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Terminou a primeira edição da EXPOFUT, na Arena Liga Portugal, sede do organismo, com Tiago Mendes, antigo médio e treinador, hoje com 45 anos, a ter respondido às questões de Record no painel de encerramento do evento. Com 66 internacionalizações pela Seleção Nacional A, era inevitável abordar a atualidade da equipa das quinas.
"Estes quatro jogos foram fantásticos em termos de resultado, com um treinador [Jorge Jesus] de que gosto. Mas realmente há este assunto que ninguém gostaria que tivesse acontecido e que infelizmente aconteceu. Ninguém sai bem na fotografia. Espero que se resolva, que consigam que toda a gente seja de alguma maneira beneficiada, que se gere consenso em que todos fiquem bem e felizes, porque é uma pena o Cristiano acabar assim. Espero que tudo corra bem, que a Seleção consiga os objetivos e que o Cristiano acabe bem a sua história na Seleção", referiu Tiago.
"Espero [que Ronaldo volte] nem que seja para a despedida. Cristiano não pode acabar a história dele na Seleção assim. Isto devia ter ficado lá dentro, deviam ter conversado, mas vão ter que o fazer. Uma história destas não pode acabar desta maneira. Como português, colega e amigo do Cristiano, não queria que acabasse assim", acrescentou.
E Tiago também protagonizou uma situação pouco comum, quando em 2011 renunciou à Seleção, voltando mais tarde, já em 2014. Cristiano Ronaldo já era capitão da Seleção nessa altura e teve papel direto no regresso de Tiago à equipa.
"Teve, uma chamada. Mas significou muito. Eu deixei a Seleção com 29 anos, já estava cansado de viajar e jogar pouco (risos). E chegou o momento em que decidi dedicar-me mais ao clube. Quando veio o Fernando Santos, o próprio selecionador entrou em contacto comigo e disse que queria que voltasse. Já tinha 33 anos, não era algo em que pensasse. O Fernando Santos disse que queria estar comigo, eu não queria estar com ele, porque já sabia que ia tentar convencer-me. Falámos ao telefone e foi difícil desligar. Disse que ia pensar e que à noite dizia algo. Foi a maneira de desligar o telefone. Mais tarde liga o presidente da Federação, Fernando Gomes, mas não atendi e ele deixou mensagem de voz. Depois, ligou o Cristiano. Comecei a pensar: 'Já me estou a sentir-me mal. Quem sou eu?' Tive que voltar e ajudar no que pude", recordou Tiago, que voltou após a troca de Paulo Bento por Fernando Santos no comando.
Mas, e terá Tiago tido um gesto semelhante, agora, para com Cristiano Ronaldo? "Mandei mensagem ao Cristiano, antes mesmo de ir embora. Senti necessidade, mais do que ele necessitar, senti eu a necessidade de lhe deixar mensagem", revelou, mas... não obteve resposta de CR7. "Não respondeu. Deve ter tido muitas também...", concluiu.
Na reta final da conversa, perguntámos a Tiago se sentia arrependimento de alguma decisão tomada na carreira. O antigo jogador admitiu ter cometido erros e até recordou a decisão de não querer ir ao Euro'2008, disputado na Áustria e Suíça.
"Cometi muitos erros, já falámos da questão do treinador para a qual não estava preparado. Como jogador também cometi erros. Deixei a Seleção com 29 anos, olha-se para trás e pensa-se que não o devia ter feito. Também não quis ser convocado para o Euro'2008. Disse que não. Porquê? Maluquices de jogador. Senti que não tinha sido respeitado antes. Disse que não queria ser mais convocado e não quis ir. Coisas de jogador, de egos. Cometemos erros, decisões que agora com esta idade e olhando para trás, pensa-se: 'se soubesse o que sei hoje...'. Mas faz parte da minha carreira, vivi cada momento com alegria, intensidade. Fui jogador, saí de Viana, saí do futebol aos 14 anos e fui jogar andebol por não ser convocado para um treino. Fui ao andebol, era guarda-redes. Voltei ao futebol pelo Âncora Praia e fiz esta carreira. Sou um afortunado por ter vivido o que vivi e não mudaria nada, porque estou aqui hoje pelo que fiz na carreira", afirmou Tiago.