocar-me a aquecer para n ̄o entrar e que se voltasse a acontecer n ̄o o faria.
Acabamos essa reuni ̄o com o Selecionador a pedir-me um abrao, a prometer-me que ia dizer na confer↑ncia o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu n ̄o jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Drag ̄o. Tudo isto na presena do Sim ̄o Coutinho, sempre.
A pedido do selecionador, decorreu depois uma reuni ̄o entre ele mesmo, o Sim ̄o Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconfer↑ncia, em que se resumiu aquilo que fal£mos.
Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi entregue ao Selecionador, tal como ele havia solicitado.
A confer↑ncia foi o que se conhece: a postura n ̄o teve nada a ver com a nossa reuni ̄o, ouvi expresses e uma agressividade que julgo n ̄o merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na v←spera.
As notas que validei eram as seguintes:
"Acho importante, at← porque ← a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da Dinamarca:
1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ningu←m, um plano para ele, esta ←poca desportiva, na Sele ̄o Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.
2. Sei o quanto ele vive e Ama a Sele ̄o e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influ↑ncia positiva que tem na Sele ̄o h£ 24 anos consecutivos.
3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.
4. Ele nunca questionou as minhas opes. Foi exemplar, leal e profissional.
5. Do plano que tracei para ele n ̄o constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.
6. Errei ao colocar algu←m da dimens ̄o de Pel← ou Maradona a aquecer para depois n ̄o o colocar em jogo. Se fosse hoje n ̄o o faria.
7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Sele ̄o Nacional. Ali£s n ̄o quero pouco, quero muito. Felizmente ele tamb←m acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui tamb←m.
8. Sobre n ̄o ter cumprimentado os adeptos. J£ fal£mos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Sele ̄o n ̄o recebe de mim lies de Amor a Portugal. Foi um momento de frustra ̄o que n ̄o apaga coisa nenhuma. o jogador que mais autgrafos d£, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. N ̄o inventemos problemas onde eles n ̄o existem. Quando n ̄o estamos contentes reagimos. Foi s isso."
Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.
Era a segunda vez, que me estava a faltar ¢ palavra dada.
Decidi abandonar o est£gio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda ← a coisa mais importante na rela ̄o entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade.
Ali£s, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manh ̄ do dia dessa confer↑ncia de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se n ̄o me quisessem ali mo dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que preparar■amos algo bonito, como sonho que acontea, e ningu←m ficaria zangado.
Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em un■ssono que n ̄o. Que o meu lugar era na Sele ̄o Nacional.
Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decis ̄o t←cnica ou t£tica de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito ← melhor ou pior o que me propem fazer. Respeito a decis ̄o e quando me faltam ¢ palavra, sinto que o meu lugar n ̄o ← ali.
Devo tamb←m um pedido de desculpas aos meus companheiros de Sele ̄o por ter abandonado o est£gio. Apesar da absoluta quebra de confiana na palavra do Selecionador, como poder£ testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu n ̄o o devia ter feito. A responsabilidade ← exclusivamente minha.
Peo desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha perman↑ncia iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se n ̄o me sentisse til: peguei nas malas e sa■.
A consequ↑ncia deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federa ̄o Portuguesa de Futebol. Entendo que a puni ̄o n ̄o deve ter atenuantes. N ̄o sou um jogador qualquer, sou capit ̄o de equipa e isso constitui uma agravante. J£ pedi desculpa, mas sei que as atitudes t↑m de ter consequ↑ncias. Quem est£ no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras s ̄o iguais para todos.
A este propsito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federa ̄o me quer dar essa oportunidade.
Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ningu←m d£ nada a ningu←m.
Posso prometer a todos os meus f ̄s, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haver£ tempo para isso.
Mas quando penso na sele ̄o o que eu penso mesmo ← em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a not■cia da morte do meu Pai. Estava em est£gio da nossa Sele ̄o e l£ decidi ficar at← terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo Pa■s o que jamais faria por clube algum.
Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspens ̄o que me for aplicada, estarei dispon■vel, como sempre estive at← hoje, para competir e ganhar pela nossa Sele ̄o.
Esta ←, acreditem, a mais pura das verdades.
Cristiano Ronaldo
6 de Outubro de 2026"
Cristiano Ronaldo arrisca uma suspens ̄o entre um e seis meses e uma multa, por ter abandonado a Sele ̄o portuguesa, segundo o Regulamento Disciplinar (RD) da Federa ̄o Portuguesa de Futebol (FPF).
"O jogador que, regularmente convocado, abandone ou n ̄o comparea injustificadamente a treino, jogo ou atividade das selees nacionais ou relacionada com a representa ̄o desportiva da FPF ou de Portugal, ← sancionado com suspens ̄o de um a seis meses e, acessoriamente e se for jogador profissional, com multa entre 5 e 10 UC [entre cerca de 500 e 1.000 euros, sendo 102 euros por unidade de conta]", l↑-se no respetivo regulamento.