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Infantino pediu desculpas ao Conselho da FIFA, mas não mostrou documentação pedida sobre plano de venda do Mundial

Presidente da FIFA reuniu-se pela primeira vez com o órgão deliberativo da instituição desde a intenção de venda de parte da operação comercial do Mundial de futebol, retirada pouco depois face às críticas. Infantino apresentou desculpas, mas não o que os restantes membros pediram: documentação sobre as negociações com a Thrive Capital. Entretanto, o nome de Arsène Wenger surge como hipótese para concorrer contra o suíço nas eleições de março

Infantino pediu desculpas ao Conselho da FIFA, mas não mostrou documentação pedida sobre plano de venda do MundialCréditos:Eurasia Sport Images

Chegou o dia. Três meses depois da ascensão e queda do plano de Gianni Infantino de vender a privados parte da operação comercial do Mundial de futebol, através da subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE), o presidente da FIFA enfrentou pela primeira vez o Conselho Executivo da organização, que não foi tido nem achado na hora de desenhar um projeto que mudaria os alicerces do futebol mundial.

Em Zurique, numa reunião que durou três horas e meia, Infantino pediu desculpas aos 36 restantes membros do Conselho da FIFA por não ter envolvido o principal órgão decisório da instituição no plano, mas recusou-se a partilhar mais dados e documentação sobre as negociações com a Thrive Capital, a empresa que compraria 20% da FFE, detida por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump.

De acordo com Debbie Hewitt, presidente da Football Association, a federação de futebol inglesa, os membros do Conselho da FIFA não receberam informações que consideravam essenciais para restabelecer uma relação de confiança com o italo-suíço.

“Foi dececionante não termos as respostas para questões que tínhamos requerido especificamente, como por exemplo a documentação da FFE”, sublinhou a também vice-presidente da FIFA, em declarações citadas pela BBC Sport. Debbie Hewitt frisou ainda que, quando perguntou a razão para que não fosse partilhada a informação pedida, lhe foi dito que submetesse as perguntas “por escrito”.

A dirigente enfatizou que sem respostas cabais e transparentes sobre todo o processo, que acabou por cair face às reações negativas de várias confederações internacionais, as mais fortes de todas vindas da UEFA, Infantino “não tem condições para ser presidente da FIFA” e que tal ideia “foi partilhada na reunião”.

Se Debbie Hewitt viu, ainda assim, alguma “sinceridade” no pedido de desculpas de Gianni Infantino, o presidente da federação alemã, Bernd Neuendorf, notou no ato de contrição do presidente da FIFA apenas um arrependimento por não ter apresentado a intenção de venda do Mundial ao Conselho e não uma penitência “pelo plano em si como um todo”.

Além da criação da FFE, Infantino foi questionado sobre outras polémicas que marcaram os últimos meses da instituição, nomeadamente a suspensão da sanção ao norte-americano Folarin Balogun durante o Mundial, depois de uma chamada de Donald Trump a Infantino, e o Prémio da Paz, que o presidente da FIFA entregou ao presidente norte-americano.

Wenger surge como hipótese

A reunião do Conselho da FIFA não fez mudar, portanto, qualquer atitude das federações da UEFA perante Gianni Infantino, quando faltam cinco meses para as eleições para a presidência da FIFA.

A confederação europeia ainda procura um candidato que possa ir a sufrágio com o suíço e a BBC sublinha que vários dirigentes do velho continente olham para Arsène Wenger como um possível rival. O antigo treinador do Arsenal é, desde 2019, chefe para o Desenvolvimento Global de Futebol da FIFA e um dos homens próximos de Infantino nos últimos mandatos do antigo secretário geral da UEFA. Distanciou-se, porém, do plano de venda dos direitos comerciais do Mundial. Qualquer candidatura à presidência da FIFA tem de ser apresentada até 18 de novembro.

Wenger está na FIFA desde 2019
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Alex Phillips, antigo secretário geral da FIFPro e dirigente na FIFA e UEFA, sublinhou que Wenger “não é um político do futebol”, mas que poderia trazer à instituição “integridade e a liderança”.

“Está tudo muito focado no dinheiro e não o suficiente no futebol. Acho que alguém como ele [Wenger] colocaria de novo o futebol como a principal prioridade. Vamos ver o que decide”, apontou Phillips, citado pela BBC.

Outros executivos ouvidos pela BBC em anonimato sublinharam o carácter global de Wenger, muito respeitado na Ásia depois da sua passagem pelo futebol japonês. “Com ele, não é sobre dinheiro, estatuto ou ego. Ele adora genuinamente o jogo”, disse um dos dirigentes.

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