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Ten Hag: "Cristiano Ronaldo age como se fosse maior do que o seu país. Já não dá"
Ronaldo e Ten Hag, em agosto de 2022 (créditos: AFP)
Ronaldo e Ten Hag, em agosto de 2022 (créditos: AFP)

Quase quatro anos depois de ter sido arrasado por Cristiano Ronaldo numa entrevista que ditou o fim da segunda passagem do astro português pelo Manchester United, Erik ten Hag quebrou o silêncio sobre o assunto. Horas depois, o neerlandês voltou a criticar a atitude de CR7, falando sobre a Seleção Nacional

Erik ten Hag voltou a visar Cristiano Ronaldo. Depois de ter quebrado o silêncio nas últimas horas sobre a sua colisão com o avançado português no Manchester United, o treinador neerlandês e atual diretor do Twente reforçou as suas críticas à atitude de CR7, falando desta vez sobre o seu papel na Seleção Nacional.

"Cristiano Ronaldo age como se fosse maior do que o clube e o país pelo qual joga. Trata-se da sua marca. A maximização do seu lucro, é disso que ele quer saber. Não se trata da equipa. A nível de seleções, os jogadores mais velhos ainda podem desempenhar um papel. A nível de clubes, na Champions League, já não se vê isso. 35, 36 anos, aí simplesmente acabou, com algumas exceções, mas a natureza apanha toda a gente, incluindo Cristiano Ronaldo. Agora, ele mantém o seu país refém. Uma geração inteira", defendeu, em entrevista à Voetbal International, considerando que Ronaldo, aos 41 anos, já não serve para ganhar grandes títulos.

Para Ten Hag, "embora Portugal tenha uma excelente equipa", sem Ronaldo "as coisas funcionam melhor", atirando: "Não quero provar que tenho razão, mas isto é claro: ele já não ganha nada de relevante com a sua equipa. Já não dá. Ele foi, naturalmente, um futebolista formidável, isso está fora de questão. Mas já não é".

"Cristiano Ronaldo ganhou o seu último título sério na Juventus, com uma equipa, a não ser que contem com a Liga das Nações. O que conta são os Europeus e Mundiais, a Liga dos Campeões, a Premier League, a LaLiga... Ele já não consegue ganhar grandes competições", rematou Ten Hag.

"Ronaldo não corria com e sem bola porque não se preparava"

Erik ten Hag quebrou nas últimas horas o silêncio sobre a sua colisão com Cristiano Ronaldo no Manchester United, que culminou com uma entrevista do astro português com Piers Morgan, em novembro de 2022, na qual CR7 arrasou o seu então treinador, além da estrutura do próprio clube, levando a que acabasse por rescindir contrato e rumasse ao Al Nassr.

Quase quatro anos depois, o atual diretor técnico do Twente falou pela primeira vez de forma aberta sobre como foi a sua experiência em Old Trafford com Ronaldo, com Ten Hag a não hesitar em apontar o dedo ao avançado, acusando-o de não se preparar fisicamente para "correr com e sem bola" nos jogos.

"[Ronaldo] Desiludiu a equipa e desiludiu-me a mim, porque eu tinha um plano com ele. Viajei para Portugal para falarmos sobre os objetivos que tinha quando assinei pelo Manchester United. Ele é um dos melhores da história do futebol, respeito-o muito, mas, enquanto treinador, tive de tomar uma decisão racional", começou por dizer o neerlandês, em entrevista ao portal The Athletic, explicando por que decidiu retirar a titularidade a Ronaldo nos "red devils" na primeira metade da época 2022/23.

"Confrontei-o, várias vezes disse-lhe: "Ronaldo, toda a gente quer trabalhar para ti, para estares na posição certa, mas se não apareces na área, não marcas". Ele não era capaz. É uma ideia errada dizerem que eu esperava que ele pressionasse e que, por isso, ele estava exausto. Ele simplesmente não conseguia. Não corria com bola nem sem bola, e a razão era porque não se preparava. Todas as equipas de topo devem acarinhar o jogador de topo, mas o jogador tem de trabalhar para a equipa", apontou, acusando ainda Cristiano Ronaldo de ser uma má influência para o resto do plantel nos treinos.

"Ele dizia aos outros jogadores para se pouparem nos treinos. Eu percebo que, quando estás no topo da forma, podes poupar-te, mas primeiro tens de treinar para chegar aos níveis certos em termos físicos", argumentou Ten Hag, considerando que veteranos como Ronaldo, Raphael Varane e Casemiro chegaram a Old Trafford com a mentalidade errada para o United naquele período: "Trouxeram a ideia de que os jogadores têm poder para decidir. Na minha opinião, isso não servia para a fase em que o Manchester United estava. Eu queria futebol ofensivo e dinâmico, estes jogadores queriam jogar conforme lhes servia", rematou.

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