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Um artigo de opini ̄o de Rui Vaz, m←dico especialista em Medicina F■sica e Reabilita ̄o e em Medicina Desportiva
Quais os custos na acelera ̄o no futebol de forma ̄o? O futebol moderno procura um "novo fenmeno" criou uma press ̄o desmedida sobre a forma ̄o. Ser£ que compensa ultrapassar etapas? Portugal ← uma refer↑ncia na forma ̄o de talentos, mas existe uma tend↑ncia cl■nica que exigir£ uma reflex ̄o urgente: valer£ a pena acelerar o desenvolvimento f■sico do atleta jovem para que atinja a performance de adulto antes da sua biologia o permitir? Na Medicina Desportiva questionamos frequentemente se a pr£tica de fazer atletas subirem dois escales ←, de facto, saud£vel para o crescimento desportivo do atleta. Como m←dico, recordo uma premissa inegoci£vel: os jovens atletas n ̄o s ̄o "adultos em ponto pequeno".
Para compreender o risco deste processo acelerado, ← importante dissecar algumas realidades biolgicas que, se ignoradas, poder ̄o comprometer o futuro do jovem atleta:O desafio do Pico de Velocidade de Crescimento (fase de acelera ̄o da estatura), refere-se ¢ fase em que o crescimento sseo ← frequentemente mais r£pido do que a adapta ̄o dos msculos e tendes, gerando desequil■brios biomec¬nicos, tornando as cartilagens de crescimento extremamente vulner£veis a leses.
As "dores de crescimento" n ̄o podem ser ignoradas. comum rotular-se a dor no jovem atleta como algo "normal", mas esta ← uma fal£cia perigosa. Patologias como a doena de Osgood-Schlatter ou a Doena de Sever n ̄o s ̄o sintomas "normais", s ̄o sinais cl■nicos objetivos de que a estrutura osteotendinosa n ̄o est£ a conseguir adaptar-se ¢ carga externa imposta. S ̄o leses reais por sobrecarga mec¬nica que exigem uma gest ̄o cl■nica criteriosa.
Importante referir que o desenvolvimento biolgico ← um processo individual e segue uma complexa intera ̄o entre a gen←tica e o ambiente. Dois atletas do mesmo escal ̄o, mas com est£dios maturacionais opostos, no mesmo contexto poderemos estar a aumentar o risco de les ̄o para os atletas menos desenvolvidos. Temos que ter consci↑ncia dos riscos que poder ̄o ou n ̄o acarretar no futuro!!
O crescimento sseo n ̄o ← acompanhado, de forma linear, pela coordena ̄o neuromuscular. O c←rebro do jovem precisa de tempo para aprender para esta nova realidade. Ignorar a monitoriza ̄o desta capacidade de controlo pode resultar em gestos t←cnicos ineficazes, descoordena ̄o motora e, potencialmente, na cronicidade do erro biomec¬nico.
Nos escales do futebol de forma ̄o ← importante definir um modelo que esteja assente numa equipa multidisciplinar (coordenadores, treinadores, m←dicos, fisioterapeutas e psiclogos) que avalie a maturidade biolgica e prescrevam cargas ajustadas ¢s capacidades reais de cada escal ̄o.O sucesso do futebol de forma ̄o mede-se pela qualidade com que entregamos esses talentos ao futebol profissional. A biologia do atleta n ̄o tem pressa, e ns tamb←m n ̄o dev■amos ter.