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A polémica em torno de Cristiano Ronaldo continua a marcar a atualidade desportiva, mas também a alimentar as conversas fora dos relvados. Desta vez, foi Ricardo Quaresma quem comentou a situação que envolve o capitão da Seleção Nacional e o selecionador Jorge Jesus, deixando uma mensagem que não passa despercebida.
À margem da mais recente edição da ModaLisboa, o antigo internacional português falou com o programa Passadeira Vermelha, da SIC Caras, e não escondeu o desencanto com a forma como o futebol é vivido e discutido atualmente.
Longe de querer alimentar a controvérsia, Quaresma aproveitou a ocasião para lamentar que as polémicas estejam a ocupar cada vez mais espaço num desporto que, na sua opinião, perdeu parte da alegria e do brilho de outros tempos.
“Estou fora disso, deixei o futebol e não estou muito dentro do futebol. Ainda faço aqueles jogos das lendas, mas o futebol mudou tanto que já não tenho paciência para estar a ver. Perdeu-se aquela alegria, aquele brilho. Hoje em dia, fala-se mais de polémica do que do jogo. Por isso, perdi um bocado o interesse”, confessou.
Confrontado pelo jornalista Hugo Mendes sobre a situação de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, o antigo jogador não se furtou à questão. A relação entre os dois voltou a estar sob os holofotes depois de o capitão ter abandonado o estágio da Seleção Nacional, num episódio que desencadeou uma onda de reações.
Quaresma, que mantém uma relação de amizade com Ronaldo, fez questão de sublinhar que não conhece todos os pormenores da discussão e que não pretende tomar partido sem saber exatamente o que aconteceu entre os envolvidos. Ainda assim, deixou uma frase que sobressai no meio da polémica: “Às vezes, deitamo-nos na cama que fazemos.”
O comentário pode ser interpretado como um alerta para a responsabilidade que acompanha as decisões de cada um, sobretudo quando estão em causa figuras com a dimensão pública de Cristiano Ronaldo. Quaresma, porém, não foi mais longe nem atribuiu responsabilidades definitivas a qualquer uma das partes.
“São coisas que… eu não gosto de falar, dou-me bem com o Cris e com o selecionador. Eles é que estiveram lá dentro e sabem o que falaram”, explicou.
Foi na defesa de uma solução longe da exposição mediática que Quaresma deixou outra das declarações mais marcantes da entrevista. “Isto podia-se resolver lá dentro, escusava de vir cá para fora”, afirmou, numa referência à forma como o conflito entre Ronaldo e Jorge Jesus acabou por se tornar um dos assuntos mais discutidos do futebol português.
O antigo internacional preferiu não assumir o papel de conselheiro, apesar da proximidade que diz manter com os dois protagonistas. “Mas não dou conselhos a ninguém, eles sabem bem o que têm de fazer”, concluiu.
As palavras deixam clara a posição de Quaresma: o antigo jogador lamenta a exposição pública do conflito, mas não pretende julgar o que aconteceu nos bastidores da Seleção.
A saída de Cristiano Ronaldo do estágio aconteceu depois de o avançado ter ficado no banco durante o encontro com a Noruega. Jorge Jesus explicou que a utilização do capitão foi condicionada pelo desenrolar da partida, enquanto Ronaldo apresentou posteriormente a sua versão dos acontecimentos.
O episódio ganhou uma nova dimensão quando o jogador divulgou um comunicado sobre o sucedido. A situação teve também consequências disciplinares: a 10 de outubro, foi noticiada a abertura de um processo disciplinar e a suspensão provisória do capitão pela Federação Portuguesa de Futebol.
Com a controvérsia a continuar a gerar debate, as palavras de Ricardo Quaresma acrescentam uma nova voz à discussão. Sem revelar qualquer informação dos bastidores nem apontar um culpado, o antigo internacional português deixou um recado que resume a sua posição: os conflitos entre os protagonistas do futebol devem, sempre que possível, ser resolvidos dentro de portas.
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