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Um dia depois de ter atribuído à "entourage" de Cristiano Ronaldo a responsabilidade pelo escalar da polémica — apontando Tiago Craveiro como o principal rosto desse processo —, Carlos Padrão voltou ao ataque esta terça-feira, dia 6. No programa "Jogo Aberto", da SIC Notícias, o antigo guarda-redes reforçou o tom das acusações contra o ex-vice-presidente da FPF e atual colaborador do universo empresarial do capitão da Seleção Nacional.
De acordo com Carlos Padrão, Tiago Craveiro "entrou em contacto com pessoas próximas de Jorge Jesus e disse que se [o selecionador] não fizesse um pedido de desculpas público a abrir a conferência de imprensa [antes do jogo de Portugal com a Dinamarca], seria demitido. Houve uma ameaça velada, que não foi feita diretamente a Jorge Jesus".
O comentador adiantou ainda que existiu uma tentativa direta de moldar a comunicação do técnico nacional no momento do esclarecimento público: "Tentaram fazer um guião para Jorge Jesus na conferência de imprensa, para que fizesse formalmente um pedido de desculpas a Cristiano Ronaldo. Jorge Jesus garantiu-me que não pediu desculpas a ninguém. Fez a assunção do erro. Justificou [não ter metido Ronaldo no jogo com a Noruega, depois de o ter colocado a aquecer], mas disse que não era um problema. Admitir um erro é uma coisa, pedir desculpa é outra."
Carlos Padrão revelou também ter estado em contacto direto com o Selecionador Nacional, descrevendo o estado de espírito em que se encontra o amigo perante a crise instalada na Seleção. "Falei com o Jorge de manhã e ele está muito triste. O sentimento que prevalece do discurso dele é de tristeza porque não estava à espera de nada disto. Foi ele que assumiu esta posição, foi ele que entendeu que era possível uma saída. Foi ele que disse a Cristiano Ronaldo que não podia, com o prestígio que tem, abandonar a Seleção Nacional a chorar com uma derrota nos oitavos de final do Mundial com a Espanha", explicou.
Segundo o antigo guardião, o plano de continuidade de Ronaldo na equipa das quinas tinha sido construído pelo próprio treinador e pela cúpula da federação. "Jorge Jesus acreditava convictamente que era possível gerir [a utilização] de Cristiano Ronaldo. O Cristiano queria anunciar a retirada e foi Jorge Jesus, juntamente com Pedro Proença, a dizer-lhe que não podia acabar assim, a chorar num Campeonato do Mundo. Disse-lhe: 'Tens de acabar em glória e vamos tratar disso'", reforçou, rematando que toda a situação está a "custar muito" ao técnico, que considerava que, "ao fim de um ano a trabalhar" com o internacional português no Al Nassr, tinha ficado "amigo dele".
Veja, agora, o vídeo.