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O adiamento da receção ao Al Wasl de Rui Vitória, na sequência das dificuldades da equipa dos EAU para fazer a viagem para Riade devido à instabilidade na capital saudita pelos ataques dos houthis, conseguiu dar alguma margem de manobra ao calendário do Al Nassr mas nem por isso deixava de ser denso entre as várias provas em que a formação de Cristiano Ronaldo, João Félix, Samu Costa e companhia atuam. Agora, no arranque da 12.ª jornada da Saudi Pro League, que antecedia uma viagem ao Uzbequistão para a partida com o Pakhtakor para a Liga dos Campeões Asiática, chegava uma receção ao Al Kholood, 11.º classificado que começou bem a época com seis encontros sem qualquer derrota até entrar na atual série de quatro desaires seguidos.
Em paralelo, o regresso ao Al-Awwal Park serviria também para nova manifestação de “apreço” pelo capitão de equipa, Cristiano Ronaldo, que tem recebido várias homenagens por parte dos adeptos do Al Nassr sobretudo desde a polémica criada pelo abandono da concentração da Seleção em Copenhaga. Agora, mesmo não sendo um prémio “oficial”, havia a nova distinção como B.O.A.T., numa votação para adeptos (pagantes) criada pela France Football para que fosse eleito o melhor Bola de Ouro de todos os tempos entre todos os vencedores do prémio por mais do que uma ocasião. Ronaldo e Lionel Messi dominaram por completo as votações online, ocupando todas as primeiras 12 posições, mas a época de 2007/08 do português, quando ganhou a primeira Liga dos Campeões e a primeira Bola de Ouro, acabou por vencer a distinção.
Na antecâmara de nova convocatória da Seleção para os dois últimos encontros da fase inicial da Liga das Nações, com a Dinamarca (em casa) e o País de Gales (fora), o avançado teve outro reconhecimento por todo o trajeto ao longo de mais de duas décadas ao mais alto nível no futebol internacional. E é também esse patamar e o tal “estatuto” que lhe abrem as portas do regresso às opções de Portugal, depois de cumprida uma sanção que vai terminar esta sexta-feira contando com a suspensão preventiva após deixar o estágio.
“Se calhar, por uma atitude de cabeça quente, vamos amuar e deixar de falar com ele? Acontece. Na vida, no trabalho, no futebol… Se o Cris for ao próximo estágio, vamos estar lá, vou cumprimentá-lo exatamente da mesma maneira, não vou tocar no assunto, é um assunto dele. Se tiver e quiser resolver, resolve com o míster, com a Federação. Se quiser falar connosco estamos para ouvir mas ninguém lhe vai cobrar nada”, assegurou Gonçalo Ramos, avançado do AC Milan que assumiu a titularidade nos últimos três jogos (com outros tantos golos), no programa Soltinhos pelo Mundo, do Canal 11. “Assim é que não pode ficar. Se, de facto, o Cris quiser abandonar a Seleção, tem de fazer uma despedida de acordo com a sua imagem, o seu legado e o seu estatuto. Acima de tudo pelo legado, por tudo o que fez e deu ao país, à Seleção e à Federação. Inspirou-nos a todos. Se quiser abandonar é isso que deve fazer. Se não quiser, têm que decidir…”, frisou.
Depois do sinal que foi deixado pela pré-convocatória de Jorge Jesus, que se juntou às intervenções feitas por Pedro Proença enquanto presidente da FPF, estava dado o mote para as “pazes”, faltando apenas saber qual será a decisão do próprio capitão da Seleção. Antes de ser conhecida, havia mais um encontro por disputar, neste caso o quinto do número 7 nos últimos 20 dias sempre a fazer os 90 minutos. Aliás, desde que foi rendido aos 80′ no triunfo diante do Al-Taawoun, no final de agosto, Ronaldo realizou todos os encontros oficiais pelo Al Nassr e a jogar sempre todo o jogo. Agora, não foi exceção. Nem isso, nem o golo: após um 982.º remate certeiro que levantou muita polémica pela possibilidade de ter sido um autogolo que a Liga saudita não “sancionou”, o português ainda teve dois golos anulados mas bisou e chegou ao… 985.º.
A partida nem começou da melhor forma, nem para o conjunto da casa, nem para o próprio Ronaldo: após uma entrada a tentar dominar mesmo sem grande velocidade, Abdullah Al-Hamdan conseguiu aproveitar um erro de um defesa contrário, assistiu na área para o português marcar isolado mas o golo acabou por ser invalidado por um fora de jogo milimétrico (11′). E como um mal não costuma vir só, Julien Domingues aproveitou a passividade dos centrais do Al Nassr, fez o que quis de Simakan na área e inaugurou o marcador pouco depois (16′). Com Ronaldo ainda a protestar pelo golo anulado, a formação de Riade passava a estar em desvantagem mas com uma reação forte, imprimindo outra intensidade e agressividade nas ações até chegar ao empate de Ângelo (24′). E não ficaria por aí: na sequência de uma saída rápida perante a tentativa de contra-ataque cortada do Al Kholood, João Félix falhou o remate na área mas acabou por assistir de forma involuntária Sadio Mané ao segundo poste para fazer a reviravolta ainda antes do intervalo (37′).
Tudo parecia resolvido no primeiro tempo mas o período de descontos traria mais história a uma partida cada vez mais viva e com muita baliza das duas equipas: Julien Domingues voltou a ter um grande movimento na frente agora descaído sobre a esquerda aproveitando o mau posicionamento de Ayman Yahya a fazer a linha defensiva, assistiu rasteiro ao segundo poste e Antoin Essomba fez o empate (45+2′); Ronaldo teve um bom apoio frontal para lançar na esquerda Sadio Mané, foi à área rematar cruzado para o golo mas viu mais um golo de novo anulado por fora de jogo no momento em que começou a jogada (45+3′).
Ao contrário do que acontecera na primeira parte, o segundo tempo não teve tanto Al Khollod em termos ofensivos mas também não trouxe um Al Nassr tão capaz de criar ocasiões de golo como fizera antes. Assim, e até aos derradeiros 25 minutos, houve apenas um desvio de calcanhar de João Félix que saiu ao lado e um toque inadvertido para a própria baliza de um defesa que Hamed Al-Shanqiti ainda defendeu para canto. Estava na altura de acelerar e, mais uma vez, foi João Félix que agarrou na batuta, com uma aceleração na área após passe de Ângelo para fazer a terceira assistência para Ronaldo fazer o 3-2 que nem chegou a ser celebrado, com o português a esboçar o gesto da bandeira do árbitro assistente depois de dois golos anulados (66′). Seria mesmo a ligação nacional num encontro em que Samu Costa ficou de fora a “fechar” as contas, com João Félix a ter um grande trabalho na área e a assistir Ronaldo para o 4-2 de cabeça (72′) antes de chegar mesmo ao hat-trick na área após passe de Sadio Mané numa jogada iniciada por Félix (82′). Julien Domingues, no quarto minuto de descontos, aproveitou um penálti para fazer o 5-3 final.