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Vale tudo para encontrar o próximo Cristiano Ronaldo?
Rui Vaz
Rui Vaz

Um artigo de opini ̄o de Rui Vaz, m←dico especialista em Medicina F■sica e Reabilita￧ ̄o e em Medicina Desportiva

Quais os custos na acelera￧ ̄o no futebol de forma￧ ̄o? O futebol moderno procura um "novo fen￳meno" criou uma press ̄o desmedida sobre a forma￧ ̄o. Ser£ que compensa ultrapassar etapas? Portugal ← uma refer↑ncia na forma￧ ̄o de talentos, mas existe uma tend↑ncia cl■nica que exigir£ uma reflex ̄o urgente: valer£ a pena acelerar o desenvolvimento f■sico do atleta jovem para que atinja a performance de adulto antes da sua biologia o permitir? Na Medicina Desportiva questionamos frequentemente se a pr£tica de fazer atletas subirem dois escal￵es ←, de facto, saud£vel para o crescimento desportivo do atleta. Como m←dico, recordo uma premissa inegoci£vel: os jovens atletas n ̄o s ̄o "adultos em ponto pequeno".

Para compreender o risco deste processo acelerado, ← importante dissecar algumas realidades biol￳gicas que, se ignoradas, poder ̄o comprometer o futuro do jovem atleta:O desafio do Pico de Velocidade de Crescimento (fase de acelera￧ ̄o da estatura), refere-se ¢ fase em que o crescimento ￳sseo ← frequentemente mais r£pido do que a adapta￧ ̄o dos msculos e tend￵es, gerando desequil■brios biomec¬nicos, tornando as cartilagens de crescimento extremamente vulner£veis a les￵es.

As "dores de crescimento" n ̄o podem ser ignoradas. ￉ comum rotular-se a dor no jovem atleta como algo "normal", mas esta ← uma fal£cia perigosa. Patologias como a doen￧a de Osgood-Schlatter ou a Doen￧a de Sever n ̄o s ̄o sintomas "normais", s ̄o sinais cl■nicos objetivos de que a estrutura osteotendinosa n ̄o est£ a conseguir adaptar-se ¢ carga externa imposta. S ̄o les￵es reais por sobrecarga mec¬nica que exigem uma gest ̄o cl■nica criteriosa.

Importante referir que o desenvolvimento biol￳gico ← um processo individual e segue uma complexa intera￧ ̄o entre a gen←tica e o ambiente. Dois atletas do mesmo escal ̄o, mas com est£dios maturacionais opostos, no mesmo contexto poderemos estar a aumentar o risco de les ̄o para os atletas menos desenvolvidos. Temos que ter consci↑ncia dos riscos que poder ̄o ou n ̄o acarretar no futuro!!

O crescimento ￳sseo n ̄o ← acompanhado, de forma linear, pela coordena￧ ̄o neuromuscular. O c←rebro do jovem precisa de tempo para aprender para esta nova realidade. Ignorar a monitoriza￧ ̄o desta capacidade de controlo pode resultar em gestos t←cnicos ineficazes, descoordena￧ ̄o motora e, potencialmente, na cronicidade do erro biomec¬nico.

Nos escal￵es do futebol de forma￧ ̄o ← importante definir um modelo que esteja assente numa equipa multidisciplinar (coordenadores, treinadores, m←dicos, fisioterapeutas e psic￳logos) que avalie a maturidade biol￳gica e prescrevam cargas ajustadas ¢s capacidades reais de cada escal ̄o.O sucesso do futebol de forma￧ ̄o mede-se pela qualidade com que entregamos esses talentos ao futebol profissional. A biologia do atleta n ̄o tem pressa, e n￳s tamb←m n ̄o dev■amos ter.

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